Acabei de ouvir a entrevista que Mustafá Contursi, ex-presidente do Palmeiras, deu a Freedy Junior, um bom repórter da Jovem Pan, e estou quase chegando à conclusão que time de futebol não precisa ter clube e, talvez, nem estádio. Ao menos não nos moldes que o Palmeiras tem.

Contursi, que dirigiu o clube entre 1993 e 2005 e é candidato de oposição às eleições para presidente do palmeiras, em janeiro, acusa a administração de Luiz Gonzaga Belluzzo e a construtora WTorre de demolir o clube para impedir a contestação do acordo. Segundo o ex-presidente, em quase seis meses nada foi construído e houve apenas demolições, de ginásios, de parte do estádio e quadras.

“Deixamos no caixa do Palmeiras R$ 40 milhões e atualmente a dívida chegou a R$ 145 milhões. Isso é um caos”, disse Contursi em outra entrevista recente, à Rádio Globo. Segundo o dirigente, a contratação de Valdívia ficou em R$ 23 milhões e esse valor, ainda a ser pago, comprometerá a verba recebida pela Fiat até 2012.

Como se nadasse em dinheiro, o Palmeiras está gastando R$ 700 mil em reformas no Nacional Atlético Clube para instalar lá o seu departamento de patinação. O clube também já pegou, adiantadas, as verbas de cinco anos de campeonatos paulistas, lembra o ex-presidente. Só em outubro o prejuízo do Palmeiras foi de R$ 5 milhões e o prejuízo acumulado nos últimos dois anos é de R$ 100 milhões.

Para complicar ainda mais, o Palmeiras teve a sua pior media de público na era dos Campeonatos Brasileiros de pontos corridos. Segundo as estatísticas da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), o Palmeiras teve a média de 10.971 pessoas a cada jogo.

Mas o que mais incomoda mesmo Mustafá Contursi é a construção da Arena Palestra Itália, que ele considera lesiva ao patrimônio do clube. Segundo ele, o Palmeiras receberá apenas R$ 500 mil por mês em troca de um patrimônio de mais de R$ 400 milhões.

Para que piscina e lanchonete?

O Palmeiras é um exemplo a não ser seguido pelo Santos. Ele é a prova de que ter um clube com um quatro associativo numeroso e ao mesmo tempo tentar construir um estádio moderno e caro, não combina com manter uma equipe competitiva.

Se a situação já está ruim agora, tudo indica que irá piorar, pois nos próximos anos o time não terá como contratar grandes jogadores e ainda se verá envolvido em dúvidas e sem lugar para jogar.

Por essas e outras é que nunca reclamei pelo fato de o santos não ter um clube formal, com piscina, lanchonete, quadras de bocha etc. Na verdade, nem acho estádio essencial, a não ser que seja totalmente pago por investidores.

O negócio é investir no futebol, ter times fortes, com ídolos que ganhem títulos e atraiam torcedores, uma categoria de base bem estruturada, e se destacar também em outras modalidades futebolísticas, como o futsal e o futebol feminino.

O que você acha? Que lições o Santos pode tirar do caos palmeirense?