Como santista, é claro que fiquei chateado. A vitória sobre o praticamente já rebaixado Grêmio Prudente deixaria o Santos a uma rodada do líder. E depois de terminar o primeiro tempo vencendo por 2 a 0, em uma Vila Belmiro com bom público, quem poderia pensar em outra coisa que não fosse a goleada?

Porém, como alguém que adora lições de superação no esporte, só posso bater palmas para esta virada espetacular do Grêmio Prudente, que mostrou uma garra e uma determinação que deveriam ser imitadas pelo Santos em seus últimos sete jogos neste Brasileiro.

Não vou dizer que é melhor esquecer e partir para outra. Se esquecer, a lição perde o seu efeito. Uma derrota como esta não é uma qualquer, é uma derrota espetacular, que fica para a história do futebol. É uma lição que nenhum jogador do Santos deve esquecer pelo resto de suas vidas.

Os santistas podem ter perdido em casa, para o lanterna, a chance de lutar pelo título mais importante do ano. Essa é a verdade. Hoje eles foram irreconhecíveis e decepcionaram sua torcida, em um dia de homenagem a Pelé. Como esquecer isso?

Não adianta dizer aos jogadores que está tudo bem, que isso passa. Esse tipo de derrota não passa. Fica impregnada no corpo, na mente e na alma de quem a sofre (lembro-me até hoje de um gol que perdi na primeira rodada da Olimpíada Infanto-Juvenil de São Paulo de 1967, que poderia ao menos ter levado o jogo do meu colégio para os pênaltis).

Derrotas que são rituais de passagem

Tenho uma tese de que o Brasil só começou a ser o melhor do mundo no futebol depois de perder a Copa de 50 para o Uruguai. Foi o maior sofrimento do futebol brasileiro, mas também foi um ritual de passagem entre a adolescência e a fase adulta do nosso futebol.

Uma derrota como a de hoje vale por um doutorado. Além de todas as circunstâncias favoráveis, o Santos ainda teve o pênalti perdido por Neymar e duas expulsões do adversário. E mesmo assim sequer empatou…

Desculpem-me os amigos santistas, mas no final eu nem torcia mais pelo empate. Não seria justo para o Grêmio Prudente e a lição de humildade não seria tão completa.

Se eu fosse um jogador do Santos e tivesse participado desta partida, não sairia para comer pizza com a família, não iria beber com os amigos e nem assistiria um vídeo em casa. Ficaria remoendo o jogo, pensando no que deu errado e tentando descobrir o que fazer para nunca mais sofrer tal decepção. A verdade é que se o Santos não descobrir onde errou, provavelmente errará de novo.

Obrigado Grêmio Prudente!

Juro que mesmo torcedor do Santos, não fiquei nem um pouco chateado com o Grêmio Prudente. Ao contrário. Fez o que pode e dentro de suas possibilidades e provou, mais uma vez, que qualquer time deste campeonato pode ganhar de qualquer outro em qualquer circunstância.

Mesmo último colocado e sem três titulares, o Grêmio provou que prestígio, campo e situação no campeonato não ganham jogo. E mostrou ao Santos como um time deve jogar todas as partidas quando tem um objetivo.

Assim, nos jogos que faltam até o final do Brasileiro, não quero que o Santos jogue como os líderes Fluminense e Cruzeiro. Quero apenas que jogue com a alma do humilde mas corajoso Grêmio Prudente.

E você, o que achou do jogo? Como os jogadores do Santos e o técnico Marcelo Martelotte devem encarar esta derrota espetacular?