Não tenho nada contra o Vasco, que convidou o Santos para a inauguração de São Januário, em 1927 (e tomou uma chapoletada de 5 a 3), que sofreu o milésimo do Rei Pelé, que viu o Santos comemorar dois títulos brasileiros (o da Taça Brasil de 1965, no Maracanã, e o do Brasileiro de 2004, em São José do Rio Preto). Enfim, acho o Vasco até simpático. Agora, ganhar mais do que o Santos em cotas de tevê é brincadeira. Além do vascaíno, quem vê o Vasco?

Já foi uma grande torcida? Sim, claro. Mas hoje é uma atração de tevê maior do que o Santos? Não mesmo. Só mesmo um vascaíno doente deixará de ver um jogo dos Meninos da Vila para acompanhar um do Vasco. Para não ficar só no momento, analisemos os últimos dez anos.

De 2001 para cá o Vasco só ganhou um título carioca, em 2003. E ainda passou a vergonha de ser rebaixado para a Série B, em 2008. No mesmo período, o Santos conquistou dois brasileiros, três paulistas, uma Copa do Brasil, chegou à final da Libertadores e revelou Robinho, Diego, Elano, Alex, Paulo Henrique Ganso, Neymar.

Sinto muito, mas não dá para comparar a visibilidade de um time e outro na última década. Se acham que a Timemania não é parâmetro – e nela o Vasco está bem atrás do Santos no quesito “time do coração”, leia o que constatou a pesquisa Lance/Ibope em junho de 2010:

“Por outro lado, a torcida do Vasco teve o pior desempenho comparado à pesquisa de 2004. O clube perdeu 2,1 milhões de torcedores (tinha 10 milhões em 2004 e, agora, tem 7,9). O outro clube que teve queda foi o Palmeiras, que caiu de 11,8 para 11,6 milhões (menos 200 mil torcedores).”

Pois é, ia me esquecendo do Palmeiras, que na última década teve um desempenho tão medíocre quanto o do clube carioca: só ganhou um título, o estadual de 2008, e, como o Vasco, também foi rebaixado para a Série B do Brasileiro, em 2002.

É claro que também não dá para comparar a visibilidade, a atratividade de Santos e Palmeiras. Quem deixará de ver Ganso, Neymar e Elano para ver a cara de poucos amigos do Felipão?

Enfim, não sei como os homens encaminharão as negociações, mas espero que o presidente Luís Álvaro Ribeiro leve todos os dados possíveis para comprovar que o Santos – por tudo que tem representado como atração para o futebol brasileiro – não pode permanecer em uma zona intermediária, enquanto times que não têm ganhado títulos e nem praticado um futebol vistoso, continuem privilegiando-se de verbas maiores, como se o tempo tivesse parado há dez anos.

Bem, é apenas minha opinião. Você acha justo o Santos receber uma cota de tevê menor do que Vasco e Palmeiras?