Há coisas que o torcedor entende. Outras, não. Ele sabe, por exemplo, que no futebol é bem possível o mesmo time que foi eliminado da Libertadores pelo desconhecido Tolima, vencer um clássico contra o Santos. Pois a motivação é outra.

O Santos de 2002, 2004 e do primeiro semestre do ano passado também perdia. Mas o santista não se preocupava, pois sabia que seu time era melhor, para cada derrota haveria incontáveis vitórias. E de goleada. Mas agora, não.

Ele já começou a desconfiar que o Alvinegro Praiano não se manteria no topo ao final do primeiro semestre do ano passado, quando Wesley, André e Robinho foram embora, e para suas vagas foram contratados Rodrigo Possebon e Keirrison e foi promovido o garoto Alan Patrick.

Depois, ainda veio mais gente, mas ninguém para ser titular. Zezinho, Moisés, Victor Hugo, Danilo, Alex Sandro, os dois machucados do Cruzeiro (Jonathan e Charles) e Diogo, o eterno ex-Portuguesa.

Para complicar, Paulo Henrique Ganso se machucou, e o Santos se tornou um time comum. Na verdade, um pouco menos do que comum, pois foi eliminado pelo Avaí na Copa Sul-americana e decepcionou no Campeonato Brasileiro.

Pré-temporada de sonhos

Chegaram, finalmente, as férias, e o torcedor respirou aliviado com a saída do técnico interino Marcelo Martelotte e a contratação de alguém acostumado a comandar times grandes. Adilson Batista, que tinha acabado de ser demitido do Corinthians, foi o escolhido.

Lembro-me de que fui contra a vinda de Adilson. O único mandado embora do co-irmão alvinegro que deu certo no Santos foi o incomparável goleiro Gylmar. Mas, pensei, se Adilson fracassou no Corinthians porque queria colocar o time para jogar para a frente, teria grande chance de dar certo no Santos, que é ofensivo por natureza.

Além do técnico, os torcedores lembraram que faltava um centroavante, já que Keirrison não dava certo. Faltavam ainda um lateral-direito, um volante, dois meias (um só para substituir Paulo Henrique Ganso, machucado), ao menos um zagueiro e mais um ótimo atacante para jogar ao lado de Neymar.

Animado com a promessa de que a qualquer momento o clube teria um aporte de 40 milhões de reais, vindos de um grupo de empresários, o torcedor pedia Luís Fabiano, Alex, Leonardo Moura, Diego, enfim, montava uma verdadeira seleção…

Mas, das carências, apenas uma, a de um jogador de meio-campo, foi suprida, com a ótima contratação de Elano. Todas as outras, porém, ainda estão em aberto.

Por que o Santos espera tanto?

Mais do que jamais foi, o futebol está muito dinâmico também fora do campo. E o Santos anda muito lento para tomar decisões. O técnico interino Martelotte ficou além da conta no cargo, assim como foram e são dadas oportunidades demais a jogadores que não têm atributos para serem titulares, ou mesmo para continuarem no elenco.

Mesmo pregando uma administração profissional, as decisões da diretoria parecem passar antes por várias etapas burocráticas, como em um retrógrado politburo comunista. Antes de cada decisão, a impressão que o torcedor tem é que o presidente precisa consultar dezenas de pessoas.

Se queria mesmo ser campeão da Libertadores, se estava mesmo empenhado nesta missão em 2011, o Santos tinha de ter contratado Liédson, ou mesmo Rafael Moura, que são fazedores de gols, e não trazido Diogo, jogador em péssima fase, descartado por Vanderlei Luxemburgo.

Será que já não deu para perceber que depois de ficar sem Madson, Zé Eduardo, Maikon Leite e mesmo Róbson, o Santos nem terá atacantes suficientes para o resto do ano?

Outra coisa: jogador machucado que precisa de muito tempo para se recuperar, continua fazendo parte do elenco, mas é como se não fizesse. Não se pode aguardar a sua volta indefinidamente. Precisa ser substituído com urgência. Neste caso estão Paulo Henrique Ganso e Charles.

Alan Patrick e Felipe Anderson já!

Escrevi tudo isso para mostrar que, mesmo inventando além da conta, o técnico Adilson Batista não é o único culpado pelo beco sem saída em que o Santos está se metendo. Se ele tivesse um timaço na mão, repleto de craques, nem precisaria ser um gênio para formar uma equipe campeã.

O problema é que dirige um time carente em várias posições e tem tomado as decisões erradas para supri-las. Como, mais do que criticar, é preciso apontar soluções, darei uma sugestão e espero que o professor a analise com carinho:

Por que não escalar Alan Patrick e Felipe Anderson como meias? Sei que ainda há perguntas a serem respondidas, tais como: Os dois podem jogar juntos? Será que se entenderiam armando o jogo? Mas já que tantas soluções absurdas foram testadas e repetidas, por que não dar essa oportunidade aos garotos? Se essa dupla der certo, e têm habilidade e vitalidade para isso, o meio-campo, enquanto o Ganso não voltar, poderá ser formado por Arouca, Elano, Alan e Felipe.

Com Neymar e Zé Eduardo no ataque e as avançadas de Alan Patrick e Felipe Anderson, o Santos voltará a ter um poder ofensivo capaz de impor o jogo e segurar o adversário atrás. Ou seja, de comandar a partida.

Recapitulando: meu time para ser testado já na próxima partida teria um meio-campo com Arouca, Elano, Alan Patrick e Felipe Anderson, e um ataque com Neymar e Zé Eduardo. Se esta formação não marcar ao menos três gols no São Bernardo, eu prometo não falar mais nisso.

Sei que Róbson e Maikon Leite poderiam ter lugar no time, até por serem mais experientes do que Alan e Felipe, mas já que estão de pré-contrato com outros clubes, eu os deixaria na reserva. Só entrariam se os garotos fracassarem, o que não acredito.

Ainda há esperança, porém

Houve um ano em que no primeiro turno o Santos era o último colocado no Campeonato Paulista. Até o técnico, o imortal Pepe, depois de meses sem receber, pegou seu boné e foi embora. Serginho Chulapa assumiu e, na base do grito, fez a equipe ficar em segundo lugar no segundo turno.

Portanto, as críticas deste post querem tudo, menos serem definitivas. O futebol tem provado que mesmo times imperfeitos podem ser campeões, desde que substituam suas deficiências técnicas por outras qualidades, tais como: estrutura tática, garra, determinação.

E, convenhamos, é melhor apontar as falhas agora, enquanto ainda há tempo para corrigi-las, do que depois, quando só restará lamentar mais um semestre perdido.

Você também gostaria de ver Alan Patrick e Felipe Anderson contra o São Bernardo? Ainda dá tempo para montar um time vencedor neste semestre?