Um doce para quem descobrir o que se passa nessa cabecinha…

Somos muito críticos, temos de admitir, e, como bons santistas, queremos ver o time recheado de garotos da base. Por isso, quem pode aguentar um time cheio de veteranos e com um meio-campo formado por três volantes sem qualquer criatividade e um armador sem a mínima vontade? Porém, pacientemente, tentarei ver as coisas pelos olhos do técnico interino Marcelo Martelotte.

Mesmo fora da luta pelo título e já classificado para a Libertadores, o jogo de hoje vale muita coisa para o Santos, sim. Vale uma rivalidade que é a maior do Santos com times de outros estados. O fanatismo grosseiro de boa parte dos gremistas, que junta bairrismo, separatismo e pitadas de racismo em um caldo antiquado e perigoso, tornou-se intragável para os santistas.

Há mais do que simplesmente gozação nas “brincadeiras” não só dos torcedores, mas de alguns jornalistas gaúchos, quando falam do Santos e do estilo de seu futebol, que privilegia a técnica, a arte, ao invés dos encontrões típicos do esporte praticado no Sul.

E por nunca ter perdido para o tricolor do Sul na Vila Belmiro, o Santos entra em campo com essa responsabilidade que vale muito para o torcedor. Martelotte, e aí tento pensar como ele, sabe que essa rivalidade e esse tabu dão a essa partida de logo mais uma importância maior do que deveria ter. E por isso não quer correr riscos, escalando um meio-campo pegador.

Se analisarmos bem, a única mudança substancial no time será a volta de Roberto Brum ao meio-campo, no lugar do novato Rodrigo Possebon. Na verdade, queremos tanto que os novatos convençam e se encaixem logo no time, que muitos viram em Possebon um jogador bem melhor do que Brum, o que ainda seria uma afirmação precipitada.

Roberto Brum, Adriano e Rodriguinho podem marcar bem? Podem anular o bom meio-campo gremista, onde se destaca o habilidoso Douglas? Provavelmente. Na verdade, estão lá pra isso. E quanto a Marquinhos, será um armador digno de um time grande, ou continuará com seu futebol à la Série B?

Elogiei muito Marquinhos no primeiro semestre. Acho que em algumas partidas, como na vitória sobre o Corinthians, pelo Campeonato Paulista, ele mostrou uma visão de jogo e personalidade que me fizeram acreditar que no mínimo Paulo Henrique Ganso tinha um reserva à altura. Já havia quem o criticasse, mas eu achava implicância. Hoje, sou obrigado a concordar que o moço não vem jogando nada.

Porém, acredito que Marquinhos é um jogador que conhece os fundamentos e só não joga melhor porque é atrapalhado pelo próprio caráter. Explico: talvez ele não tenha entendido que a grande “malandragem” de um jogador de futebol é dar 100% cada vez que entra em campo. Ou melhor, é dar 100% até nos treinos, que devem ser usados para se aprimorar.

Qual é a esperteza de um jogador que pode jogar melhor, ser mais respeitado, firmar-se como titular e ainda fazer sucesso na carreira, e não se esforça para atingir esse nível? Na verdade, é falta de inteligência. Pois esse seu comportamento acomodado o deixou em uma situação delicada: ou joga bem a partir de hoje e mostra que ainda pode continuar no Santos, ou fatalmente estará em um time da Série B no ano que vem.

No mais, Martelotte volta com Pará na lateral-direita, Edu Dracena na zaga central, Léo na lateral-esquerda e escala novamente Keirrison no ataque – ou seja, não ousa nada, faz o feijão com arroz e deixa todos os abacaxis para Adilson Batista descascar.

Mas não creio que com a escalação de hoje o interino está sinalizando que os veteranos prevalecerão sobre os Meninos. Ao contrário. Está tentando armar o time para não perder o jogo, mas ao mesmo tempo está expondo vários jogadores contestados ao crivo da torcida – que poderá ser até pequena hoje, na Vila, mas será tão ou mais exigente do que nunca.

Ouça agora a ironia e a provocação do narrador Pedro Ernesto, de uma rádio gaúcha, dizendo que o Santos já estava eliminado depois de sofrer a virada no primeiro jogo das semifinais da Copa do Brasil (o sujeito pira e chega a cantar). Bizarro!

E como o tal Pedro Ernesto cantou o “Elimination” e disse que o Santos não sabia dançar, olha só o que ele foi obrigado a ouvir depois. Rsssss

E você, o que espera de Santos e Grêmio? Manter o tabu já basta? Por que será que Martelotte não escalou nenhum dos Meninos?