Só Neymar e Rafael se salvaram. O resto do time jogou muito mal.

Abaixo segue a apurada análise de Pedro Reino sobre o empate de hoje, na Vila Belmiro, em 1 a 1, com o Vitória, que deixa o Santos apenas com chances matemáticas de lutar pelo título.

Além de ter feito uma partida considerada pelo comentarista Paulo Roberto Martins, da Rádio Transamérica, como péssima, da qual, segundo ele, só se salvaram, dos santistas, o goleiro Rafael e o atacante Neymar, o Santos teve quatro jogadores com cartões amarelos que desfalcarão o time contra o Atlético Mineiro, no sábado, em Minas. São eles Roberto Brum, Danilo, Alex Sandro e Edu Dracena. Ou seja, o Possebon finalmente terá de jogar.

Nestas horas é que se vê quem tem personalidade e sangue nas veias e quem não tem espírito para vestir a camisa do Santos. Hoje deram mais um vexame. Parabéns aos heróicos 4.643 pagantes, que deveriam receber o dinheiro de volta por verem a pior partida do Alvinegro na Vila Belmiro.

Aliás, por que não marcar os jogos contra Grêmio e Flamengo para o Pacaembu? Ao menos entraria um pouco mais de dinheiro nos cofres do clube. Bem, agora fique com a análise precisa do jogo de hoje.

Displicência mais uma vez entra em campo na Vila

Pedro Reino

Marcelo Martelotte, nosso técnico interino que já demonstrou não ter condições de comandar a equipe principal, escalou para a noite de hoje o Santos mais mutante de 2010.

– No papel, um 4-2-2-2 com a dupla Roberto Brum e Danilo fazendo a cobertura da área – apesar de todos sabermos que Danilo não tem quaisquer condições de repetir a atuação segura que o Arouca sempre teve.

– Na minha visão do que aconteceria, antes da partida, um “fake” de 3-5-2 com Brum fixo à frente dos zagueiros para tentar cobrir o buraco que o Danilo certamente abriria na marcação. Dessa forma, mesmo não sendo o esquema ideal, o time poderia jogar futebol… a menos que o Vitória marcasse nossa saída de bola.

– Mas o que se viu, no final das contas, quando a bola rolou, foi o Santos distribuído em um verdadeiro X-Y-Z, com todo mundo perdido, sem saber o que fazer e em que hora, e o resultado foi uma das piores partidas do Santos no que diz respeito à tática em toda a temporada.

Ao nomear Danilo, o jogador mais inseguro que veste a camisa titular do Santos neste segundo semestre, como substituto de Arouca e, portanto, peça-chave para o funcionamento defensivo da equipe, Martelotte deu a senha para que o Vitória encontrasse todos os espaços sem ter de procurar.

Mais tarde, no final da partida, Martelotte colocou a cereja no seu bolo particular de decisões táticas equivocadas ao efetuar duas das piores substituições que eu poderia imaginar para a partida.

O desastre poderia ter sido muito pior…

Dependendo de Roberto Brum para sair jogando e também consertar todos os erros de seus companheiros de meio-campo, o Santos permitiu que o Vitória tivesse todas as chances que quis de chegar ao gol através de bolas paradas.

Como Pará se limitou a marcar pela direita e não subiu uma única vez durante os primeiros 45 minutos, e Danilo se escondeu do jogo ao “dobrar” a lateral com Pará, o que não era necessário, o Vitória veio para cima aproveitando os vários erros de saída de bola do Santos, em especial nos insistentes passes errados do Marquinhos, e o espaço deixado pelo Alex Sandro na lateral esquerda.

O desastre no primeiro tempo só não foi maior porque o NEYMAR se dedicou a ajudar na marcação pela esquerda e compensou a displicência do nosso único lateral de origem que entrou jogando em sua posição.

Ainda assim, os primeiros 45 minutos foram mais do que o suficiente para que todos, do meio para trás, deixassem sua contribuição para o show de horrores que foi a exibição tática nota zero desta noite. Destaque para Edu Dracena, que não ganhou UMA e permitiu que o atacante Júnior dominasse, escolhesse o canto, limpasse e fizesse o gol de empate do time baiano.

No segundo tempo o que mudou foi que Pará começou a subir para o ataque, e com isso a avenida que só existia na esquerda foi duplicada na direita para permitir um trânsito mais tranquilo dos jogadores do Vitória em contra-ataques. Nas costas do Pará o Edu Dracena recebeu seu cartão e logo depois poderia ter sido expulso por lance similar, mas que o juiz ignorou.

