Ganso pode ter tudo que o futebol pode proporcionar sem sair do Santos

O Santos quer voltar a conversar a sós com Paulo Henrique Ganso sobre um plano de carreira semelhante ao que foi oferecido a Neymar. Por este plano, Ganso ficará mais rico, mais famoso e mais respeitado. Mas os familiares do craque e os sócios da DIS, que têm participação no seu passe, são contra. É que eles só encherão os bolsos se o 10 da Vila for negociado.

Ou seja: o que é melhor para o Ganso, não é o melhor para as pessoas que o representam. Por isso o Santos quer conversar apenas com ele. Mas os seus familiares e seus agentes não permitem, sob a alegação de que ele nunca discutiu contrato e não será agora que fará isso.

Ora, o rapaz não é nenhum idiota e deve saber muito bem o que é melhor para sua carreira. Se ele pode continuar no Brasil, em um time de ponta, onde é ídolo e já o levou à titular da Seleção Brasileira, por que começar tudo do zero em outro clube, em outro país, com outros companheiros, outro técnico, outro tudo? Por que ter de provar o seu valor novamente e sofrer todas as dificuldades de adaptação em um ambiente que pode ser hostil?

Veja André, que não se adaptou à gelada Ucrânia e já quer voltar; veja Robinho, que outro dia saiu vaiado de campo pela própria torcida do Milan… Aqui Ganso será um ídolo para os brasileiros como nenhum outro que está fora do país poderá ser. Se já chegou à Seleção jogando no Santos, o que mais ele precisa provar, a não ser na Copa?

Outro detalhe é que lá fora o imposto de renda é maior. Muito do que se ganha, fica por lá mesmo. E o custo de vida é bem mais alto. Aqui o dinheiro rende mais. Conhecer a Europa é bom? É ótimo. Mas viajar para lá nas férias é suficiente. Ganso é um dos raríssimos privilegiados que pode fazer fama no futebol e ser o primeiro escolhido como o melhor do mundo sem sair da América do Sul. Mas qual de seus inúmeros mentores está preocupado em lhe esclarecer tudo isso?

Um dos graves problemas do futebol brasileiro é que ele está nas mãos dos agentes, dos empresários de jogadores, e eles só ganham muito dinheiro quando conseguem vender sua preciosa mercadoria para o exterior. Então, são pessoas nocivas ao nosso futebol, pois passam o tempo todo tentando convencer seus pupilos a irem embora, a levarem sua arte e seu talento para bem longe de nossos campos.

A culpa é desses sanguessugas? Apenas em parte, pois os maiores culpados foram os legisladores que criaram a lei e nada fazem para alterá-la. E ela é aceita com tanta subserviência por aqui, que até os jornalistas esportivos, que deveriam estar preocupados com a qualidade do esporte que lhes dá o ganha-pão, ficam abismados quando um clube tenta manter seus ídolos no Brasil.

A proposta do Santos

O Santos quer oferecer ao Ganso o mesmo salário de Neymar, quer trabalhar a sua imagem e em troca pede apenas 30% do que ele faturar com publicidade.

Considero este valor plenamente razoável, até porque o simples comissionamento de um astro do show business costuma ser de 20%. E o Santos colocará seus profissionais de marketing e propaganda em campo para vender o seu ídolo.

Duvido que os familiares do Ganso ou os empresários do grupo DIS tenham alguma noção de como fazer o marketing e trabalhar a imagem de um jogador de futebol. Parece simples, mas é bem complexo. Uma única palavra mal colocada para a imprensa pode pôr tudo a perder.

É claro que o mais recomendado e justo é o Ganso deixar o Santos cuidar de sua imagem. Se há uma entidade interessada no sucesso de um jogador, é o clube em que ele joga. E este sucesso depende dos resultados em campo, das ações de marketing e do contato com a imprensa. O que os agentes do Ganso entendem disso?

O que dói mais nesta história toda é que Paulo Henrique tem uma alma de menino que só quer jogar bola, como na sua infância no Pará. Quem o conhece, não vê nele a ambição que seus agentes demonstram.

Veja este vídeo abaixo, que mostra Ganso, ainda pequeno, e sua mãe, vendendo churrrasquinho (a 50 centavos) para que seu time de futebol de salão pudesse viajar para Recife, a fim de enfrentar o Sport. Perceba o garoto simples, interessado apenas em jogar futebol. É este garoto que seus agentes querem substituir por uma máquina de ganhar dinheiro.

Será que Paulo Henrique Ganso ainda vai perceber que os que o cercam querem apenas viver do seu talento?