Dia desses, conversando com a Suzana sobre as surpresas agradáveis de se trabalhar com este blog, ouvi a exclamação que gerou este artigo: “Mas você é o ombudsman do Santos, Odir!”. Sim, acho que o espírito é esse. Só que não sou o ombudsman sozinho. Compartilho esta função com meus inteligentes e sagazes leitores, entre eles alguns da mais fina estirpe, que me surpreendem a cada dia.

Antes de mais nada, vamos saber o que quer dizer esse negócio de ombudsman? Bem, é a pessoa incumbida de observar e criticar as falhas de uma empresa, pondo-se no lugar do público. O termo tem origem sueca, e significa “representante”. Pois é. Nós somos os representantes dos milhões de santistas espalhados pelo mundo.

Por isso, não devemos ser marcelistas ou laorzistas. Somos apenas e tão somente santistas. Mas não apenas torcedores fanáticos. Pois o Santos está inserido em um contexto que envolve outros adversários e a imprensa. Sem ética, sem respeito aos rivais e sem isenção – apesar do fato de sermos torcedores –, não conseguiremos exercer uma crítica saudável e construtiva.

E a crítica é essencial para a evolução de uma instituição. Ela ajuda a detectar e corrigir falhas, ela aponta caminhos. Várias cabeças pensam melhor do que uma, certo? Por isso, sempre defendi a oposição, pois ela é fiscalizadora. Um regime sem opositores corre o sério risco de se tornar ditatorial.

Respeito ao adversário

Vocês já devem ter percebido que mesmo sendo um blog preferencialmente de santistas, os adversários são tratados com consideração por aqui. Não me refiro a eles por apelidos ou termos pejorativos. São Paulo é São Paulo, Corinthians é Corinthians, Palmeiras é Palmeiras. Além de um santista orgulhoso, tenho orgulho de meu estado e do futebol que é praticado aqui. Os adversários também são responsáveis por isso.

Admito que o torcedor tem o direito de extravasar sua paixão e de passar por cima de certas regras de etiqueta, mas minha postura, como mentor do blog, tem de ser outra. Até porque este não é apenas um blog de torcedor, mas de analistas da situação do Santos, de pessoas que propõem soluções para os problemas do clube, desde técnicos e táticos, até administrativos e estruturais. E o melhor é que há neste blog pessoas que realmente têm gabarito para fazer estas propostas.

O torcedor comum tem a mania de desmerecer os adversários. Nenhum presta, todos têm defeitos e são inferiores… Eu penso um pouco diferente, pois é a grandeza dos outros que tornam o nosso time ainda maior. Se tivesse inserido em outro Estado, obviamente as conquistas do Santos não teriam o mesmo valor. Para se sobressair no competitivo futebol paulista, que conta com alguns dos melhores times do país, o Santos tem de ser mesmo excepcional, ou sucumbiria.

Respeito à ética

Sei que outros torcedores preferem ganhar títulos roubados e no último minuto, para assim ferirem ainda mais os rivais. Mas, estou certo, este não é o pensamento do santista. Ele adora ganhar títulos no último segundo, sim, como o Brasileiro de 2002, mas com gols legais e, de preferência, bonitos.

O santista não quer para os outros o que não quer para ele próprio, e esse é um diferencial magnífico, que me envaidece. Este é um dos motivos que me faz repetir que muitos são os chamados, mas só os santistas são escolhidos. Talvez seja um exagero de torcedor, mas sinto que, ao menos quanto à ética, corresponde à verdade.

Um time que ganhou 95% de seus títulos mais importantes no campo do adversário, não está acostumado a levar vantagem usando a pressão de seu estádio e todos os artifícios que poderiam vir deste fato – esconder bolas, fazer cera, ameaçar e subornar a arbitragem, tornar o vestiário do visitante impraticável, abusar da violência etc.

O Santos, que cresceu quando São Paulo já tinha três times enormes, também aprendeu a vencer sem conchavos de bastidores. Hoje, mesmo com um dos melhores currículos do país, continua se valendo, exclusivamente, de seu futebol. Esta prioridade explica seus recordes, suas marcas inalcançáveis…

É bom falar do Santos pois não se está tratando apenas de mais um clube, mas de uma das melhores partes da história do futebol. Ao falar do Santos falamos do futebol-arte, do time que encantou o mundo, que fez mais gols na história, que teve Pelé, o Rei do Futebol, e que de tempos em tempos revela outros craques maravilhosos. O Santos é uma instituição que precisa ser defendida e preservada. Não pode ficar à mercê dos interesses comerciais da imprensa e nem dos interesses políticos dos políticos. Como costumo dizer, o Santos é uma boa causa.

O futuro deste blog

Você, leitor, definiu o futuro deste blog. No começo, tinha a ilusão de que poderia falar de outros assuntos, mas, por minha condição de pesquisador do Santos e autor de alguns livros sobre o clube, os santistas tomaram conta do pedaço.

Então, está definido que este blog tratará, profundamente, dos assuntos do Santos. Mais do que informar, tentará, com sua ajuda, analisar as questões internas do clube e a forma como ele se expõe publicamente. Conto com você nesta equipe que continuará exercendo o papel de ombudsman do santista.

Mas oara que eu possa me dedicar a este blog como venho fazendo, para que ele mantenha sua independência política, ele terá, também, de ser independente do ponto de vista financeiro. Assim, prepare-se: logo terei de anunciar presentes, passeios, viagens e demais opções de compra. Recomendarei só aquilo que me agrada e espero que de vez em quando você possa adquirir os produtos e serviços anunciados aqui.

Espero ainda que você compreenda que não há como manter um serviço que exige tantas horas de dedicação diária sem um faturamento mínimo. Sei que todos precisamos consumir e tentarei trazer algumas das melhores opções aqui. Mas não se sinta pressionado a nada. Só a sua visita a este espaço é altamente compensatória e me deixa extremamente feliz.

E você, o que espera deste blog? Acha que a definição de ombudsman do santista é boa? O que sugere para melhorá-lo?