Os clubes estão como recheio de sanduíche na briga entre as TVs Globo e Record pelos direitos de transmissão dos Campeonatos Brasileiros de 2012 a 1014. A maior disputa é pela tevê aberta, cujo lance mínimo deverá ser de R$ 500 milhões (hoje são pagos R$ 280 milhões).

Ainda estão em jogo os direitos da tevê fechada, pay-per-view, celular, internet e transmissão internacional. O edital de concorrência está para sair, mas fontes seguras dão conta de que a Globo está tentando negociar diretamente com os clubes.

O momento é delicado e exige estudos e muita atenção. Fechar em separado com a Globo, como quer o Corinthians, pode trazer prejuízos futuros caso a empresa vencedora seja a Record. Por outro lado, a Globo pode dar uma visibilidade que a emissora do bispo ficará devendo.

É hora do time de empresários entrar em ação

Esta diretoria santista, como se sabe, está sendo apoiada por um grupo de empresários experientes em negociações financeiras. Chegou a hora de usarem este seu conhecimento em benefício do clube.

Os fatos e argumentos para que o Santos passe a receber bem mais da tevê são muitos e irrefutáveis. Neste mesmo período, times que ainda figuram no grupo de elite não conseguiram nem a metade do espaço dos santistas na mídia. Ou seja, a estrutura anterior não condiz mais com a nova relação de forças do futebol brasileiro, ou com o interesse que os clubes despertam no público.

E esta visibilidade tente a aumentar este ano, já que o Santos tem estrelas como Neymar e Paulo Henrique Ganso, além de Elano; é o único representante do Estado mais rico da Federação na Copa Libertadores da América e será uma atração sempre que entrar em campo.

Se fosse só uma questão científica, estou certo de que não haveria dúvidas de que o Santos passaria a ser recompensado regiamente pela tevê. Mas, sabemos que a política do futebol tem movimentos indecifráveis, que nem sempre premiam quem faz por merecer.

Por isso, espero que o Santos se prepare adequadamente para estas discussões e use os profissionais que têm de melhor para chegar a este acordo que pode ditar a vida do clube nos próximos três anos.

Ter mais ou menos torcedores não deve ser o motivo único e primário de uma divisão de cotas. Estamos falando de espetáculo, de investimento, de futebol bonito, de craques. Quais os clubes que nos últimos anos mais investiram para que o telespectador tivesse um bom espetáculo? Esta é a questão.

Em 2004, uma campanha que deu certo

Em 2004, após conversa com um repórter da TV Globo, fiquei sabendo que o Santos de Robinho, Diego & Cia, campeão brasileiro de 2002 e vice da Libertadores de 2003, passava a ter a segunda audiência de futebol do Brasil. Isso gerou uma campanha do site Santista Roxo, dirigido pelo jornalista Arnaldo Hase, intitulada “Ao Santos o que é do Santos”.

Na mesma época, o presidente Marcelo Teixeira brigou junto ao Clube dos Treze para que o Alvinegro Praiano tivesse sua cota de tevê aumentada. Afinal, por que ganharia menos do que Vasco, Palmeiras, São Paulo e Flamengo, se àquela altura seus jogos davam mais ibope do que os desses rivais? Só as partidas do Corinthians, em média, tinha uma audiência um pouco maior.

Infelizmente naquela oportunidade não se conseguiu igualar a cota do Santos, mas o esforço não foi em vão. O valor destinado ao clube foi aumentado e o Santos passou a ocupar uma posição intermediária, entre o chamado grupo de elite e os demais.

De lá para cá, o Santos conquistou mais um título Brasileiro, três Paulistas, uma Copa do Brasil, obteve dois vice-campeonatos Brasileiros e mais um Paulista, participou de cinco Copas Libertadores – chegando no mínimo às quartas-de-final de todas elas –, revelou astros como Neymar, Ganso, André, repatriou Robinho, Zé Roberto, Léo, Elano, bateu recordes, encantou platéias e foi considerado o melhor do País várias vezes. Aliás, para muitos críticos, é o melhor do país novamente este ano.

Isso tudo sem contar que o Santos foi o primeiro clube a resistir às investidas dos grandes clubes europeus e manter Robinho no futebol brasileiro por mais três anos; exemplo que repete agora com Neymar e Paulo Henrique Ganso.

Desta forma, esse prestígio só foi conquistado porque o Santos investiu pesado no time, montou ótimas equipes, chamou a atenção, enfim fez a sua parte como atração de mídia. Com tudo isso, obviamente, sua popularidade cresceu. No ano passado ficou em segundo lugar entre os clubes de mais visibilidade no País.

Na Timemania, em que milhões de pessoas apontam “o seu time do coração”, o Santos ocupa o terceiro lugar, acima de três clubes que, pela divisão antiga, ainda figuram entre os cinco que mais recebem direitos de tevê.

Portanto, é mais do que hora de se rever isso. É claro que se depender só de política, os mesmos clubes de sempre quererão ficar com a parte do leão. Mas, como o futebol brasileiro dá sinais de que está começando a entrar em uma era mais profissional e científica, vale a pena esperar que, finalmente, o Santos passe a receber o valor justo por tudo que tem feito para valorizar o horário nobre da tevê.

Você acha que o Santos deve continuar recebendo menos da tevê do que Vasco, Palmeiras, São Paulo, Flamengo e Corinthians? Ou está na hora de rever isso?