Se há um problema no amigo Guilherme Gomez Guarche é sua humildade. Seu livro não traz sua biografia. Sei que ele é um pouquinho mais novo do que eu (não parece, mas é). Gostaria de saber mais sobre a vida deste homem que se dedica à história do Santos como poucos, ou nenhum.

Sei que não se formou em jornalismo e não se considera escritor, mas não precisou de nenhum diploma ou certificado para exercer com carinho e profissionalismo a missão que impôs a si mesmo: a de buscar nos jornais e depoimentos antigos os fatos que se encaixam para compor a inesquecível história do Santos.

Responsável pelo departamento de memória e estatística do Santos, Guarche trabalha para preservar cada linha da história mais preciosa do futebol. E o faz com o amor das crianças pelo seu brinquedo favorito. Ah, como seria bom se o Santos tivesse dezenas, centenas de Guarches a esmiuçar-lhe cada momento de sua dourada existência.

Há alguns meses descobriu que o Santos não foi fundado às dez horas da noite, como se supunha – pois esta foi a informação de De Vaney em seu Álbum de Ouro -, mas às duas da tarde do domingo 14 de abril de 1912. A cada dia Guarche está esclarecendo um ponto que ficou obscuro nesse caminho de sonhos e glórias do Alvinegro.

Sei muito bem como esse trabalho é estafante e o respeito profundamente. A torcida nunca gritará o seu nome, os políticos do esporte sempre o estarão puxando para um lado ou para outro, mas ele seguirá firme na sua tarefa sagrada de resgatar a verdade, apenas a verdade, nada mais do que a verdade.

A década de ouro, em detalhes

Em seu último livro, “ A década de ouro”, de 410 páginas, Guarche retrata –através de artigos de imprensa e dos boletins do clube – o dia a dia do Santos nos anos 1960, a década mais impressionante já vivida por um time de futebol.

As informações não se limitam aos jogos e às grandes contratações, mas aos bastidores do clube, à vida social dos jogadores, aos treinamentos, às viagens, enfim, a tudo que o torcedor quer saber sobre aquele Santos que encantou o mundo.

Recomendo com louvor o livro do amigo e grande pesquisador Guilherme Gomez Guarche. Para adquiri-lo, passe um e-mail para o Guarche: ggguarche@bol.com.br ou guilherme.guarche@santosfc.com.br O livro não é caro e vai torná-lo um torcedor bem mais consciente do valor do Santos.

A importância da história

Um dos objetivos que me faz escrever, fazer livros e dar entrevistas sobre a história do Santos, é criar em outras pessoas o desejo de preservá-la. Acho que o crescimento de uma instituição do futebol, como o Santos, está diretamente ligado à propagação dos fatos marcantes de sua história.

Por isso, além de participar e incentivar com entusiasmo obras sobre o Alvinegro Praiano – livros, filmes, exposições – estou me propondo a dar palestras sobre a história do clube (veja no lado esquerda desta home o anúncio da palestra Time dos Sonhos). É uma maneira de ter um contato direto com os apaixonados pelo Santos e pelo futebol e, quem sabe, semear em alguns deles a paixão pelo trabalho de pesquisa e preservação da memória do nosso time do coração.

E você, o que tem feito para preservar a história mais rica de um time de futebol?