Hoje o atacante Marcel sairia e o goleiro Rafael estaria garantido em 2011

Sejamos realistas. Com os últimos resultados e, mais do que isso, com pífio rendimento do time, o Santos só será campeão se ganhar todos os 12 jogos até o final do Campeonato e ainda depender de outros resultados, o que é tão provável como o Plínio Sampaio ser eleito presidente.

Então, que os jogos que faltam sejam aproveitados para se analisar os jogadores e definir quais deve ficar e quais devem sair do Santos. Claro que algumas mudanças são possíveis e devem ser levadas em conta – Wesley, por exemplo, me fez queimar a língua –, mas hoje, se você fosse o diretor de futebol do Santos, quem manteria no elenco e quem dispensaria?

Não quero que se deixe influenciar por minha opinião, mas, como mentor deste blog, sou obrigado a dá-la. Detesto ficar em cima do muro. Não é fácil criticar pessoas das quais nos tornaríamos até amigos se pudéssemos conhece-las melhor, mas, que fique bem claro, aqui estamos julgando apenas o jogador de futebol.

Rafael – Bom goleiro. Na verdade, pela idade, é ótimo. Não tem feito mais algumas defesas milagrosas que já operou em jogos anteriores, mas ainda assim transmite confiança. Precisa melhorar a reposição de bola, mas creio que possa ser o goleiro do Santos em 2011.

Felipe – Não estava bem e acabou prejudicado pelo incidente no twitter. Não tem mais ambiente com a torcida. Deve ir embora.

Pará – No primeiro semestre, cresceu com o time, chegou até a fazer algumas boas partidas, mas agora voltou ao seu padrão habitual, que é abaixo das necessidades do Santos. Marca e apóia mal, dificilmente se decide pela jogada certa. Não deve continuar.

Maranhão – Reserva de Pará. Coincidências posicionais, regionais, técnicas e psicológicas. Chegou a mostrar alguma capacidade ofensiva interessante no começo, mas logo caiu muito. Não deve continuar.

Danilo – Usado tanto no meio, como na lateral-direita, está mais ou menos nas duas posições. Eu diria mais para menos. É participativo, mas cruza mal, tem dificuldades na troca rápida de passes e marca no desespero. Terá 12 jogos para provar que merece continuar no time. Se eu fosse ele, depois do treino ficaria treinando chutes e cruzamentos. Vive um momento crucial de sua carreira. Assim como pode ser titular de um time que disputará a Libertadores, pode ir para clubes menores e ter uma carreira de coadjuvante.

Durval e Edu Dracena – Apesar de algumas falhas pontuais, deram uma segurança ao miolo de zaga do santos, principalmente em bolas altas, que o time não tinha há muito tempo. Mesmo sem serem craques, são dedicados e têm a característica de irem ao ataque e fazerem gols em momentos importantes. Devem permanecer.

Bruno Aguiar – Quanto entrou, substituiu bem tanto a Durval como a Edu Dracena. É firme e seguro. Deve continuar e provavelmente será o titular do Santos no futuro.

Rafael Caldeira – Muito jovem ainda. Entrou como o Corinthians e se mostrou lento e inseguro. Mas é bem jovem, 19 anos, e por isso tem até o final do ano para caprichar nos treinos, no condicionamento físico e técnico. Se tivesse de decidir agora, ele estaria fora.

Léo – Não é o mesmo, claro, mas ainda se garante pela experiência. Não se sabe se terá físico para aguentar a dura temporada de 2011. É outro que ficará em observação.

Alex Sandro – Já mostrou muito potencial. Já marcou muito bem em alguns jogos e já apoiou bem em outros. Precisa fazer com que isso se torne uma constante na maioria dos jogos. Talvez seja um problema de falta de maturidade, já que é bastante jovem. Precisa melhorar, mas ficará em 2011.

Arouca – Claro que fica. Marca bem, está em toda a defesa e, mesmo sem ser perfeito no passe, sabe sair jogando. Titular absoluto.

Roberto Brum – Limitado na marcação e na entrega de bola, tem jogado por exclusão. Mas na montagem de um elenco vencedor, deve sair.

Rodrigo Possebon – É um jogador comum, mas tem potencial para ser umbom volante. Precisa se ligar mais no jogo, ser sempre uma opção para o passe e nunca virar de costas para a bola. Ainda parece trazer vícios do futebol amador. A passagem pela sub-23 pode ser importante para definir o seu futuro. Em observação até o final do ano.

Marquinhos – Fez grandes partidas no primeiro semestre, mas se apagou sem Paulo Henrique Ganso e Robinho ao seu lado. Não assumiu o papel de líder e maestro do time quando Ganso saiu. Tem habilidade e passa bem, mas sua falta de empenho e sua fadiga crônica fizeram com que caísse na antipatia da torcida. Se não se empenhar mais na preparação física e se tornar um jogador mais participativo, corre o risco de ir embora.