Alex Sandro, ainda mais displicente do que no primeiro tempo, quando já havia finalizado para lateral, quando deveria ter cruzado para seus companheiros na área, teve novas chances de servir Neymar e Zé Eduardo, mas preferiu ceder o tiro de meta.

Zé Eduardo também perdeu o seu, na cara do gol, por tentar encobrir o goleiro de primeira ao invés de matar a bola ou simplesmente servir Neymar, que chegava pela direita.

O destaque único e individual da partida é Neymar, sem dúvida nenhuma, que correu os 90 minutos exercendo mais funções do que ganha para, do que é cobrado e do que deveria fazer. Tanto que estava exausto antes do apito final. Ainda assim, todos os bons lances do Santos aconteceram em jogadas individuais do único gênio em atividade no país.

As substituições foram um capítulo à parte: quando a bola já não chegava redonda para os atacantes, Martelotte colocou OUTRO atacante (Keirrison) para não ter o que fazer lá na frente.

Quando o torcedor já não tinha mais qualquer resquício de paciência, Martelotte nos lembrou de que temos o Marcel no elenco. E, para tirar com a cara de qualquer pessoa que tenha visto a escalação do Santos antes da partida e tenha previsto que o time não só não se comportaria da forma esperada pelo técnico, mas também não se comportaria como um time de futebol PROFISSIONAL, Martelotte substituiu o cada vez mais queimado Danilo pelo lateral Maranhão, e com isso moveu o Pará, que é volante, para jogar como… VOLANTE!

As perguntas que ficam são muitas

– Por que é que o Santos não entrou jogando com um volante (Pará, por exemplo) como volante e um lateral (Danilo, outro exemplo) como lateral?

– Por que é que o Alan Patrick, que estava completamente perdido em campo, mas ainda é um dos poucos jogadores habilidosos que temos, saiu ao invés de ter seu posicionamento corrigido durante a partida?

– Por que é que o tal do Possebon não joga no time principal?!

– O que é que o Marcel tem que faz com que ele seja escalado?!

– Como é que deixamos escapar um campeonato que, para vencermos, só precisaríamos derrotar meia dúzia de times que estão na parte de baixo da tabela…?

– Quantos jogadores do elenco atual tem condições de vestir a camisa do Santos em 2011? Uns… 3? 4?

Avaliações Individuais

– RAFAEL: não falhou no gol, nem em nenhum outro momento. Mas ainda tem que treinar bastante a cobrança de tiro de meta. Estamos de olho, Rafael.

– DURVAL: hoje deixou mais claro do que nunca como é um zagueiro muito superior ao Edu Dracena. Enquanto seu companheiro permitiu que o Vitória finalizasse a gol diversas vezes durante o primeiro tempo, em uma delas inclusive empatando a partida, e no segundo cometeu diversas faltas por incapacidade de marcar na bola, Durval jogou limpo, marcou onde foi preciso – tanto na esquerda quanto no meio – e foi o principal responsável por evitar que a Avenida Alex Sandro se tornasse a preferida dos baianos.

– EDU DRACENA: falhou uma primeira vez, e Rafael fez a defesa. Uma segunda, e nova defesa do Rafael. Na terceira – todas dentro da área – não teve jeito… gol do Vitória.

No segundo tempo, ao ter de assumir a responsabilidade de impedir o tráfego na Avenida Pará, cometeu falta para amarelo, recebeu o cartão, e logo em seguida cometeu outra, mas o juiz não marcou. Sorte? Não para quem tem Edu Dracena, que já entregou vários dos pontos mais preciosos que o Santos perdeu no Brasileirão 2010. Não vejo a hora de ter seu contrato rescindido.

– ALEX SANDRO: o nome da displicência. Quando marcou, foi voltando desesperado para tentar corrigir alguma das várias falhas de posicionamento sem tamanho que cometeu. Quando atacou, deixou de servir seus companheiros, chegando a finalizar para lateral ao invés de tentar o cruzamento. Fez na noite de hoje uma de suas piores partidas – se não a pior – com a camisa do Santos.

– DANILO: se Alex Sandro foi o nome da displicência, Danilo foi o nome do equívoco tático. Escalado para substituir Arouca, que não tem substituto no elenco desde que chegou ao Santos, Danilo se escondeu do jogo no primeiro tempo ao se juntar ao Pará na lateral direita, que o Vitória, óbvio, não tentou explorar.

