“Alô amigos do SBT, quero dizer, da Band, quero dizer, da Record…”

Hoje, em São Paulo, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) decidiu extinguir o direito de preferência da Rede Globo na negociação pelos direitos de TV do Campeonato Brasileiro.

Antes a Globo tinha o direito de conhecer as propostas dos concorrentes, para depois fazer a sua. Agora, a mamata acabou.

Isso não quer dizer, entretanto, que a Globo não possa ganhar a concorrência para todos os meios de transmissão do futebol – tevê aberta, tevê por assinatura, pay-per-view, internet e celular –, o que, na prática, faria com que tudo continuasse do jeito que está.

Na verdade, não houve um esforço consistente do Cade para alterar a situação das transmissões de tevê a favor do consumidor. É evidente que este sistema de exclusividade não interessa ao apaixonado pelo futebol.

A partir do momento em que a Globo, ou outra emissora, conquiste os direitos de transmissão por tevê aberta, tevê por assinatura e pay-per-view, poderá integrar as programações, como já tem sido feito, de maneira a obrigar o telespectador a filiar-se à tevê por assinatura e ao pay-per-view.

Prioridade seria a melhor solução

Como já dissemos antes neste blog, para a tevê aberta seria melhor um sistema que se baseasse na prioridade, e não na exclusividade. A emissora que vencesse a concorrência, poderia escolher o jogo que quisesse transmitir em cada rodada; mas a emissora segunda colocada poderia escolher entre os demais jogos e assim por diante.

Isso garantiria a muito mais pessoas o direito de ver o seu time preferido em ação. Seria uma forma mais democrática de lidar com as transmissões de futebol no Brasil, que não é mais um país dividido apenas entre clubes de Rio de Janeiro e São Paulo.

A Internet pode ser um caminho

Percebo, e me corrijam se estiver errado, que o torcedor não está tão preocupado com a qualidade da transmissão, mas sim em ver o seu time jogar. Entre assistir a uma partida em alta definição, com tira-teima, câmera lenta e todas as sofisticações tecnológicas possíveis, ele preferirá uma transmissão simples, mas que mostre o seu time.

Assim, creio que as transmissões via Internet, mais baratas e abrangentes, podem ser uma saída para, repito, a democratização das transmissões de futebol no Brasil.

O protecionismo aos times do Rio

Em uma reunião que participei para a criação do G4 Paulista, empresa que congrega os quatro grandes de São Paulo, uma das queixas que ouvi foi a de que o mercado de transmissões por parabólicas não era regulamentado e acabava sendo usado pela Globo sem pagar os royalties para os clubes.

Outra queixa é de que a empresa carioca parece ter um plano secreto para alimentar a popularidade dos times do Rio em todo o País, pois privilegia descaradamente a transmissão e a reprise de jogos envolvendo equipes cariocas.

Isso é muito grave, pois todos sabem que é do suposto tamanho das torcidas que se divide as cotas de tevê, a venda de patrocínio de camisa, merchandising etc. Por outro lado, também está provado que a maior exposição na mídia contribui decisivamente para o aumento das torcidas.

Mesmo um time medíocre, mas bem exposto na tevê, pode atrair mais torcedores do que um outro bem melhor, mas que não tenha a mesma exposição. Sabedores disso, os programadores do futebol da Globo dirigiriam a programação de forma a dar mais espaço a determinados clubes.

Esse protecionismo da Globo explicaria porque os times do Rio continuam mantendo alguma popularidade em regiões como o Norte e o Nordeste do país, apesar de seus seguidos fracassos nas competições mais importantes disputadas por clubes brasileiros.

E você, acha que a Globo começará a perder o seu monopólio no futebol brasileiro, ou tudo continuará como antes? Ela protege mesmo os times do Rio? E a Internet, pode ser uma saída democrática para a transmissão do futebol?