No meio da semana o técnico Adilson Batista ameaçou ir para o caminho certo e escalar um meio-campo com Arouca, Elano, Alan Patrick e Felipe Anderson. Ver os meias Alan e Felipe juntos é o que a maioria dos santistas quer, e têm todo o direito de querer. Se não der certo, paciência. Mas é a formação que mais combina com o espírito do Santos.

Hoje, as notícias dão conta de que o técnico refugou e anuncia que, se colocar quatro jogadores no meio, dois serão os volantes Adriano e Arouca. Isso é péssimo e só demonstra que o nosso professor está borrando los pantalones.

Um jogo na Vila contra o São Bernardo é para ganhar com um jogador a menos. Portanto, é uma partida que permite ousadias. A desculpa do técnico para uma escalação mais medrosa é a de que já está treinando o time para “o espírito da Libertadores”. Ora, isso quer dizer que, mesmo em casa, o Santos jogará contra o Cerro Porteño com um meio-campo essencialmente marcador?

Para o jogo de amanhã, às 18h30m, o técnico tem dúvidas entre duas formações: a primeira com os quatro já citados no meio-campo, e outra com três atacantes: Maikon Leite, Zé Eduardo e Neymar.

Se optar por três atacantes e tirar Adriano, ótimo, baterei palmas. Mas se preferir não escalar Felipe Anderson, torcerei o nariz. Não que não dê para ganhar a partida até com quatro volantes. Hoje dá. Mas nunca será o melhor time que este elenco pode produzir.

Depois não diga que não foi avisado

Creio que já está bem claro para Adilson Batista como o santista gosta de ver o time jogar e quais jogadores ele prefere. Remar contra a maré e escalar uma equipe precavida demais, só demonstra a insegurança do treinador e deixa os torcedores com a barba de molho.

Amanhã a vitória deverá vir de qualquer jeito. Mas se a partida serve de base para se escolher o time que jogará contra o perigoso Cerro Porteño, por que – já que cometeu o erro de não inscrever Felipe Anderson na Libertadores – não dar uma oportunidade a Alan Patrick?

Enfim, não sei se o técnico percebeu, mas os próximos jogos são decisivos para sua permanência na Vila. Há uma insatisfação crescente pelo seu trabalho – mais do que isso, por sua filosofia incompreensível e medrosa de ver o futebol.

Não que o santista não goste de vitórias de 1 a 0. Mas ele gosta mais de ver o time indo pra cima, até assumir riscos, mas criar inúmeras oportunidades de gol por partida. Não é à toa que o grito de guerra da torcida começa com “Vai pra cima deles, Santos! Vai com determinação!”

E é essa determinação, essa coragem, que está faltando ao técnico Adilson Batista. O São Bernardo é um adversário que caiu do céu para lavar a alma do torcedor. Qualquer um percebe que é o dia de jogar o Santos pra cima do visitante e conseguir uma vitória empolgante.

Mas se o Santos entrar com Adriano, perderá uma das vantagens de jogar em casa contra um adversário bem menos gabaritado. Espero que até o momento do jogo, o professor reflita melhor e faça o certo.

E você, acha que Adilson Batista está correto e cautela em caldo de galinha é pouco? Ou amanhã é dia de ir pra cima e lavar a alma?