No segundo, quando poderia ter caído por lá como estava fazendo para ajudar na marcação e tapar o buraco deixado pelo Pará, preferiu se esconder do jogo pelo meio, fazendo papel de Marquinhos – ou seja: recebe e toca de lado, quando não erra. Danilo está sendo queimado pela insistência do nosso técnico interino ao colocar o garoto para jogar de meia, volante etc. Ele não sabe fazer nada disso, já ficou bem claro para todos…

– PARÁ: fez um bom primeiro tempo, já que se limitou ao mínimo que poderia fazer. Ainda assim, quando um jogador medíocre se limita a fazer o mínimo, ele ao menos não atrapalha sua equipe, certo? Mas isso não durou muito: no segundo tempo lá estava Pará, se aventurando ao ataque, deixando para trás uma verdadeira Estrada de Tijolos Amarelos que o técnico Antonio Lopes do Vitória explorou com uma substituição óbvia porém inteligente. E foi assim que o Edu Dracena poderia ter sido expulso. E que poderíamos ter perdido o jogo.

– MARANHÃO: não sei quem é. Só sei que entra, corre para um lado, corre para o outro, e quase sempre não faz muita diferença. Hoje ameaçou repetir a partida do gol relâmpago, mas o Vitória estava bem fechado e não se permitiu sofrer um gol de um jogador de nível da Série B. Então Maranhão desistiu de subir, cumpriu tabela dentro de campo assim como o resto do time, e depois de alguns minutos o juiz apitou o final da partida.

– ROBERTO BRUM: ficou com a ingrata responsabilidade de corrigir tudo o que todos os seus companheiros de meio fizessem de errado. E não foi pouco, claro! Por isso terminou o primeiro tempo cansado e com um cartão amarelo recebido com justiça.

No segundo tempo se aventurou mais ao ataque, assim como o resto do time do Santos, participando da tentativa desesperada de vencer uma partida em casa e não envergonhar mais uma vez a torcida… mesmo assim, voltou para marcar e o que mais me preocupa é saber que foi, incrivelmente, um dos melhores em campo. (Quando ROBERTO BRUM é um dos melhores em campo, você sabe que tem algo de errado com seu time…)

– MARQUINHOS: uma planta. Acertou UM passe em toda a partida. E foi o gol do Santos! Muito provavelmente utilizará deste argumento para pedir um aumento amanhã. E eu não duvido que receba este benefício. Afinal, é um jogador fora de série! Um verdadeiro CAMISA 10, não é mesmo?

– ALAN PATRICK: o garoto é bom. Joga bem, é um meia-atacante de qualidade, prende a bola, sofre faltas, finaliza, tabela, tem velocidade. Mas cometeu um erro em sua carreira: pedir para jogar ao lado do Marquinhos. O resultado? Alan Patrick só não fez fotossíntese durante a partida de hoje porque já era noite e não havia luz solar na Vila.

O Santos só não passou a jogar com 11 quando foi substituído porque quem entrou foi o Keirrison, que também não viu a cor da bola. (Todos ali para atrapalhar o Neymar…)

– ZÉ EDUARDO: eu gosto do Zé Eduardo. Mas hoje ele cometeu os dois erros que sempre comete E não fez um golaço como também costuma fazer. O primeiro erro é tentar fazer o mais difícil. Recebeu um passe de cara para o gol e… quis encobrir o goleiro de primeira. Tivesse matado a bola, de qualquer jeito que fosse, e teria total condição de fazer o gol ou ao menos sofrer um pênalti. Também poderia ter ajeitado para o Neymar, que invadia a área pela direita. Mas, não… tentou fazer o mais difícil. Aí, em seguida, passou a se jogar e colocar o juiz contra si próprio e o Santos – e este é seu segundo erro.

– NEYMAR: fez tudo o que um jogador de futebol poderia fazer, menos vestir as luvas e defender nosso gol.

No primeiro tempo, distribuiu no ataque, tentou colocar Alan Patrick e Zé Eduardo no jogo, deu um gol feito para o Marquinhos – mas é claro que ele perdeu – e fez suas jogadas individuais de costume. Também voltou para marcar, salvou o emprego do Alex Sandro em mais de uma situação ao cobrir a falha na lateral esquerda e fez o que pode para, saindo completamente de onde deveria permancer os 90 minutos, buscar a bola na defesa.

