No primeiro gol, mostrou uma visão extraordinária. De fora da área, com um zagueiro à sua frente, percebeu o canto e bateu lá, firme, como se cobrasse um pênalti. No segundo, oportunismo e tranqüilidade. Assim, Neymar, o único craque em campo, impediu que o remendado Santos saísse com uma derrota em Sete Lagoas, diante do desesperado Atlético Mineiro.

Antes da bola rolar, provavelmente na cena mais fotografa desta rodada, Neymar e o técnico Dorival Junior se abraçaram. Alguém tinha dúvida de que continuavam amigos? O coração de Neymar é enorme. O garoto não é de guardar mágoas. E, pelo jeito, Dorival também não.

Com o Santos cheio de reservas e o Atlético louco para fugir do rebaixamento, mesmo em uma gramado maravilhoso o jogo já não seria grande coisa. Com a chuva constante que caiu em Sete Lagoas, o máximo que se podia esperar era muita correria, e isso não faltou.

Alguns companheiros e o técnico Marcelo Martelotte fizeram força para que o time mineiro ganhasse, mas Neymar não deixou. Quando o Santos vencia por 1 a 0, aos 33 minutos do primeiro tempo, Pará fez das suas e entregou de presente a bola no pé de Serginho, que cruzou para o gol de cabeça de Diego Tardelli. Este, numa comemoração manjada, “fisgou” o peixe.

Uma análise ao final do primeiro tempo mostraria que o Atlético tinha mais posse de bola, mas o jogo era equilibrado. O Santos ameaçava no contra-ataque e poderia ter feito ao menos mais um gol se Marquinhos tivesse alguma leve propensão a atacante. Em uma jogada, Neymar deu um toque entre dois adversários e deixou o meia livre para desempatar, mas este fez a pelota beijar alguma estrela dos céus de Minas.

Uma martelada no cravo, duas na ferradura

No segundo tempo, o fôlego-precoce de Marquinhos já parecia esgotado e Marcelo Martelotte colocou Alan Patrick no seu lugar. Ótimo. A passagem de bola da defesa ao ataque ganh0u mais rapidez e precisão.

Porém, pouco depois, Martelotte tirou Possebon, que estreou com um rendimento aceitável, e colocou Marcel. Fiquei imaginando o que poderia acontecer de bom com Marcel. Se ele não sabe tabelar, não dá um drible, não acerta um passe e ainda jogou fora da área, o que ele poderia mudar no jogo?

Meus temores, infelizmente, se concretizaram. Como diz o querido frequentador deste blog, jogar com Marcel é o mesmo que jogar com um a menos. Talvez seja até pior, pois sele às vezes atrapalha.

O Atlético-PR desempatou e Neymar, num lance de oportunismo, aproveitando um rebote do goleiro, empatou de novo.

O desespero tomou conta do Atlético e nos contra-ataques o Santos tinha boas chances de vencer a partida. Porém, parecia haver uma cláusula que impedia o Alvinegro da Vila de sair vencedor, pois Martelotte resolvei tirar Zé Eduardo e colocar o volante novato Jefferson.

Como se esperava, a partir daí Marcel perdeu todas as bolas que recebeu e teve de recuar para ajudar a defesa; Alan Patrick, bem marcado, pouco fez; Pará se escondeu no meio da defesa do Santos, provavelmente com receio de propiciar outro gol ao adversário; Maranhão e Jefferson bateram cabeça pela lateral-direita para atrapalhar o ataque do Atlético por ali e assim a partida terminou.

Louve-se a boa participação de Adriano, o volante que todos pediam no lugar de Roberto Brum. Fica mais uma vez comprovado que a voz do torcedor é sábia.

Não entendi porque Bruno Aguiar, e não Vinicius Simon, substituiu Dracena. Quem entrou no time e saiu invicto, foi Vinicius. Bruno Aguiar permitiu que Tardelli se antecipasse no primeiro gol e não correu na cobertura no segundo gol. Não foi de todo mal, mas creio que Vinicius teria sido melhor.

Na verdade, Martelotte perdeu uma boa chance de testar uma zaga com Vinicius e Bruno Aguiar. E não sei porque não colocou Madson ou Moisés no lugar de Zé Eduardo. Todos sabem na Vila que Marcel não interessa mais ao Santos. Para que gastar vela com mau defunto?

E por que tirar Zé Eduardo, se o empate não refrescaria a situação do Santos? Só a vitória interessaria. Tirar um atacante que é o único a marcar gols, além de Neymar, só por fratura exposta.

Senhor, dai-me paciência…

Sei que nos comprometemos a analisar jogo a jogo e no final dar a lista de quem deve ficar ou sair no Santos. Porém, sei que o clube já definiu quem não interessa mais para 2011. Não conheço toda a relação, mas sei que Marcel e Roberto Brum são dois deles.

Pelo jogo de hoje, não é difícil chegar a outros nomes. Só direi que Adriano e Rodrigo Possebon, pela dedicação e juventude, apesar de não convencerem plenamente, devem merecer outras oportunidades. Agora, não consigo imaginar um time profissional bemn-sucedido com jogadores como Pará, Maranhão, Rodriguinho, Marquinhos… Mantê-los na equipe é pura perda de tempo.

Que sejam felizes em equipes equivalentes ao seu nível de jogo, provavelmente nas séries B e C. Ms no Santos, não. Uma equipe cujo DNA está ligado ao futebol arte, ao futebol bonito, não pode ser representada por jogadores que tratam a moda ou com medo demais, ou com total desrespeito.

E você, o que achou do jogo e do Santos?