Como sempre digo, a voz do torcedor é a voz do futebol. E ele se invocou com o técnico Adilson Batista quando este gritou para Felipe Anderson jogar “simples” contra o Santo André. Pois a partir desse grito, o garoto, que estava criando boas jogadas, se inibiu e deixou de tentar superar o “simples”.

Tudo bem que às vezes o melhor é fazer o feijão com arroz, ou seja, dar a bola para quem está livre, tocar de lado quando não é possível avançar, girar a bola até que surja o momento certo para tentar alguma penetração na defesa adversária.

Só que se todos os jogadores ficarem o tempo todo tocando de lado e esperando, esperando, nada de novo acontecerá. O drible, o passe enfiado, a ousadia, é que costuma quebrar a marcação, principalmente em um jogo amarrado.

Nem todos os jogadores têm o dom para fazer isso, claro, mas alguns têm e a estes é preciso dar a liberdade para tentar. O Santos só é o Santos porque sempre teve jogadores talentosos e… atrevidos.

Se Pelé, Pagão, Pepe, Coutinho, Edu, Robinho, Diego, Ganso, Neymar, Elano, fizessem só o “simples”, o Santos não teria conquistado o que conquistou e não seria o que é.

O craque tem de ter liberdade para criar e Felipe Anderson, eu acredito, um dia se cristalizará como mais um craque saído da base santista.

Na verdade, assim como disse que Neymar era craque na primeira vez que o vi jogar por alguns minutos, digo que Felipe Anderson será um. Pelo domínio de bola, pelo porte elegante, pelo passe, pelo drible fácil. O rapaz só tem 17 anos, isso explica algumas indecisões. Mas já está começando a mostrar o que pode.

É importante que jogue para o time? Sim. É aconselhável que siga as determinações táticas? Sim. Mas também é essencial que use sua habilidade e visão para criar situações que os outros não enxergam, nem mesmo o técnico.

O craque, Adilson, é aquele que vai transformar derrotas certas em vitórias, é o que vai corrigir besteiras táticas, o que manterá seu emprego, Adilson, mais tempo. Nunca desestimule um jogador criativo. Ao menos no Santos.

Sei que é mais fácil gritar com um garoto do que com um veterano. Garotos, ainda mais educados como Felipe Anderson, respeitam mais o técnico. Mas não use sua autoridade para se impor diante dos mais jovens, ao mesmo tempo em que privilegia os veteranos. No Santos isso não acaba bem.

O que você achou do pedido de Adilson Batista para que Felipe Anderson jogasse “simples”?