Rogério Ceni tem fama de mau perdedor. E essa fama não vem só do futebol, mas também do tênis, esporte que o goleiro tenta praticar. Um amigo, ex-diretor da Unisys, contou-me que depois de vencer Ceni por 6 a 0, o goleiro espatifou a própria raquete na quadra e saiu pisando duro, sem cumprimenta-lo. Agir assim no tênis, esporte no qual se deve manter o fair play, é o cúmulo da grosseria e faz com que se perca o parceiro para sempre.

Se o Santos não fosse obrigado, pelas contingências profissionais, a jogar novamente com o São Paulo, provavelmente não o faria depois da deselegância de Ceni, que, irritado com a derrota para o mistão do Santos e com os gritos de “olé” vindos da torcida santista, disse que o resultado foi injusto, que o São Paulo deu “um chocolate” no segundo tempo e que o Santos só jogou cinco minutos.

Não, não, não… Não foi nada disso. A dificuldade de aceitar a derrota fez o veterano goleiro tricolor perder o espírito esportivo. E ele tem até os seus motivos para ficar irritado sempre que sai de campo derrotado para o Alvinegro Praiano: segundo o site http://www.pelejas.com, em 50 jogos que fez contra o Santos, Ceni perdeu 20, ganhou 17 e empatou 13. E sofreu nada menos do que 76 gols (de letra, entre as pernas, no contra-pé, de cabeça, de paradinha, de falta…).

Ou seja: Rogério Ceni atingiu mais uma marca história ontem. Com 20 derrotas, ele se tornou o maior perdedor do Santos em atividade. Espero que ele veja pela lado positivo: conseguiu entrar na história mais rica de um time de futebol e poderá usar o número 20, duas vezes o 10.

Bem, mas como deve ser mesmo difícil pensar em algo inteligente e elegante nesses momentos de desconforto provocados por mais um revés diante de um rival de quem se perde sempre, aqui vão algumas sugestões de frases que Rogério Ceni poderia ter usado para justificar o insucesso de ontem, sem prejudicar a sua imagem:

Perdemos por que eles têm Elano, um cara que ajuda na marcação, arma jogadas, faz gol de cabeça e chuta forte e colocado. A gente não tem ninguém que chegue aos pés dele. O cara é demais!

Perdemos por que deixaram o Elano livre. Tudo bem que ele chutou de 30 metros, mas é mais fácil pegar um pênalti do que um chute do Elano de 30 metros. Viram onde a bola ia entrar? Lá no cantinho…

Perdemos para um time misto, mas não um time misto qualquer. Um mistão do Santos, o único pentacampeão brasileiro legítimo, o primeiro bicampeão mundial, um time que tem mais currículo e tradição do que o nosso.

O maior ídolo deles é Pelé. O nosso, Raí. Por aí se vê a diferença da história de cada um.

Perdemos para um time em que os craques parecem brotar do chão. Eles já estão com quatro na Seleção sub-20 e ainda entra esse tal de Felipe Anderson que entorta o Rodrigo Souto e deixa o Maikon Leite na cara do gol.

Se perdemos para o Santos em cinco dos últimos seis jogos que fizemos com eles, qual é a novidade de perder mais uma?

Eles estão na Libertadores, e nós na Copa do Brasil. Ou seja, jogamos contra um time mais gabaritado do que o nosso.

Com este resultado me tornei o jogador em atividade que mais vezes perdeu para o Santos: 20 jogos. É uma honra e mais um recorde. Acho até que vou mudar o número da minha camisa, de 01, para 20.

Acho sacanagem a torcida gritar olé, gritar gol, xingar o juiz. Acho que a torcida só deveria cantar o hino nacional e aplaudir ao final do espetáculo.

O Rivaldo deveria ter jogado hoje, mas tinha consulta com o geriatra.

Desculpe, mas não posso falar mais nada. Quero ver se ainda consigo a camisa do Elano… Elano! Elano! Elaninho! Ô meu querido!…

Reveja o gol de Geilson, que deixou Rogério Ceni sem palavras:

E você, tem mais uma desculpa para sugerir ao Rogério Ceni?