Hoje o Santos enfrenta o Goiás, em Goiânia, às 19h30m, e o jogo vale pouco mais do que nada. É duro dizer isso, mas a verdade é que o Santos não tem mais qualquer aspiração no campeonato e o Goiás está praticamente rebaixado. A única motivação que resta é a do jogador por sua própria carreira.

Neste blog lancei a idéia de analisar o comportamento dos jogadores do Santos ao final do campeonato. Tinha a intenção de criar uma motivação individual, já que o time caminhava para a situação melancólica que vive hoje, a de participar de uma competição sem chances de lutar por nada.

Porém, por mais que um atleta queira render o máximo, há limitações técnicas, físicas, intelectuais e psicológicas que restringem o seu rendimento. Alguns defeitos, infelizmente, vão acompanhá-lo por toda a carreira, tornando-o um jogador menor, incapaz de satisfazer uma torcida exigente como a santista.

Estava lendo agora mesmo o livro “A Década de Ouro”, de Guilherme Guarche, e me deparei com inúmeros nomes de jogadores que fizeram testes ou mesmo chegaram a jogar no Santos nos dourados anos sessenta, sem que ficassem no time e muito menos deixassem o nome na história.

Muitos são os chamados…

Quando percebi que a estratégia da diretoria de futebol era trazer para a Vila Belmiro jogadores jovens e promissores revelados em outros clubes, como Zezinho, do Juventude, e Danilo, do América Mineiro, fiquei animado e por pouco não fiz um post elogiando a decisão.

Zezinho foi companheiro de Neymar na Seleção sub alguma coisa e Danilo era a revelação do América, querido por outros clubes. O mesmo se pode dizer de Moisés, do Paissandu, e Victor Hugo, do Santa Cruz. Havia ainda Possebon… Caso só um deles desse certo, o investimento já seria amplamente recompensado.

Porém, pelo que se vê na escalação do Santos para a partida de hoje, só Danilo continua prestigiado – além do ex-Menino Adriano, que jogará como volante, a posição que hoje exige menos técnica no futebol.

Pelo jeito, não há nenhum Menino, formado no clube ou vindo de fora, que tenha garantido seu lugar no time para a próxima temporada. Se não são lançados em um jogo que não vale nada, quando terão vez?

Quando se chega a esta terrível conclusão, não há nada a fazer, a não ser continuar insistindo. Craques como Neymar e Paulo Henrique Ganso são raríssimos. Só mesmo a fábrica de craques que é o Santos para nos dar a ilusão de que podem surgir às fornadas, como pãezinhos quentes.

Uma saída para o jogador jovem e bom, que no entanto tem alguns defeitos graves, é treinar, treinar, treinar, até corrigir ou escamotear esses defeitos. Mas quantos têm a humildade e a disposição de fazer isso? E quantos são devidamente orientados para seguir o caminho que os tornará profissionais melhores?

Um blog, mesmo sendo o ombudsman extra-oficial do Santos, não pode obrigar o Alex Sandro a se tornar um marcador melhor, e nem pode exigir que Danilo treine mais o passe, o chute e os cruzamentos. Talvez eles achem que não precisem melhorar mais nada e já tenham suas desculpas prontas para quando forem dispensados pelo clube ou emprestados para outras agremiações.

Assim, por mais estrutura que um clube tenha e por mais boa vontade que demonstre com os jogadores jovens, no final das contas dependerá desses jovens o seu futuro no futebol. Se não tiverem talento ou não se empenharem para aprimorar seu jogo, entrarão para a história como mais alguns anônimos que passaram pelo Santos sem deixar ao menos uma lembrança.

Goiás x Santos

Goiás
Harlei; Valmir Lucas, Rafael Toloi e Ernando; Douglas (Wendel Santos), Amaral (Rithelly), Jonílson, Marcelo Costa e Wellington Saci; Éverton Santos e Felipe. Técnico: Artur Neto

Santos
Rafael; Danilo, Edu Dracena, Durval e Pará; Arouca, Rodriguinho, Adriano e Marquinhos; Neymar e Zé Eduardo. Técnico: Marcelo Martelotte

Serra Dourada, Goiânia às 19h30m.
Árbitragem: Marcelo de Lima Henrique (FIFA/RJ), auxiliado por Dibert Pedrosa Moisés (FIFA/RJ) e Rodrigo Pereira Joia (RJ).
Ingressos: R$50,00 (cadeira) e R$30,00 (arquibancada)
com promoção de meia entrada para torcedores com a camisa oficial

Reveja Santos e Goiás no primeiro turno, quando ainda havia o sonho da tríplice coroa. Perceba o entusiasmo no ar. Jogo no Pacaembu, time motivado, vitória (apesar do pênalti perdido por Neymar) e com ela o salto para a terceira posição no campeonato, com um jogo a menos. Nada indicava que no segundo turno Santos e Goiás jogariam por… nada.