Tivemos uma equipe que encheu os olhos do mundo, o Santos do Pelé. E a grandeza do Santos daquela época tem que ser registrada (João Paulo de Jesus Lopes, diretor do São Paulo, sobre a unificação).

Deu no iG. O diretor do São Paulo, João Paulo de Jesus Lopes, vê a provável decisão sobre os títulos brasileiros anteriores a 1971 como um justo reconhecimento à grandeza do Santos de Pelé, que “encheu os olhos do mundo inteiro”. E ao mesmo tempo afirma que a unificação será um incentivo ao São Paulo.

“Não tenho nada contra, não vejo nenhuma dificuldade em relação a isso. Acho que até nos motiva. Nós que somos o clube grande mais jovem do Brasil temos aí uma quantidade de títulos e temos um grande desafio, de recuperar essa primeira posição. Acho isso muito positivo”, disse o dirigente.

Jesus Lopes separa a história do campeonato brasileiro antes e depois de 1971, período que coincidiu com a construção do Morumbi:

“O São Paulo tem uma posição de destaque em relação aos Campeonatos Brasileiros disputados a partir de 1971, que coincide inclusive com o período em que o São Paulo concluiu suas obras patrimoniais, inaugurou o seu estádio e passou a se dedicar mais aprofundadamente às competições. Nesse período de 70 pra cá o São Paulo tem sem dúvida uma soberania muito grande”, prosseguiu.

Mesmo sendo o clube que para alguns jornalistas e torcedores fanáticos mais “perderia” com a unificação (na verdade, ninguém perderá nada), Jesus Lopes não vê motivo para o São Paulo colocar-se contra a medida. Ao contrário. Para ele, será uma decisão justa, por valorizar as conquistas anteriores à década de 70, especialmente do Santos.

“Nós não podemos desprezar o que aconteceu antes disso (implantação do Campeonato Brasileiro). Tivemos, por exemplo, uma equipe que encheu os olhos do mundo inteiro, o Santos do Pelé. E a grandeza do Santos daquela época sem dúvida nenhuma tem que ser registrada”, concluiu o dirigente são-paulino.

Só podemos bater palmas para um dirigente esportivo que tem esta visão ética e este respeito à história do futebol. É este São Paulo, elegante, nobre, que seduziu tantos torcedores em tempos distantes, entre eles meu pai. Acho que de tanto ver o seu presidente Juvenal Juvêncio pisar na Bola, o São Paulo começa a trilhar outro caminho, da humildade e da educação.

No Rio, a presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, também fez um discurso parecido. O curioso é que os dirigentes dos clubes que não conquistaram títulos da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa estão agindo de maneira mais sensata e equilibrada do que muitos jornalistas e torcedores. Estão percebendo que a valorização da história do futebol brasileiro também é benéfica a seus clubes.

Este é o espírito que se quer com essa unificação, pois ela baseia na inclusão de conquistas, times e ídolos, hoje esquecidos. É o respeito pela história, acima de tudo. Respeito que se estende não só para os campeões de 1959 a 1970, mas a todos os clubes que um dia quererão que suas glórias não caiam no esquecimento.

O que você achou da atitude do diretor são-paulino? Acho que merece aplausos. E você?