O Santos acaba de se tornar bicampeão da Copa Libertadores de futebol feminino ao bater o Everton, do Chile, por 1 a 0, gol de Maurine, cobrando falta, aos 44 minutos do segundo tempo. Ótimo, excelente, mas o jogo, disputado na Arena Barueri e com público pequeno, deixou lições.

A primeira delas é bem velha, mas volta sempre: nenhum adversário está batido antes do jogo começar. Na maior parte da partida as Sereias da Vila atuaram como se estivessem em um treino, sem aquela vontade irresistível de ganhar que fazem os campeões e campeãs.

Talvez imaginassem que o gol sairia “normalmente” e por isso o jogo prosseguiu muito lento. Cristiane, aparentemente acima do peso, não conseguia fugir da marcação, Thais evitava as divididas e a goleira Claudia Endler, do Everton, pegava tudo.

A arbitragem fazia o jogo das chilenas e permitia longas paralisações. Na hora de dar cartões amarelos, só três santistas foram premiadas. Nem no futebol feminino e jogando em casa, o Santos deixa de ser prejudicado. Impressionante!

O Everton cumpria fielmente a tarefa de se defender e fazer o tempo passar. Tudo indicava que a partida iria para a disputa de pênaltis, nas quais o Everton talvez tivesse mais chances de sair com o título, pois sua goleira é excepcional.

Porém, aos 44 minutos Suzana recebeu falta perto da área e, assim como tinha feito na semifinal, contra o Boca Juniors, Maurine cobrou com maestria, desta vez no canto direito, para dar o bicampeonato sul-americano ao Santos.

Título justo, pois o time venceu todos os jogos sem sofrer nenhum gol. Porém, sem Marta, que reforçou o time no ano passado, deu pra perceber que o Santos têm dificuldades seriíssimas contra um time que se defende bem, faz cera e tem a simpatia da arbitragem.

A lição das meninas serve para o jogo de logo mais, entre os homens, o mais importante do Santos no Campeonato Brasileiro. Mais importante porque pode consolidar a possibilidade do título e porque está carregado de rivalidade.

San-São dificílimo. O resto é papo de torcedor

Não sou e não concordo com esses torcedores que ironizam o adversário antes de o jogo começar. E daí que o Santos já venceu o São Paulo quatro vezes este ano? Isso torna o jogo desta tarde mais fácil? Não. Ao contrário.

Algo que faz um time se superar é a motivação, e os são-paulinos a têm agora, pois estão se recuperando, vêm de boas vitórias e jogarão em casa contra um Santos que ainda é forte, mas nem tanto como aquele que derrotou o São Paulo três vezes no Campeonato Paulista.

Não é preciso lembrar que no Alvinegro Praiano não há mais Robinho, André, Wesley, todos decisivos naqueles confrontos com o Tricolor. Há a boa fase de Zé Eduardo e de Arouca, o início da maturidade do craque Neymar e a esperança nos pés de Alan Patrick, Alex Sandro, Danilo e outros meninos que vêm por aí. Mas não se pode dizer que o Santos seja o favorito.

Eu diria até que o favoritismo desta tarde, se ele existe, deve ser dirigido ao São Paulo, que venceu bem o clássico com o Palmeiras, e parece mais animado depois da chegada do bom técnico Paulo César Carpegiani.

Então, o mais sensato é esperar. E torcer. Tanto o Santos pode chegar à sua quinta vitória sobre o São Paulo em um mesmo ano, o que seria histórico, como pode ver sua seqüência de triunfos terminar hoje.

Na verdade, e sem ficar em cima do muro, eu diria que o resultado mais lógico é o empate. Que, aliás, não seria muito bom para nenhum dos lados.

E para você, o que deve acontecer no jogo de hoje? O que o seu coração diz? E o que o seu raciocínio frio responde?