Eu sei que clássico é clássico, que o mando de jogo é do adversário e que o Corinthians, mesmo subitamente desfalcado de alguns titulares absolutos, ainda é um time perigoso. Mas o jogo, a não ser pela rivalidade, vale pouco, o Santos tem melhor elenco e uma ancestral vocação ofensiva. Por que escalar o time com três volantes?

Pelo jeito, só o técnico Adilson Batista gostou do Alvinegro Praiano contra o Táchira, pois está inclinado a escalar a mesma equipe que decepcionou em sua estréia na Copa Libertadores, com os volantes Arouca, Rodrigo Possebon e Pará, ou Danilo (a única mudança anunciada é a volta do lateral-direito Jonathan).

O único que atuará como meia é Elano, que, na verdade, nunca foi um meia-meia, mas sim um auxiliar de meia. No Santos de 2002 quem armava era Diego, ou até mesmo Renato, e em 2004 a função era de Ricardinho. E ainda havia Preto Casagrande.

Portanto, com esse meio-campo, esqueça ousadia, esqueça passes medidos e enfiados, lançamentos, jogadas de ataque tramadas desde o meio-campo. Mas Elano não pode fazer isso? Sim, mas é tão óbvio que ele é o único criativo no meio, que certamente será marcado em cima e a função sobrará para Arouca, Possebon e Pará (ou Danilo). Ou seja, não esperemos muito.

No ataque, Adilson tem anunciado que colocará, de novo, Neymar e Diogo, que jogaram pela única vez na Venezuela e passaram em branco. Não se pode culpar os isolados atacantes se repetirem a atuação limitada do meio da semana. Distanciados, sem possibilidades de tabelar e sem um meia que lhes municie, ficarão como baratas tontas correndo lá na frente.

O que fazer com Maikon Leite, Róbson e Zé Eduardo?

Será apenas coincidência que os três jogadores que sairão do clube, que já têm contratos com outras agremiações, fiquem no banco de reservas, como já aconteceu na Venezuela? Fico aqui pensando com meus botões e não vejo como ao menos um deles não esteja no time.

Um ataque com Neymar, Diogo e Zé Eduardo daria mais liga, preocuparia a já desfalcada defesa corintiana. Com Wallace e Leandro Castán, sem o experiente Chicão, o miolo de zaga do adversário é um convite ao prazer. Só não vê quem não quer. Ou tem medo.

Não quer Zé Eduardo? Que escale Maikon Leite. O rapaz é rápido, driblador, inferniza qualquer defesa. Não deveria ter feito pré-contrato com o Palmeiras? Isso é outra história. Se ainda tem contrato com o Santos, que jogue. Se não interessa mais, que seja dispensado. O que não pode é ficar nesse chove não molha que só prejudica o time.

Mesmo Róbson, que também já tem pré-contrato para voltar ao Avaí, é melhor do que Pará ou Danilo pelo meio. Sem contar que, além destes, ainda há os garotos Alan Patrick e Felipe Anderson, que também formariam um meio-campo mais contundente, pois podem ajudar na marcação e concluir a gol.

A criatividade de Alan Patrick e/ou Felipe Anderson

Alan Patrick ganhou a posição de titular em meados do segundo semestre do ano passado, desbancando o tarimbado Marquinhos. Fez gols em clássicos contra Palmeiras e São Paulo. Felipe Anderson é outra jóia prestes a explodir. Na última partida que fez, meteu um golaço de fora da área.

Pegue a história do Santos, reveja este grande clássico alvinegro ao longo dos tempos e perceba que, mais do que esquemas táticos, muito mais do que a prancheta do professor, hoje é dia de seguir o instinto e colocar em campo um time com mais opções ofensivas, que não se contente com o empate, muito menos de 0 a 0, e que corra atrás de gols e mais gols.

A goleada é o que dá a maior satisfação ao santista; em segundo vem a vitória e em terceiro é ver o time jogando pra cima, impondo seu jogo, acuando o adversário. Mesmo quando perde, mas jogando na busca incansável do gol, o Santos agrada aos seus torcedores.

Porém, contentar-se com pouco não é para o santista. Sair do Pacaembu com um empatezinho, só porque o jogo é no campo do adversário, é pensar pequeno. Ao menos nestas circunstâncias, em que o alvinegro da capital está bem desfalcado e o jogo pouco vale para a classificação.

É a hora de correr riscos, de ir pra cima, de jogar como o Santos gosta. Tudo o que o time não precisa neste momento é de um técnico-freio de mão, que respeite demais o adversário e não confie nas possibilidades de seu grupo. Enfim, é como grita a torcida: “Vai pra cima deles, Santos!”

Times prováveis

Corinthians: Julio Cesar; Alessandro, Wallace, Leandro Castán e Marcelo Oliveira; Ralf, Paulinho, Morais (Danilo) e Cachito Ramírez; Jorge Henrique e Liedson. Técnico: Tite.

Santos: Rafael; Jonathan, Edu Dracena, Durval e Léo; Arouca, Rodrigo Possebon, Pará (Danilo) e Elano; Neymar e Diogo (Zé Eduardo). Técnico: Adilson Batista.

Hora e local: Pacaembu, 16 horas.
Arbitragem: Raphael Claus, auxiliado por Luis Alexandre Nilsen e Márcio Jacob.

Reveja a última vitória do Santos sobre o Corinthians no Pacaembu, há quatro anos e quatro meses. E que vitória! Por isso que eu digo: Santista quer é ver gol!

Bem, esta é apenas minha opinião. Você concorda? Ou acha que é melhor jogar com mais cautela (e com três volantes)? Dê sua opinião.