Amadurecer e participar mais do jogo: é só isso que falta para Felipe se consolidar como craque

Fiquei com uma frase do leitor Edemilson Morais, que assistiu no Serra Dourado o jogo contra o Goiás e definiu assim a atuação de Felipe Anderson: “demonstra ainda fragilidade e os zagueiros roubam-lhe a bola facilmente, porém fez uma belíssima enfiada de bola para Neymar”. Sobre isso é que vou falar agora.

Do futebol de base para o profissional há muitas diferenças. A principal delas tem a ver com o aspecto físico dos jogadores, o uso do corpo nas jogadas, as chamadas faltas invisíveis, enfim, a preocupação com a marcação.

Um jogador habilidoso, como Felipe Anderson, tem a tendência de achar que não é preciso fazer esforços inúteis ou se arriscar por bolas aparentemente perdidas. Mas entre profissionais a disputa é mais acirrada e só de atrapalhar o adversário o jogador já está sendo importante para o time.

No futebol de base há menos maldade, menos pontapés, menos riscos de contusões graves. O jogador ofensivo – meia ou atacante – que vem da base, não demora muito para perceber que entre profissionais a situação é diferente. Ele passa a enfrentar adversários tarimbados, que jogam pelo sustento da família e não titubeiam em pegar pesado para “parar a jogada”.

E o jovem de 17, 18 anos, geralmente não tem a musculatura consolidada, sua coordenação motora fina ainda está em evolução e ele ainda não desenvolveu as qualidades “chatas” do futebol, como proteger a bola, saber entrar nas divididas, cabecear com segurança, marcar o adversário em cima, chutar a gol mesmo de bico…

Um jogador que é craque, ou tem potencial para ser, prefere as jogadas limpas, como o drible, o passe, a matada, a carregada de bola, o chute colocado. Porém, ele logo percebe, o adversário estará lá justamente para impedir que ele as faça. Quase sempre haverá alguém enroscado em suas pernas, dando biquinho por baixo, empurrando por cima, puxando a camisa, usando o corpo para desequilibrá-lo. Só assim é que se para um jogador habilidoso.

O segredo é ser participativo

Muitos jogadores de grande potencial deixaram de brilhar por timidez ou falta de confiança. Pita foi um craque, mas poderia ser um astro ainda maior se se apresentasse mais para o jogo. Paulo Henrique Ganso tinha o mesmo defeito no ano passado, mas este ano tornou-se mais participativo e isso fez o seu futebol ir às alturas.

Acho que é só isso que falta a Felipe Anderson. E ser participativo traz obrigações ofensivas, mas também defensivas. Com a bola, ele deve protege-la como um leão protege a caça, e quando é o adversário que a tem, deve estar sempre disposto a lutar por ela – com garra e inteligência, mas sem violência.

Mas a função de um meia ofensivo, como Felipe Anderson, não se resume ao tempo diminuto em que estará com a bola nos pés durante uma partida. É preciso participar ativamente do jogo, mesmo sem ela. Quando o time tem a bola, Felipe dever ser, sempre, uma boa opção de passe; e quando a bola está com o adversário, ele deve tentar ser, sempre, um adversário a ser transposto.

Quando percebi que Ganso percebeu que não poderia mais ficar parado no campo, como se estivesse alheio ao jogo, não tive dúvidas de que se tornaria o jogador imenso que é. Talento nunca lhe faltou. Tenho a mesma impressão sobre Felipe Anderson.

Vejo-o dominando o jogo no meio campo com categoria, matando no peito, driblando (se necessário), lançando, tabelando e chutando a gol com força e precisão. Também o vejo ajudando na marcação, roubando bolas e, com o tempo, fazendo valer o seu bom porte físico e a sua personalidade.

Pode ser apenas um sonho meu? Não acredito. Dificilmente costumo errar quando falo do potencial de um jogador. Se este potencial vai se concretizar ou não, é outra história. Mas creio que sim. Desde que Felipe Anderson comece a ser um pouco mais participativo na próxima vez que vestir a camisa do Santos.

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Você acha que estou exagerando ao ver um novo craque em Felipe Anderson, ou o garoto tem mesmo potencial para ser mais um Menino da Vila?