Um tem a juventude, a energia física, a vontade de vencer rápido; o outro tem a fama, um nome a zelar.

Hoje os grandes clubes brasileiros vivem entre o oito e o oitenta. Ou apostam nas divisões de base e aguardam o surgimento de um craque que lhes dará prestígio, melhor rendimento técnico e, possivelmente, milhões de dólares; ou vão atrás do ídolo consagrado, que trará visibilidade e, pela fama e prestígio, poderá atrair patrocinadores suficientes para pagar o investimento. Tiago Alves e Ronaldinho Gaúcho representam esses extremos.

Tiago Alves Sales, o garoto que veio de São João do Araguaia, no Pará, mesmo estado dos ídolos Giovanni e Paulo Henrique Ganso, daqui a uma semana completará 18 anos. Sempre que entra no time faz muitas coisas boas. Rápido e com ótima finalização, o meia só precisa passar um pouco mais a bola, defeito que está sendo corrigido aos poucos pelo técnico Narciso.

Confirmado como titular, ao lado do centroavante goianiense Dimba, Tiago é a maior atração do jogo de hoje, às 21 horas, em São Carlos, na estréia do Santos na Copa São Paulo de Futebol Junior.

Em qualquer outro clube a partida de hoje, contra o Confiança, de Sergipe, não teria tanta importância. Mas na fábrica de craques que é o Alvinegro Praiano, todo jogo dos times da base pode revelar um craque cuja fama correrá o mundo. Quem puder, que vá a São Carlos e aplauda a estrela que nasce.

Ronaldinho, a aposta certa. Para o Grêmio

Quando a Ronaldinho Gaúcho, que está a 75 dias de completar 31 anos, sua volta ao futebol brasileiro é mais uma grande ação de marketing do que um investimento técnico. Mesmo que tivesse outros ótimos meias, o Grêmio, clube que revelou o jogador, se sentiria na obrigação de voltar a ser a sua casa no Brasil. O que é justo e costuma dar bons resultados.

Como uma andorinha só não faz verão, é improvável que Ronaldinho, sem outros parceiros de nível parecido, transforme o Grêmio em uma grande potência. Desde 2008 no Milan, o jogador só marcou 20 gols em 76 jogos pelo time italiano, o que dá uma média aproximada de um gol a cada quatro partidas. É muito pouco pelo que vale.

No entanto, creio que ele dará ao Grêmio um status e uma personalidade que tornarão o clube um dos reais candidatos ao título almejado da Libertadores – que, pressinto, será uma das mais disputadas da história (não se pode esquecer que, mesmo sem Ronaldinho, o tricolor do Sul foi a melhor equipe do segundo turno do Campeonato Brasileiro).

Caminhos que levam ao mesmo fim

De qualquer forma, confiar na revelação de jovens telentos, ou jogar todas as fichas nos astros consagrados, são estratégias que buscam o mesmo fim: montar times poderosos, vencedores, que conquistem espaços preciosos na mídia e atraiam patrocinadores e simpatizantes.

O Grêmio não tinha muita opção, a não ser abrir as portas – e o cofre – para a volta do ídolo pródigo. O Santos já pode esperar que os craques brotem da Vila Belmiro – o que, a média e longo prazos, se torna uma opção mais eficaz, prática e rentável.

Vejamos o que o destino reservará a Tiago Alves e Ronaldinho Gaúcho. Hoje eles ocupam dimensões incomparáveis no universo do futebol. Mas, quem acompanha este esporte sabe, nele as inversões acontecem com a mesma rapidez e imprevisibilidade das pedaladas, dos dribles desconcertantes, das arrancadas em busca do gol – como deveremos ver hoje, em São Carlos.

Para você qual é a melhor estratégia: Investir na revelação de craques na base, ou contratar jogadores consagrados?