Primeiro painel sobre a Unificação para a imprensa, no Palmeiras, com Belluzzo ao centro.

Ninguém poderá dizer mais que Pelé e Tostão não foram campeões brasileiros. A reparação desta injustiça, que não envolve apenas estes grandes astros, mas dezenas de outros da era de ouro do nosso futebol, está fazendo todos que amam o esporte viverem um dia especialmente feliz hoje – felicidade que começou ontem à noite, quando William Bonner anunciou, no Jornal Nacional, que o sonho da unificação tinha se realizado.

Um país que vai organizar uma Copa do Mundo precisava passar a história de seu futebol a limpo. Ao reconhecer a unificação dos títulos brasileiros a partir de 1959 – evento que será celebrado em grande e inesquecível festa – a CBF trouxe novamente respeito e orgulho aos campeões brasileiros do período mágico que compreendeu as Copas do Mundo de 1958, 62 e 70. Com prazer agradeço a Ricardo Teixeira pela nobre atitude.

Agradeço as felicitações e os elogios que tenho recebido, mas fui apenas um instrumento dessa jornada. Muita gente contribuiu para que este objetivo fosse alcançado, a começar pelo presidente Marcelo Teixeira; pelo líder desse projeto, o amigo José Carlos Peres; o presidente Luís Álvaro Ribeiro, o presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo; o presidente do Fluminense Roberto Horcades; os presidentes e representantes de Bahia, Botafogo e Cruzeiro, e muitos, muitos jornalistas, que muitas vezes colocaram sua preferência clubística de lado para dar espaço a um tema relevante do nosso futebol.

Obrigado a Sérgio Quintanilha, Sidney Garambone, Cléber Machado, José Roberto Torero, Cosme Rímoli, Cláudio Zaidan, Milton Neves, Fábio Rocco Sormani, Marcelo Duarte, Sérgio Patrick, Celso Unzelte, João Carlos Albuquerque, Alex Escobar, Marco Antônio Rodrigues, Mauro Betin, Joelmir Beting, Elia Junior, entre outros, e a todos os proprietários de sites e blogs – principalmente os santistas – que deram espaço ao tema e contribuíram para que houvesse um maior entendimento sobre a Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa.

Ah, e um obrigado super especial a Marcos Magno de Souza Cunha, meu irmão e editor de arte do livro do Dossiê e ao amigo Vítor Queiroz, que coletou filmes e editou os audiovisuais dos paineis para a imprensa, além de ser meu parceiro neste blog.

Esclarecimento e harmonia

Sei muito bem como funciona cabeça do torcedor e prevejo, ainda, acalorados debates sobre o assunto. Por isso, não considero concluído o trabalho de esclarecimento sobre estas duas competições pioneiras que decidiam os primeiros campeões brasileiros.

E nesse trabalho de esclarecimento, continuo contanto com a participação dos leitores deste blog, que se informaram suficientemente e têm defendido os argumentos da unificação com muita propriedade.

Sei que a imprensa vai bater na tecla do ranking, como se fosse a questão mais importante. Mas não é e peço aos santistas que evitem entrar nessa discussão. Os clubes campeões de 1959 a 70 não “ganharam” nenhum presente com esta unificação. Apenas tiveram reconhecidos títulos que já haviam conquistado em campo.

O Santos não “pulou” de dois para oito títulos brasileiros. Desde 2004 ele é oito vezes campeão brasileiro. Faltava esta chancela da CBF, que felizmente veio agora. Os maiores “vencedores” não são Santos e Palmeiras, mas sim o respeito e a credibilidade do futebol brasileiro.

Será lindo e emocionante ver os campeões de 1959 a 70 reunidos na grande festa da CBF, um momento de maturidade do nosso futebol, um ritual de passagem que colocará o futebol brasileiro em outro patamar.

Muitos talvez ainda não tenham entendido o significado dessa unificação: ela não vem para acirrar rivalidades, mas sim para, ao promover o respeito pelas conquistas dos clubes, estimular a harmonia entre os apaixonados pelo futebol.

Hoje à tarde estarei fora

Desculpem-me por não ter respondido todos os comentários deste blog. Aliás, acho que respondi a poucos. Ontem à noite participei do jantar da Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo e hoje tenho dado entrevistas sobre a unificação e resolvendo assuntos particulares. Logo mais minha mulher fará uma artroscopia no joelho e passarei a tarde com ela.

Agradeço às palavras de carinho e as retribuo. Pois vocês lutaram junto por esta unificação que, enfim, foi conquistada. Fizemos isso não só pelo Santos, repito, mas pela honra de um passado que não poderia ser esquecido e pela credibilidade do nosso futebol.