Como o técnico Adilson Batista continua na fase de testar jogadores, a boa notícia é que o jovem Felipe Anderson aos poucos está se desinibindo e mostrando um bom futebol. A notícia ruim é que o Santos, mesmo muito desfalcado, tinha tudo para vencer o medíocre Santo André, no Pacaembu, e com o empate deixou escapar a chance de voltar à liderança.

O Santo André deu dois chutes a gol: um entrou e o outro só não entrou também porque Juan Felipe perdeu gol certo. O Santos arrematou inúmeras vezes, mas só marcou um, em chute improvável de Rodrigo Possebon. O time do ABC só se defendeu, mas faltou calma e categoria ao Santos.

Faltou quem tenha afinidade com o gol: habilidade para concluir e para dar o chamado último passe. Nesses dias é que se vê porque jogadores como Paulo Henrique Ganso, Neymar e Elano são especiais. Eles sabem os caminhos, os atalhos e não se apavoram diante da meta adversária.

Sem um bom passador, o futebol de Maikon Leite e de Keirrison se apaga. Róbson, que mais uma vez saiu vaiado, não consegue fazer esse papel. Ele também precisa de alguém que o lance. Enfim, sem um jogador que pense e tenha um bom passe, o Santos vira um amontoado pressionando o adversário, mas sem saber ao certo o que fazer com a bola.

Gostei do estreante Diogo. Movimentou-se bastante, protegeu a bola, mostrou que tem tudo para, em pouco tempo, ser muito útil ao ataque santista. Mesmo entrando só um pouquinho, no final, gostei também do jovem lateral-direito Crystian. Hoje ele viu que não dava para enfeitar e jogou mais simples, prendeu menos a bola do que fazia no time de juniores.

Mas também há as notícias ruins…

Não posso falar nada do goleiro Vladimir. A única bola que foi, entrou.

Bruno Rodrigo me pareceu péssimo. Tem dificuldades para dominar a bola, passar e, principalmente marcar. O drible que tomou de Juan Felipe poderia ter acabado com a invencibilidade do Santos no campeonato. Enfim, horrível.

Outro que teve uma entrada desastrosa foi Moisés. Nas primeiras quatro vezes que pegou a bola, entregou-a ao adversário. Continua assustado. Hoje foi horrível. Se não aproveitar para mostrar a que veio ao Santos enquanto os titulares estão fora, não terá mais oportunidades no time.

Se Adriano é volante, deveria marcar bem, mas é o que toma drible mais facilmente. Perde o tempo de bola e comete faltas o tempo todo. Sofrível.

Sei que tem gente que gosta do Pará. Ele corre pra lá, corre pra cá, não se pode negar sua dedicação ao time. Mas quando a jogada exige um pouquinho de cérebro, de sutileza, Pará chuta o balde.

Em um momento, depois de muito labutar, o Santos conseguiu abrir espaço para um ataque perigoso. A bola sobrou à feição para um centro perigoso. Os atacantes se colocavam na área. Pará estava livre para cruzar. E o que ele fez? Bateu um tiro de meta e mandou a bola para a linha lateral do outro lado. Não dá. E o pior é que na hora agá sempre faz dessas. Sofrível.

Depender de um Pará em uma Libertadores é uma temeridade sem tamanho. Pois além de errático e inseguro, ele faz faltas bobas, leva cartões por nada e poderá deixar o time na mão em jogo importante.

Léo foi o melhor em campo. Seu dinamismo surpreende. Se os garotos tivessem sua vitalidade, o Santos seria invencível. Edu Dracena deu pro gasto, apesar de perder gol feito, de cabeça. Porém, se comparado a Bruno Rodrigo é um Mauro Ramos de Oliveira.

E aí está um grave problema do Santos para a Libertadores: sua defesa é limitada mesmo. De alto nível técnico só há o Léo. Edu Dracena é razoável, mas Pará e Durval só são titulares por exclusão. Será que dá para ser campeão com um setor tão limitado? Torçamos…

A torcida foi até boa. Um público de 8.310 pagantes para ver este Santos remendado não é de se lamentar. O cúmulo é sócio do Santos ter de pagar 60 reais para ficar nos lugares destinados a ele quando o mando é do Alvinegro.

Santos André 1, Santos 1 – Pacaembu
05/02/2011, 19h30

Santo André
Neneca, Sandoval, Marcelo Godri e Anderson; Iran, Alex Silva (Valmir), Magno, Aloísio (Juan Felipe) e Romário; Rychely e Nunes (Mário Jara).
Técnico: Pintado

Santos
Vladimir, Pará, Bruno Rodrigo, Edu Dracena e Léo; Adriano, Possebon, Felipe Anderson e Róbson (Crystian); Maikon Leite (Keirrison) e Diogo (Moisés).
Técnico: Adilson Batista

Gols: Marcelo Godri, aos 5 minutos, Rodrigo Possebon, aos 45 minutos do primeiro tempo.

Cartões amarelos: Léo (Santos) e Mário Jara (Santo André).

Árbitragem: Aurélio Sant`anna Martins (bom), auxiliado por Reinaldo Rodrigues dos Santos e Osny Antonio Silveira.

Público: 8.310 pagantes. Renda: R$226.770,00.

E você, o que achou do jogo? Quem se destacou e quem decepcionou?