O craque é aquele que justifica a fama de vez em quando. O supercraque é aquele que todos esperam que arrebente com o jogo, e arrebenta mesmo. Neymar provou ontem, no Peru, na estréia do Brasil no Campeonato Sul-americano sub-20, que é um supercraque. Perto dele, todos os outros parecem limitados.

O jogo começou difícil. O Paraguai corria muito e até pressionava. Mas veio o contra-ataque, o pênalti, e Neymar fez o primeiro. Nada de extraordinário, a não ser a tranqüilidade para esperar o goleiro escolher o canto e bater quase no meio do gol. Depois, ainda no primeiro tempo, deixou um zagueiro sentado e, no meio de três, achou um canto para colocar a bola: 2 a 0.

Na segunda etapa, um gol de raça, penetrando, chutando, a bola ricocheteando no goleiro e sobrando para ele empurrar de cabeça. Nisso, o Brasil tinha um jogador a menos e passava um certo sufoco. Esse 3 a 1 foi providencial.

Minutos depois, a obra-prima. Recebe na frente, chega rápido diante do goleiro e, de esquerda, dá um toque sutil, quase displicente, tão perfeito que o locutor do Sportv gritou gol antes de a bola entrar.

Mesmo com dois jogadores expulsos, o Brasil nunca correu o risco de não vencer, pois tinha Neymar. Aos paraguaios restou a raiva por tomar tantos dribles e tantos gols do garoto, apesar das ordens expressas do técnico para que o marcassem em cima. Então, como era de se esperar, chutaram Neymar sob o olhar sonso do árbitro argentino.

No final, vitória de 4 a 2, liderança do Grupo B e artilharia para Neymar. Para os peruanos, a confirmação de que estão diante de um supercraque, que eles já chamam de “o novo Pelé”. Para nós, santistas, o deslumbramento por constatar que a história deste time é mesmo maravilhosamente cíclica.

A Seleção Brasileira e Neymar voltam a campo na quinta-feira, às 21h10 (0h10 de Brasília), para enfrentar a Colômbia.

Dos outros santistas titulares, o lateral-esquerdo Alex Sandro até que se saiu bem, apoiando quando possível e brigando pela bola no seu lado. Mas o lateral-direito Danilo jogou como tem jogado no Santos: tímido no ataque e inseguro na defesa. Tanto, que acabou substituído por Galhardo, do Flamengo, que pelo jeito ganhou a posição.

Você viu o jogo? O que achou da Seleção, dos santistas e de Neymar?