No segundo, deixou a marcação para seus companheiros mortais e ruins de bola lá de trás e passou a se dedicar exclusivamente ao ataque. Com isso, criou todas as jogadas ofensivas do Santos na etapa final. TODAS. Não conseguiu fazer o gol, é verdade, até porque não eram só os defensores do Vitória ali na sua frente, atrapalhando as conclusões…

O Santos hoje infelizmente não pode nem dizer que é “Neymar e mais 10?, porque os outros 10 não completam um TIME. É “Neymar e mais… alguns, aí”, no máximo. Uma pena… qualquer “Neymar e mais dez” teria vencido o Vitória sem dificuldade.

– KEIRRISON: entrou no lugar do Alan Patrick, que pediu para jogar ao lado de Marquinhos e pelo jeito pegou a doença de seu companheiro, e não acrescentou EM NADA. Exatamente como já havia feito o Alan Patrick até então. Portanto o Santos continuou com, no mínimo, um homem a menos. Eu não consigo imaginar o Keirrison sendo útil ao Santos em qualquer momento que seja na próxima temporada. Ou será que para mostrar um bom futebol ele precisa de uma sequência de, sei lá, 10 jogos como titular, e nestes o time entra virtualmente com um a menos? Não consigo ver vantagem neste investimento. Por mim, pode ser dispensado amanhã…

– MARCEL: se o Keirrison pode, por mim, ser dispensado amanhã, o Marcel pode ser dispensado NO DIA SEGUINTE AO QUE FOI CONTRATADO. OU ANTES, se possível! Marcel é seguramente O PIOR JOGADOR QUE VESTIU A CAMISA DO SANTOS FUTEBOL CLUBE NA TEMPORADA 2010. Não pode, de forma ALGUMA, continuar no elenco em 2011. A menos que tenha algum tipo de cláusula, interesse ou privilégio que a gente não saiba. De qualquer forma, até o final do ano pelo jeito nós ainda vamos ter de aturar o Marcel no Santos. Poderia ser pior? Poderia! Ele poderia já estar negociando sua renovação…

– MARCELO MARTELOTTE: mostrou que não sabe muito de futebol e/ou não conhece o elenco que tem ao escalar o time de forma que o DANILO tivesse a obrigação tática de fazer a função que sempre foi do AROUCA. Deixou o Brum na maior roubada sozinho, tendo de se multiplicar para tapar todos os (vários) buracos de marcação – no meio, nas laterais… – e ainda evitar os (vários) contra-ataques do Vitória em erros de passe sequenciais e grotescos do Marquinhos, em especial.

Achou que tinha armado um 4-2-2-2, parecia ter armado um 3-5-2, mas no final das contas armou um X-Y-Z. Os comentaristas não vão dar risada da atuação tática do Santos nas mesas redondas de amanhã porque eles são educados e prezam por seus empregos… senão eles dariam. Eu só não ri porque eu sou santista e tive de assistir ao SHOW DE HORRORES desta noite torcendo para que o melhor acontecesse.

No final das contas até que o melhor aconteceu! O Santos CUMPRIU TABELA como era esperado pelos torcedores realistas e não perdeu mais uma em casa para um time que está entre os últimos colocados do campeonato. O empate foi justíssimo em especial depois das substituições esdrúxulas e sem nexo feitas pelo Martelotte.

Minha dúvida, depois de descarregar estas críticas a um profissional que eu não consigo entender como pode ser tão despreparado para o cargo que assumiu, é: quem será que está escalando o Danilo? Será que é o Martelotte mesmo?

Se for, penso que ele, o Marcelo, ainda não percebeu que TREINO É TREINO, JOGO É JOGO. Treino não vale 3 pontos, não vale campeonato, não dá trofeu e, salvo raras exceções, não tem torcida vaiando nem xingando jogador. O Danilo além de RUIM, é PIPOQUEIRO. Passou 90 minutos hoje SE ESCONDENDO DO JOGO. O Marcelo viu! Claro que viu! Viu de PERTO, já que estava ali no banco do Santos.

E o que será que vai acontecer para a próxima partida? O Arouca volta para o time e o Danilo, para sua posição “de origem”, que é a MEIA? Hahaha.

Eu não engulo mais essa, Martelotte, me desculpe…

Você concorda com o Pedro? O que mais a acrescentar depois de mais uma atuação decepcionante do Santos diante de sua torcida?