Em outras épocas, perder para um desfalcado Corinthians por 3 a 1, mesmo no Pacaembu, causaria surpresa ao torcedor santista. Mas, desta vez, não. Do jeito que o time foi montado para este ano e, mais do que isso, da forma como está sendo armado pelo técnico Adilson Batista, o resultado foi normal. E justo.

O técnico não pediu nenhuma contratação para a defesa, chegou a declarar que ela era boa. Mas então, por que enche o time de volantes e com isso sacrifica o poder de ataque, que sempre foi a marca do futebol do Santos?

Não se contratou um centroavante, pois havia a possibilidade de se ter um esquema ofensivo sem ele. Ótimo. Na teoria poderia dar certo. Mas para isso o treinador não poderia deixar no banco os que fazem mais gols (Zé Eduardo e Maikon Leite) e escalar Diogo, que faz a média de um gol a cada 10 jogos.

Como se temia, Adilson escalou Elano como o único meia, e Neymar como o único atacante que faz gols. Isso só facilitou a marcação do Corinthians. Fazer um gol já foi muito. O normal seria não marcar nenhum, como já tinha acontecido na Venezuela.

O elenco é limitado e o técnico ainda escolhe mal

Não se pode comparar o time que jogou neste domingo com o que brilhou no ano passado: faltam Robinho, Wesley, André e Paulo Henrique Ganso. Do mesmo nível dos que saíram, só veio Elano, mas o déficit ainda é grande. Keirrison e Diogo ainda não se firmaram. Para completar, Arouca e Pará não estão jogando como estavam.

Parece brincadeira, mas o meia que o técnico escolheu para compor o meio-campo, o Róbson do Avaí, é a pior de suas três opções e o menos querido pela torcida. Deixou os meninos criados na Vila Alan Patrick e Felipe Anderson fora, para escalar um jogador que gira, gira, gira e não produz nada.

A lateral-direita continua um problema insolúvel. Danilo é esforçado, mas não serve para ser titular. Pará também não, e Jonathan já segue o mesmo destino que teve no Cruzeiro, quando passou boa parte do tempo na enfermaria.

Rodrigo Possebon é medíocre, mas ainda é um pouco menos ruim do que Adriano. Nenhum dos dois, porém, pode ser titular do Santos. São jogadores de Série B, de time pequeno. Podem entrar de vez em quando, para quebrar um galho, e olhe lá.

Diogo se tornou titular muito cedo, sem fazer por merecer. Zé Eduardo não é craque, mas faz gols. Gols! Diogo perdeu a embocadura. Não dá para esperar uma eternidade para ver se ele volta a jogar como na Portuguesa, ou (não) jogará como no Flamengo.

Assim como não dá para esperar uma eternidade para ver se o Keirrison jogará como no Curitiba.

Só vale a pena esperar uma eternidade pela volta do Ganso, pois sem ele esse time fica sem cérebro. E que ganhe um belo aumento e que seja recebido com tapete vermelho, pois ele joga mais que o meio-campo do Santos inteirinho.

Se Adilson Batista não mudar, deve ser mudado

Não sei se o técnico do Santos fica sabendo o que acham do seu trabalho e qual sua reação a respeito. Talvez nem dê bola e ache que torcedor “é tudo um bando de babacas”. Na verdade, se tivesse a sabedoria para perceber, mesmo nas críticas mais ácidas, a sinceridade de quem entende, sim, de futebol, e a vontade de lhe apontar um caminho, teria a humildade de moldar o time à feição do que o santista gosta.

Em verdade vos digo que é melhor tomar um gol de contra-ataque, depois de afogar o adversário, do que perder pacificamente, sem dar nenhum susto no rival.

As substituições desesperadas que fez no final para remendar o time que já entrou em campo mal escalado, provaram que Adilson pode ser um técnico que trabalha muito, mas não têm visão e nem talento. De nada adianta terminar os jogos sem voz e com a camisa empapada de suor, se os neurônios estão adormecidos.

Lula, aquele que dirigiu o grande Santos por 13 anos seguidos, tinha o dom de olhar um garoto de 14, 15, 16 anos, e já descobrir nele o potencial de um craque. Assim revelou Coutinho, Pelé, Pagão, Pepe. Pois o Adilson acho que não sabe distinguir entre um craque e um perna de pau mesmo que conviva com eles durante anos.

Pena que tenha sido contratado e que a pré-temporada e a montagem do time tenha sido entregue nas mãos de Adilson Batista. Não sei se dá tempo de trocar de técnico e ainda ter alguma esperança este ano.

Se não mudar sua cabeça, se continuar tentando não perder para não perder o emprego, Adilson Batista levará o Santos a uma campanha decepcionante em 2011. Hoje, pelo futebol que está jogando e pelo time que tem escalado, eu diria que a chance de ganhar a Libertadores não chega a 10% e que mesmo o título paulista será uma surpresa.

Mas a culpa não é só dele. As situações de Zé Eduardo, Maikon Leite e Róbson precisam ser definidas pela diretoria. Ficou estranho entrar em uma competição tão importante como a Libertadores com jogadores que já estão com a cabeça em outro lugar.

Enfim, essa derrota foi o resultado de erros que não começaram ontem, e que estão sendo exaustivamente apontados pelo torcedor. Que algo seja feito enquanto ainda dá tempo de evitar um 2011 terrível.

O vídeo abaixo já estava postado no Youtube antes do jogo de hoje. Não conheço quem fez. Tem algumas palavras duras, chulas mesmo, mas retrata a desconfiança do torcedor santista com o técnico Adilson Batista. Parece que ele adivinhava o que as invenções poderiam causar:

Estou sendo muito pessimista, ou a derrota de hoje mostrou que com Adilson Batista o Santos está indo direto para o precipício em 2011?