Breitner – Sua qualidade é a cobrança de faltas. Parece lento e sem muita força física, mas ainda é jovem. Pode melhorar muito. Também está em observação na sub-23.

Alan Patrick – É jovem, habilidoso. Ainda não é tão firme na entrega de bola e chuta fraco, mas está se soltando e ontem foi o diferencial que impediu o Santos de perder para o Palmeiras. Ficará.

Neymar e Paulo Henrique Ganso – Precisa comentar? Mas terão de aprender a conviver com um time menos criativo do que tiveram no primeiro semestre. Mais do que jogarem bem, terão de ter muita maturidade.

Zé Eduardo – Tem sido muito pedido pela torcida porque é um atacante menos ruim do que Marcel. Só que está correndo muito e produzindo pouco. Não faz as melhores opções. Precisa usar menos os músculos e mais o cérebro. Será observado no restante do campeonato.

Madson – Mesmo caso de Zé Eduardo. A torcida o pede pela falta de opções no elenco, mas não está correspondendo. Parece um tanto desanimado e engordou uns quilinhos. Tem de caprichar no restante da temporada para garantir o seu lugar no Santos em 2011.

Marcel – Em raras partidas foi o homem de área que o Santos esperava dele. Tem dificuldades técnicas que parecem irreversíveis, pois já não é nenhum garoto. Deve ir embora.

Zezinho – Ou é muito tímido dentro de campo, ou não joga nada mesmo. Mas, como atuou em uma seleção brasileira sub alguma coisa, deve ter qualidades que ainda não afloraram. No momento está no sub-23 e ainda não se firmou. Não deverá ser profissional do Santos em 2011.

Felipe Anderson – Calmo, técnico, chamado pelos colegas de base de “o homem de gelo”, Felipe faz lembrar o estilo de Pita. Habilidoso e inteligente, deverá sofrer no início co, sua aparente timidez, mas, com paciência e carinho, deverá se tornar um grande jogador do Santos. Estará em 2011.

Tiago Alves – É decidido, vai pra cima mesmo, e tem facilidade para driblar em linha reta e chutar a gol. Está tão pronto para ser promovido como Felipe Anderson.

Marcelo Martelotte – Já perdeu boas oportunidades de mostrar a sua marca. Ontem mesmo deveria ter tirado Marcel e colocado Felipe Anderson, deslocando Zé Eduardo para centroavante. Um técnico que vem da base, como foram o lendário Lula e o seu Chico Formiga, deve privilegiar a base. Somente a ousadia bem-sucedida poderia manter Martelotte no Santos. Estará novamente na base em 2011.

É possível reverter

Deficiências técnicas, táticas e psicológicas podem ser revertidas, mesmo em se tratando de jogadores profissionais maduros. Telê Santana ensinou a jogadores, como Jorginho, do Palmeiras, a bater na bola com curva. E digo isso porque vi e porque os próprios jogadores me disseram.

Então, se um jogador tem consciência de suas falhas e se esforça por corrigi-las, sempre obterá algum sucesso. Cobrar bem faltas ou pênaltis, por exemplo, depende menos da posição do goleiro do que do lugar e da força com que a bola é arremessada. Então, mesmo após o treino com os colegas, o atleta pode continuar treinando sozinho, se tiver força de vontade.

O mesmo se dá com os passes e os cruzamentos. O bom passador bate na bola como se fosse um mestre do bilhar: com a força, a direção e o efeito corretos. Jogadores que enchem as pernas de músculos, geralmente perdem a sensibilidade para toques refinados.

Quer ver uma coisa que me irrita profundamente? O companheiro passa do lado e o jogador que está com a bola só precisa empurrá-la, mansamente, em um ponto futuro em que jogador e bola se encontrarão. Mas acaba dando um verdadeiro chute, desproporcional, que sai pela linha lateral ou de fundo. Vi isso ontem contra o Palmeiras…

Esse toque, essa sensibilidade pode ser treinada. O profissional que quer fazer jus a este título deve ter todos os fundamentos do futebol, deve sempre dar 100% do que pode e ter uma atitude madura e motivadora em campo. As derrotas devem servir de estímulo para treinar mais e mais.

Quem sabe que tem pecado em fundamentos, em postura tática e psicológica, deve trabalhar isso e não decorar as desculpas. Os grandes jogadores se aprimoram, não se desculpam. Os grandes jogadores, antes de enxergarem os erros dos companheiros, analisam os seus.

Se este texto for lido para estes jogadores do Santos analisados aqui, que o encarem como uma visão crítica construtiva. Mesmo que o time não tenha maiores objetivos neste campeonato, cada um de vocês têm o seu, que é crescer na carreira, chegar à Seleção ou coisas assim. Cada partida dá esta oportunidade, desde que estejam preparados para ela e prontos para pagar o preço que o sucesso exige. Boa sorte!

E pra você, quem deve ficar e quem deve sair do Santos? Vote consciente!