Não sei se dá pra dizer que o Santos mereceu vencer o Avaí. Creio que não. O resultado mais justo seria o empate. Se alguma coisa fez a diferença em favor do Santos foi a garra. Além da sorte.

Sim, sorte também influi no futebol, e não fosse ela o time de Santa Catarina teria ao menos obtido o empate na Vila Belmiro. Aquela bola que bateu no pé da trave e não entrou é típica de goleiro sortudo, como este Rafael.

Mas, como eu já disse, os deuses do futebol costumam compensar alguns azares. Perder o Ganso, machucado, por seis meses, dá ao Santos um duradouro bilhete da fortuna.

Fazer um gol logo aos 50 segundos, através de Neymar, deu a impressão de que o time poderia vencer com facilidade, mas, como se previa, este Avaí é atrevido e também buscou o ataque, mesmo fora de casa. Time jovem, parece ter uma energia inesgotável.

Como havia muita juventude em campo e pouca maturidade, o jogo foi um corre-corre terrível. Marquinhos não conseguiu controlar a partida no meio-campo e só mesmo a habilidade de Neymar e a versatilidade de Zé Eduardo seguraram o Avaí um pouco mais atrás no primeiro tempo. Keirrison, mais uma vez, ajudou pouco.

Na segunda etapa, o gol dos visitantes parecia favas contadas, até que as entradas de Alan Patrick e Zezinho deram um pouco mais de precisão nas trocas de bola e tornaram o Santos novamente perigoso.

Por sorte o gol de Marcel saiu justamente no curto período de tempo que o Santos voltou a dominar, aos 38 minutos. Depois, o Avaí assumiu o controle do jogo novamente, diminuiu com Válber, aos 42, e manteve o torcedor santista com o coração na mão até o fim.

Lições do jogo

A determinação, a disposição de marcar o adversário foi um aspecto positivo desta vitória que coloca o Santos na terceira posição do campeonato. Mas a partida mostrou também aspectos preocupantes, que merecem melhor análise.

É notório que o poder ofensivo do time caiu muito devido aos desfalques da janela de transferências. Marquinhos não está conseguindo substituir Ganso à altura no meio-campo e Zé Eduardo e Keirrison estão longe de preencherem as lacunas deixadas por Robinho e André.

O Santos passou a ser um time cuja única reserva de arte está nos pés de Neymar e, em menor proporção, nos de Alan Patrick e Zezinho quando estes entram no segundo tempo. Parece pouco para chegar ao título, mas o espírito de luta tem compensado a falta de beleza.

Esta garra será decisiva domingo, no Maracanã, na última rodada do primeiro turno (sem contar o jogo adiado, com o Internacional). Contra o campeão Flamengo, os Meninos da Vila terão de ter o mesmo espírito guerreiro que tiveram contra o humilde Avaí.

O que você achou do jogo com o Avaí? O que viu de positivo e negativo no Santos?