O clube assumiu o tricampeonato e lançou camisa comemorativa. Precedente está aberto…

Grande parte dos males deste país se deve à ignorância do povo. Ignorância que gera submissão e que costuma colocar as determinações dos “doutores” acima dos direitos da população.

Quantos imóveis não foram roubados, quando dinheiro não foi desviado, enfim, quantos golpes já não foram executados contra as pessoas humildes usando apenas uma folha de papel batida à máquina com um selo qualquer?

O povo aceita o papel impresso como lei. Uma simples intimação judicial, sem nenhum julgamento de mérito, já deixa o homem comum apavorado.

O medo de ser punido sem saber porquê é fator importante que faz o povo respeitar as autoridades, mas o que mais o inibe é sua falta de conhecimento das leis e das normas que devem reger uma sociedade justa.

Sem entender o que se passa à sua volta e qual o seu papel como cidadão, ele se torna passivo e pode ser facilmente manipulado por quem detém o poder.

O único antídoto contra essa prostração intelectual é o conhecimento em forma de educação que vem de casa, da escola, ou mesmo da imprensa. Sim, a imprensa tem papel relevante na tarefa de jogar luz sobre muitos buracos negros do entendimento coletivo.

Falei tudo isso para lembrar que os títulos brasileiros desde a primeira Taça Brasil, em 1959, nem precisariam ser homologados pela CBF caso este país tivesse uma imprensa esportiva comprometida, em primeiro lugar, com a verdade, e só depois com interesses pessoais.

Usar a imprensa para confundir é uma forma de opressão

Manter um povo na ignorância é a pior forma de opressão, pois impede que ele possa decidir sobre o seu destino. E jornalistas esportivos que usam o seu prestígio e seus seguidores para negar que o Brasil tem campeões brasileiros desde 1959, estão fazendo exatamente isso.

Acredito que, por falta de conhecimento, por dificuldade de ver o caso com isenção, por anacronismo ou qualquer outro defeito, sei que há jornalistas que acreditam estar fazendo o certo ao se declararem contra a unificação dos títulos brasileiros desde 1959.

Mas sei também que muitos, alguns mais velhos do que eu, que acompanham o futebol desde o surgimento da Taça Brasil, e que no íntimo não têm qualquer dúvida de que ela foi a primeira competição oficial que elegeu um campeão brasileiro, fingem desconhecer a verdade e plantam informações falsas para confundir as pessoas e com isso evitar a homologação.

Por que fariam isso? Ora, por um motivo tão prosaico que dá vergonha de citar, mas por que, em sua maioria, são torcedores de equipes que nada ganharam nos anos de ouro do futebol brasileiro e agora vislumbram na negligência da CBF e na ignorância do torcedor a oportunidade de contribuir para a cristalização de uma injustiça odiosa.

O curioso é que as mesmas pessoas que criticam a desorganização e a politicagem da CBF, mostram-se a favor da entidade nesse “esquecimento” de um período incomparável do nosso futebol, em que o país tinha os melhores times e os melhores jogadores do planeta.

As mesmas pessoas que menosprezam os integrantes de torcidas organizadas, servem-se do fanatismo e do baixo nível intelectual da maioria dessas pessoas para espalhar mentiras sobre as duas primeiras competições nacionais de clubes chanceladas pela CBD.

Enfim, são jornalistas que não estão cumprindo sua missão de esclarecer sobre os fatos. Estão apenas tentando confundir mais e mais, com o objetivo de que a unificação não se conclua. Pois eu lhes digo: vocês estão perdendo a oportunidade de se mostrarem profissionais éticos. Eu sei quem vocês são e não esquecerei dessa postura oportunista e hipócrita que estão tendo.

Mas ainda há tempo de se mostrarem dignos da profissão. Estudem, revejam a história do futebol brasileiro, procurem ler aspectos do Dossiê entregue à CBF e tentem analisar a questão de uma forma isenta e, repito, profissional. Não chutem, por favor.

O belo exemplo da torcida do Fluminense

Não sou um profundo conhecedor do Direito. Tento manter, apenas, um razoável senso de justiça. Baseado nele, pergunto: Se um evento idealizado para definir o campeão brasileiro de futebol foi efetivamente realizado, cumpriu seu objetivo, foi e é oficial, está nos anais, foi consagrado pela imprensa e pelo público da época – leia-se toda a população brasileira que acompanhava o futebol –, que argumento jurídico a CBF teria para desoficializar o que é oficial?

Se fosse eu um advogado, ao conhecer todos os autos do processo, como eu fiz, eu diria que não há a mínima possibilidade de que a Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa deixem de ser oficiais e deixem de dar aos seus vencedores o título de campeão brasileiro. Ponto.

Por isso, fiquei feliz com a manifestação de alegria e coragem da torcida do Fluminense, ontem, no Engenhão, que não deu bola para a morosa burocracia da CBF ou para a má vontade de parte da imrpensa e já passou a tratar o seu time como legítimo tricampeão brasileiro.

Será que isso só aconteceu por que a torcida do tricolor carioca é mais esclarecida do que as outras? Talvez, mas acredito que este fenômeno se repetirá sempre que um time campeão de 1959 a 1970 voltar a conquistar um título brasileiro. É uma verdade que não dá mais para segurar.

Um papel batido à maquina, selado e carimbado da CBF, não pode anular nem um minuto de uma partida de futebol entre os melhores times brasileiros de 1959 a 1970. Ou seja, a verdade não depende da autorização de ninguém, muito menos de uma entidade que nunca se preocupou em preservar a história do futebol brasileiro. Salve os campeões brasileiros de 1959 a 1970!

Jornal dos Sports saúda o tricampeão brasileiro

Veja a torcida do Flu preparando-se para comemorar o tricampeonato:

O que você achou da torcida do Fluminense considerar o time tricampeão brasileiro? Você acha que as torcidas dos outros times campeões de 1959 a 1970 devem seguir o exemplo?