Um time não precisa de 11 craques para ser campeão

Lembro-me que vivíamos os anos 60, período que o Brasil praticou o seu melhor futebol. Alguns vizinhos, mais velhos, foram ver um jogo no Pacaembu e no dia seguinte falavam, no campinho, que Vavá era um perna de pau, matava de canela etc.

Vavá era do Palmeiras, não era técnico como Coutinho, do meu Santos, mas mesmo assim fiquei chateado com aquelas críticas. Sabia que o “Peito de Aço” tinha sido o centroavante da Seleção Brasileira nas Copas de 1958 e 62 e tinha marcado muitos gols, sempre com raro oportunismo.

Sim, naquela época – e, creio, até há pouco tempo – havia um termo para designar o centroavante que sabia marcar gols, mesmo não sendo um craque: oportunista. Vavá era assim.

Fez dois na final de 1958, contra a Suécia, e fez mais um na decisão de 62, contra a Tchecoslováquia. Geralmente era um toque só: a bola vinha cruzada, ele se esticava todo e pumba, jogava lá dentro. Em 62 o bom goleiro tcheco atrapalhou-se com o sol no rosto e deixou a bola cair de suas mãos, Vavá pegou de bate-pronto e sacramentou o bicampeonato.

Nenhum time só tem craques

Nenhum time campeão é formado só de craques. A Seleção de 70 tinha Brito e Everaldo, que não eram virtuoses, e mesmo o Santos bicampeão mundial tinha jogadores que não eram excepcionais, mesmo sendo bons, como o lateral Dalmo.

Há um detalhe que faz o jogador mediano aprimorar sua performance, e este detalhe é o nível dos seus companheiros. Perceba que no primeiro semestre, quando o Santos tinha um elenco melhor, os outros jogadores – casos de Pará e Marquinhos, por exemplo – também rendiam mais.

Se Elano vier para o Brasil, tem de ser para o Santos

Ontem o time de Elano perdeu e ele foi substituído na metade do segundo tempo. É mais do que evidente que seu ambiente no Galatasaray não é dos melhores. Mesmo assim, não podemos nos esquecer de que negociar com turcos não deve ser a coisa mais fácil do mundo.

Leio no noticiário que Vanderley Luxemburgo também está anunciando Elano no Flamengo. É muita cara de pau. O Flamengo vai empurrando a sua dívida de um bilhão de reais com a barriga e solta esses balões de ensaio para disfarçar a péssima fase que atravessa.

Elano já falou que dá preferência ao Santos. Não acredito que vá para o Flamengo, mas, se for, demonstrará profunda falta de inteligência. No Santos terá mais mídia, mais apoio da opinião pública e se sentirá mais à vontade para voltar a jogar o seu melhor futebol.

No Flamengo, além de não receber emn dia, Elano correrá o risco de se apagar. É só olhar o que aconteceu com ex-santistas que foram para lá, como Maldonado e Deivid. Viraram jogadores obscuros e criticados de um time que só não será rebaixado por detalhes da tabela.

Não será preciso trocar todo mundo

Com Elano e mais um jogador para o meio, um centroavante, um ou dois laterais e um ou dois zagueiros, o Santos poderá ter um time campeão da Libertadores.

A história do futebol, repito, mostra que todos os campeões tiveram jogadores limitados e criticados. Ficou célebre o caso de Adriano gabiru, apenas reserva do Internacional de Porto Alegre, que entrou em campo para ser o herói do título mais festejado do time gaúcho.

Assim, apesar da tristeza de mais uma derrota, acho que devemos julgar com mais calma o elenco do Santos, ou acabaremos exigindo uma mudança radical que será impossível na prática e desestabilizará emocionalmente os que ficarem no time em 2011.

Veja os gols de Vavá em Copas do Mundo. Você não queria ter um “grosso” desses no Santos?

Quem desse time não é craque, mas pode ser importante para o Santos em 2011?