Leio que o Chelsea pagou 50 milhões de libras, ou 133 milhões de reais, pelo espanhol Fernando Torres, atacante do Liverpool. O mesmo Chelsea contratou o zagueiro brasileiro David Luiz, do Benfica, por 43 milhões de reais, mais o passe do sérvio Matic e a renda de um amistoso em Portugal. Some tudo isso e dá quase 200 milhões de reais pelos insossos Torres e Luiz.

Não estou dizendo que ambos joguem mal, mas não têm 20% do futebol de Paulo Henrique Ganso e Neymar e, mais do que isso, nem 5% do apelo e do carisma dos craques do Santos.

Ganso e Neymar podem sozinhos, transformar um jogo medíocre em um espetáculo a ser lembrado para sempre. São habilidosos, inteligentes, capazes de criar do nada jogadas que ficam na memória. São artistas, nasceram para brilhar.

Não há na Europa, nem no mundo, jogadores como Neymar e Ganso. São únicos, têm estilo próprio, não imitam ninguém. São os maiores artistas de um show que nunca se repete. Quando se pensa que já vimos tudo o que podem fazer, surpreendem com novas magias.

Até ontem, na goleada sobre o irritadiço Chile, por 5 a 1, não se sabia que Neymar podia cobrar faltas tão bem. Ou roubar uma bola na defesa adversária, partir pra cima do marcador e simplesmente rolar mansamente para o gol de um companheiro. Ou entrar no meio dos beques para concluir de sem-pulo, forte, como um centroavante rompedor. Neymar é muitos num só.

Ganso? Maestro, visão periférica, visão de raio x, visão e antevisão de super craque. Ganso vislumbra espaços no campo que só ele vê, pois, para ele, o campo é bem maior. Se Einstein jogasse bola, e fosse mais alto, seria o Ganso.

Desculpem-me, mas não entro nessa de que o jogador só passa a valer mais se vai para a Europa. Este conceito é o que venderam ao Brasil durante anos e nossa imprensa esportiva colonizada entrou na pegadinha. Por este profundo e assumido complexo de inferioridade é que Kaká foi vendido do São Paulo ao Milan por 14,2 milhões de reais e depois foi negociado pelo clube italiano com o Real Madrid por 152 milhões, ou seja, um aumento de mais de 1.000%.

Ganso pode ser, na Europa, o que foi Zidane, e Neymar pode se transformar no único capaz de brigar pela hegemonia de Messi. Isso já se pode perceber agora. Não é preciso que saiam do Santos e do Brasil para se ter esta certeza.

Quanto valem um novo Zidane e um rival de Messi? Acho que menos de meio bilhão de reais seria uma pechincha. Imagine o que o marketing de um clube europeu não faturaria com dois jogadores assim.

Torço para que o Santos os mantenha, pois seria uma chance real de colocar o clube, o futebol brasileiro e sul-americano em um outro patamar. Enquanto Ganso e Neymar jogarem no Brasil, seremos menos vira-latas e ainda teremos a ilusão de possuir o melhor futebol do mundo.

Se Fernando Torres foi vendido por R$ 133 milhões, quanto valem Neymar e Ganso?