Esta 31ª rodada do Campeonato Brasileiro será denominada “Pelé 70 anos”, uma homenagem que a CBF, presidida por Ricardo Teixeira, quer prestar ao Rei do Futebol. Teixeira explica: “Como torcedor, tive o privilégio de assistir a muitos gols e grandes exibições de Pelé”.

De fato. Ricardo Terra Teixeira, nascido em Carlos Chagas, Minas Gerais, em 20 de junho de 1947, tinha 15 anos e 10 meses quando Santos e Botafogo se enfrentaram, no Maracanã, pela decisão da Taça Brasil, que dava ao vencedor o título de campeão brasileiro – uma partida chamada pelo jornalista Carlos Bianchi, da revista Fatos & Fotos, de “o maior jogo do mundo”.

Nada menos do que oito titulares da Seleção brasileira bicampeã do mundo no Chile estavam em campo, além de três reservas, e o Santos de Pelé ganhou de 5 a 0, com uma exibição primorosa. No outro dia, toda a imprensa nacional – eu disse toda – tratou o Santos como bicampeão brasileiro.

Será que naquela época Ricardo Teixeira não gostava de futebol? Não lia jornal, não assistia tevê, não ouvia rádio e nem ia ao cinema, onde o Canal 100 exibia os jogos?

Para quem não sabe, a entrada de Ricardo no futebol se deu pelas mãos do poderoso genro João Havelange, presidente da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), entidade da qual a CBF foi um dos filhotes

Jovem vindo do interior de Minas, filho de um bancário, Teixeira estudava Direito no Rio de Janeiro quando, no Carnaval de 1966, conheceu Lúcia, filha de João Havelange.

Ao nascer o seu primeiro filho com Lúcia, em 1974, o genro bajulador registrou o menino como Ricardo Teixeira Havelange, colocando por último o sobrenome materno, ao contrário do que determina a lei brasileira.

Depois de uma mal-sucedida passagem pelo mercado financeiro, numa sociedade com o pai, o sogro e um irmão, Ricardo Teixeira pai resolveu se aventurar no futebol e, com o apoio inestimável do sogro, tornou-se presidente da Confederação Brasileira de Futebol.

Lá se não 21 anos de continuísmo à frente da CBF. De lá para cá Teixeira se separou de Lúcia, casando-se com Ana Carolina Wigand. Agora que não precisa mais, sequer fala com o sogro e nem ao menos o atende para ratificar, pela CBF, os títulos da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa/ Taça de Prata, criados por Havelange para definir os campeões brasileiros a partir de 1959.

Quantos títulos mundiais a CBF têm?

Esta ingratidão do ex-genro, outrora tão lisonjeador, chega a tirar lágrimas de Havelange e embargar sua voz. O grande dirigente do futebol brasileiro repete a quem quiser ouvir que os vencedores da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa foram campeões brasileiros e não entende porque a CBF reluta em reconhecer isso.

Talvez a questão pessoal entre Ricardo Teixeira e João Havelange esteja atrapalhando a preservação da memória do futebol brasileiro. É verdadeiramente inconcebível a indiferença da CBF pela história do nosso futebol.

O próprio Havelange confidenciou a mim e a José Carlos Peres, que tivemos com ele em Santos, no ano passado, que não entende como a CBF se apropria dos três títulos mundiais ganhos na gestão da CBD, mas reluta em ratificar os títulos da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, organizados e realizados pela mesma CBD.

Quer dizer, então, que Pelé foi duas vezes campeão paulista, duas da Libertadores, duas do Mundial Interclubes, três de Copas do Mundo com a Seleção Brasileira, mas seus seis títulos brasileiros não valem?

Nem para ele, nem para Gylmar, Mauro, Zito, Coutinho, Tostão, Dirceu Lopes, Raul, Clodoaldo, Carlos Alberto Torres, Piazza, Raul, Ademir da Guia, Dudu, Julinho Botelho, Gérson, Paulo César Lima… Por que esta indiferença? Se foram oficiais, com regras claras, classificação por mérito esportivo e definiam um representante do Brasil para a Copa Libertadores da América, por que Ricardo Teixeira e a CBF teimam em ignorá-los? Que interesse há por trás dessa atitude?

Veja esta matéria do Esporte Espetacular, da Rede Globo, que reforça o caráter oficial da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa.

Você acha que Pelé deve aceitar a homenagem de Ricardo Teixeira, ou pedir como presente de seu septuagésimo aniversário que a CBF ratifique os seus títulos brasileiros ganhos através da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa?