O Santos não pode permitir que seus Meninos fiquem na mão de mercadores de jogadores

Na verdade, é cedo para comemorar, pois Justiça no Brasil a gente sabe como é: hoje decide uma coisa, amanhã outra. Mas a vitória que o clube conseguiu na 5ª Vara Cível de Santos sobre o Grupo DIS, braço esportivo do Grupo Sondas, não só pode recuperar um grande patrimônio, entregue de bandeja ao tal grupo, como colocar o clube em um caminho mais transparente.

O imbróglio começou no ano passado, quando o então presidente Marcelo Teixeira resolveu cobrir rombos no caixa repassarando ao Grupo DIS, a preço de banana, gordas porcentagens dos direitos federativos de sete jogadores do Santos: 25% dos direitos de Paulo Henrique Ganso, Wesley, André, Diego Faria, Anderson Planta, Tiago Luis e 20% de Breitner.

Só que por esses 170% de direitos acumulados sobre sete jogadores, o Grupo DIS pagou apenas o equivalente a cerca de 2% da multa contratual destes atletas, em um negócio altamente lesivo ao patrimònio do clube.

Após analisar detalhadamente o caso, o juiz José Wilson Gonçalves, da 5ª Vara Cível de Santos, concluiu, em seu despacho, que houve uma “absurda desproporção entre os investimentos, os riscos inerentes ao negócio e o respectivo financeiro ao autor”.

O assunto foi parar na Justiça porque o Grupo DIS queria receber 25% do valor da negociação de Wesley com o Weerder Bremen, ou R$ 5,4 milhões. Mas o juiz José Wilson Gonçalves determinou que o Santos repasse apenas R$ 1,02 milhões ao grupo.

É claro que o DIS deve recorrer da decisão em primeira instância, mas esse veredicto já é um alento para o clube, pois este precedente poderá fazer com que ampli também a sua participação nos direitos econômicos de outros atletas entregues ao DIS.

Um clube como o Santos não pode viver de esmolas

A lição que se tira desse episódio é que um clube como o Santos não pode viver de esmolas, não pode depender de “investidores” que mais tiram do que põem e muito menos depender de empresários que forçam a escalação de jogadores medíocres, em detrimentro dos jogadores de base do Santos.

Depois de mal administrar a fortuna obtida com a venda dos astros da geração de 2002, o presidente Marcelo Teixeira não tinha o direito de sucatear o futuro do clube a um grupo que trouxe jogadores de terceira categoria e em troca tornou-se sócio da nova geração de ouro dos Meninos da Vila.

Sei que a situação do Santos era desesperadora e por isso Marcelo Teixeira fez empréstimos bancários e vendeu o que o Santos tem de mais precioso, que são os seus garotos bons de bola. Mas a situação só se tornou tão ruim devido à incapacidade administrativa da diretoria

Com a visibilidade, com as possibilidades de patrocínio e merchandising, com a imensa torcida que lhe dá a possibilidade de escolher entre jogar em Santos e São Paulo, com seu carisma que é um chamariz para jovens craques de todo o Brasil, o Santos não pode mais se permitir a viver tais situações de contrangimento, em que dependa de esmolas de terceiros.

“Empresários, Fora!” – esta é a placa que o torcedor quer ver no CT

Mas não basta ao Santos livrar-se do Grupo DIS. Ele precisa fechar suas portas para empresários. O torcedor não entende, por exemplo, porque o Santos tem negócios com pessoas ligadas ao agente de jogadores Kia Joorabchian, o mesmo da MSI que levou o Corinthians ao título suspeitíssimo de 2005.

O leitor deste blog suspeita que alguns jogadores de empresários têm mais oportunidades na equipe principal do que garotos saídos da base. Ele gostaria de entender, por exemplo, por que Zezinho foi escalado tantas vezes este ano, apesar de nunca jogar bem? Ora, essa preferência por jogadores “de empresários” também é uma forma de dilapidar o patrimônio do clube.

O Santos tem de saber usar a sua imagem como “fábrica de craques” para montar seu elenco a partir dos meninos da base e de jogadores contratados que venham para ser titulares absolutos. Trazer atletas para disputar posição com os meninos é jogar dinheiro fora, além de conturbar o ambiente.

Jogadores mais experientes querem ser titulares, são mais calejados, manhosos, e logo se unem, em panelinhas, impedindo a ascensão da garotada. Quando os que chegam são craques, tudo bem, mas não é o que está ocorrendo. E essa disputa entre veteranos medíocres e garotos promsisores só pode ser prejudicial ao Santos, um clube onde os garotos devem ter prioridade, pois só eles levam às vitórias.

E o que o clube pode lucrar especulando em cima de jogadores de fora é pouco perto do que investe nesta estratégia. Some o que se gastou com Zezinho, Possebon, Moisés, Danilo, Alex Sandro, Victor Hugo – e o que ainda se gasta com seus salários, concentração, viagens, hospedagens – e veja se no final o resultado não será negativo.

Enfim, livrar-se da DIS é apenas um passo para que o Santos livre-se também dos amigos de Kia Joorabchian e de todos os mercadores de jogadores que ronram a Vila Belmiro. O Santos não precisa disso. Essa estratégia dá margem a muitas especulações e dúvidas. Um clube ético não se mete em negócios nebulosos.

Um último aviso: o torcedor não é trouxa. Ele pode passar um tempão sem falar nada sobre deterninados assuntos, mas isso não quer dizer que não saiba o que está acontecendo. Portanto, o melhor caminho para o Santos é criar um plano de carreira para ele mesmo que não dependa de terceiros. Se essa diretoria conseguir fazer isso, será aclamada e terá vida longa na direção do clube. Do contrário, seguirá o mesmo destino das anteriores. Quem avisa, amigo é.

E você, acha que empresários de jogadores são imprescindíveis na atual conjuntura do futebol, ou o Santos deve tentar viver sem eles?