Ao lado de Pelé, nos bons tempos do Santos, e em um estúdio de rádio, trabalhando como comentarista

Morreu nesta manhã, aos 75 anos, em uma clínica de Villa Elisa, na periferia de La Plata, o argentino José Manuel Ramos Delgado, ou apenas Ramos Delgado. Vítima do Mal de Alzheimer, sua saúde vinha se deteriorando rapidamente.

Um dos melhores zagueiros da história de Santos, River Plate e do futebol sul-americano, Ramos Delgado conseguiu o máximo de prestígio que um jogador de defesa pode ter. Ele era tão bom – clássico, firme, técnico, raçudo – que gerou uma situação inusitada no Santos e no futebol brasileiro. Mesmo veterano, aos 33 anos, o argentino tornou-se titular da quarta zaga, tomando o lugar do jovem Joel Camargo, que por sua vez era titular da Seleção Brasileira.

Nascido em Quilmes, em 26 de agosto de 1935, Ramos Delgado, que os argentinos chamavam de “El Negro”, começou jogando no Lanús em 1956, aos 21 anos. Com 23 transferiu-se para o River Plate, time pelo qual realizou 172 partidas e que defendeu até 1965.

Entre 30 e 31 anos fez uma temporada pelo Banfield, mas em seguida acabou surpreendido pelo convite do Santos para substituir Mauro Ramos de Oliveira, que se aposentava. Delgado jogou no Alvinegro Praiano até 1972. Depois, ainda jogou pela Portuguesa Santista no ano seguinte.

No Santos, foi campeão brasileiro (Torneio Roberto Gomes Pedrosa/ Taça de Prata) em 1968; três vezes campeão paulista (1967/68 e 69); das Recopas Sul-americana e Mundial, além de inúmeros torneios internacionais. Como craques se entendem, fez grande amizade com Pelé, que é padrinho de uma de suas três filhas.

Participou de 25 jogos da Seleção da Argentina, pela qual foi convocado para as Copas do Mundo de 1958 e 62. Em 1964 ganhou a Copa das Nações, quadrangular disputado no Brasil que contava ainda com as presenças de Brasil, Portugal e Inglaterra.

Ao pendurar as chuteiras, trabalhou no departamento amador do Santos e fez parte do departamento profissional entre 1977 e 1978. Depois, voltou à Argentina e trabalhou em vários clubes: Belgrano de Córdoba, River Plate, Gimnasia y Esgrima, Estudiantes de La Plata, Platense, All Boys, Mendoza e também no Universitário do Peru.

Em 1994 retornou pra o departamento amador do Santos. No mesmo ano graduou-se como jornalista, passando a atuar como comentarista na rádio e tevê argentina, profissão que exercia quando ficou doente.

Conheci Ramos Delgado em 1995, quando lancei a Revista do Futebol. Creio ter sido na espera do elevador da Vila Belmiro. Trocamos poucas palavras. Simples, nem parecia a lenda da zaga que foi. Sorridente, afável, sua imagem inspirava elegância e nobreza. Sim, Ramos Delgado primou pela técnica inusitada para um zagueiro, mas que sabia jogar com valentia, quase fúria, quando a meta santista estava ameaçada.

Agora reserve um tempo para você mesmo, respire fundo, volte no tempo e acompanhe esta rara entrevista, em três empos, com Ramos Delgado. Perceba com que carinho ele fala do Santos e note que ele admite que é mais reconhecido no Brasil do que em seu país:

O que você sabe sobre Ramos Delgado? Gostaria de dizer alguma coisa sobre o grande mestre que se foi?