Quando Marcel caiu no gramado, fazendo careta, pensei: “Que sorte tem esse Martelotte. Foi obrigado a substituir o Marquinhos, machucado, e o time melhorou com o Alan Patrick; agora terá de colocar alguém no lugar do Marcel, e talvez entre o Felipe Anderson”. Mas Marcel insistiu em ficar em campo, não foi substituido e a esperança de que o marcador saísse do 1 a 1 se foi.

Se jogasse um tostãozinho a mais, o Santos teria vencido o Palmeiras, na Vila. Mesmo pouco inspirado, foi o time que manteve por mais tempo a posse de bola e também buscou mais o ataque. O Palmeiras manteve até o final o objetivo de esperar o Santos no seu campo e aproveitar as falhas na saída de bola dos santistas.

Ao contrário de Casagrande, comentarista da TV Globo, não gostei do jogo. A não ser com uma ou outra cobrança de falta de Marcos Assunção, e de alguma eventual arrancada de Kléber, o Palmeiras não ameaçou o gol de rafael. O Santos, por sua vez, errou inúmeros passes na boca do gol que, se tivessem um mínimo de bom aproveitamento, teriam levado a uma vitória até tranqüila.

Marcel, Pará, Danilo?

A impressão que tive ao final do primeiro tempo é de que era um absurdo deixar Zé Eduardo no banco e iniciar a partida com Marcel. Também não entendi a volta de Pará à lateral-direita e a escalação de Danilo no meio. Ambos não estavam bem, errando passes fáceis, sem tempo de bola.

Mesmo com tanta gente no setor, ninguém marcava Valdivia, e foi o chileno quem teve espaço e tranqüilidade para dominar a bola na área e recuar para o chute certeiro de Kléber, aos 20 minutos de jogo.

O gol não mudou a partida. O Santos, que desde os 17 minutos contou com Alan Patrick no lugar de Marquinhos, machucado, tocava melhor a bola e cercava a meta do Palmeiras, mas sem grande perigo. No último lance desta etapa Vitor, que até ali marcava bem a Neymar, acertou belo chute que se chocou contra o travessão.

A hora e a vez de Alan Patrick

O Santos voltou para o segundo tempo com a óbvia entrada de Zé Eduardo. A dúvida era quem deveria sair. Martelotte optou por Pará, voltando Danilo à lateral-direita. Ou seja, como saiu com a escalação errada, o técnico teve de gqueimar uma para corrigir.

Logo aos sete minutos do segundo tempo, em jogada individual, Alan Patrick driblou dois e chutou para empatar (a bola desviou no zagueiro Danilo e enganou Deola, mas o gol foi dado ao santista).

Com muita personalidade, Alan Patrick foi o melhor do meio-campo do santos, o único incumbido de criar jogadas de ataque, e se saiu muito bem. Está certo que errou um passe no meio-campo que proporcionou um contra-ataque perigoso ao Palmeiras.

Neymar, bem marcado por Vitor, ainda fez boas jogadas, mas poderia ter jogado um pouco mais para o time. Deixou de fazer algumas tabelas com Alan Patrick, que algumas vezes tocou, se apresentou, e não recebeu de volta. Zé Eduardo, que substituiu Pará, deu mais movimentação ao ataque, mas quando foi preciso caprichar um pouco no passe, ou usar alguma malícia ou inteligência, acabou se perdendo.

Léo se esforçou, Arouca foi o batalhador de sempre, Rafael não teve culpa no gol, Edu Dracena e Durval também foram eficientes, e só. Como os leitores deste blog insistem em dizer, jogadores como Pará, Rodrigo Brum, Danilo e Marcel só estão vestindo a camisa do Santos por exclusão.

Não é só uma questão de deficiência técnica, mas de atitude, de inteligência para jogar futebol. Pará não ataca nem defende bem, Brum fica perdido com a bola nos pés, Danilo não acerta um cruzamento e Marcel não fez nada certo. Nada.

Pontinho precioso

Diante das circunstâncias, e com o sonho da tríplice coroa vencido, a única preocupação prática do Santos neste Brasileiro é não cair para a Série B. Por isso, um pontinho a mais foi até bom, pois o mantém a uma distância segura da zona de rebaixamento.

O lado positivo do clássico, ao menos para os santistas, é a certeza de que não se justifica tanto receio em lançar jogadores da base. Mesmo sem jogar maravilhosamente, Alan Patrick já se mostrou muito mais participativo e decisivo do que Marquinhos.

Isso deve ser um estímulo para que o interino Martelotte perca o medo de perder e dê oportunidade para outros garotos da base, como Felipe Anderson e Tiago Alves. Tudo indica que os garotos se sairão bem melhor do que alguns dos titulares do Santos no momento.

Público pequeno, como se esperava

Estes dias o blog abriu uma discussão sobre o novo estádio do Santos. Há estudos para que ele seja erguido em Cubatão, a 20 km da Vila Belmiro. Já deixei claro minha opinião de que isso é loucura e bobagem. Falamos também do alto preço dos ingressos, que afasta o torcedor do Urbano Caldeira. Pois bem. Hoje o público voltou a ser decepcionante: de apenas 8.900 pagantes.

Na próxima rodada o Santos vai ao Engenhão enfrentar o líder Fluminense, que no primeiro turno derrotou o Santos, na Vila Belmiro, por 1 a 0. O Palmeiras, que também ficou satisfeito com o empate, enfrentará o Avaí, quinta-feira, às 21 horas, no Pacaembu.

E você, o que achou de Santos x Palmeiras? O que fazer com estes jogadores que não correspondem? Qual deve ser a meta do time até o final do Brasileiro?