Sempre que montou um time forte, vencedor, o Santos teve mais meias do que volantes. Isso é histórico. Relembre o Time dos Sonhos e verá que tanto Zito, como Mengálvio, sabiam apoiar como poucos. Passe para osMeninos da Vila de 1978 e veja que no meio campo estavam Clodoaldo, Pita, Ailton Lira e Toninho Vieira, ou Zé Carlos, ou Rubens Feijão. Ou seja, ninguém maltrava a bola.

Passe para os Meninos campeões extraordinários de 2002 e perceba que no meio estavam Renato, aquela que roubava a bola sem fazer falta, mais Elano, Paulo Almeida e Elano. O único que destoava um pouco era Paulo Almeida, mesmo assim chegou a jogar na Seleção Brasileira.

Prossiga mais um pouco e constate que o time campeão brasileiro de 2004 tinha Elano e Ricardinho no meio-campo, além de Preto Casagrande, mais meia do que volante, e Fabinho, o único especializado em destruir as jogadas alheias.

O do ano passado, então, é covardia: de volante mesmo, só Arouca. No mais, Wesley e Paulo Henrique Ganso, pois Robinho, Neymar e André jogavam no ataque. Se precisasse, os atacantes ajudavam no meio-campo, e olhe que ainda roubavam muitas bolas por ali.

Mesmo o Santos não tão maravilhoso, mas campeão brasileiro moral de 1995, tinha um meio-campo com jogadores de categoria, como Robert, Wagner, Carlinhos, Giovanni. Perto desse que jogou contra o Táchira, era um baita meio-campo.

Questão de DNA

Há times que são campeões com um bando de soldados trucidadores de tendões inimigos. E suas torcidas vibram. Mas no Santos é diferente. Santista gosta de praia, da beleza das garotas balançando de encontro ao mar, da música, das artes, enfim. E o futebol, para o santista, é apenas a arte mais popular que existe.

Esse negócio de ser grosseiro com a bola não dá certo na Vila Belmiro. E nunca deu. No Santos, até o filho do presidente, o lendário Araken Patusca, era craque e artilheiro.

Estou dizendo tudo isso para preparar o espírito dos meus leitores para o que vem a seguir. Na verdade, porém, sei que o que vou dizer não é novidade para ninguém que acompanhe um pouco da história do Santos e sabe que o oxigênio do santista é o gol.

Se continuar enchendo o meio-campo de trombadores, Adilson Batista não ganhará nada com o Alvinegro e ainda sairá da Vila mais desacreditado do que chegou. Não é crítica, é conselho.

Danilo, Pará, Adriano? Never, nunca, jamais. Mesmo o Rodrigo Possebon já é uma consesson das maiores. É bonzinho, mas ao aceita-lo percebemos que nos tornamos bem menos exigentes com um setor que já teve tantos mestres.

E para que este post tenha um objetivo concreto, eu sugiro que neste próximo domingo, contra o Corinthians, Adilson Batista mostre que está entendendo a alma do time que orienta e escale o Santos levando em conta os melhores jogadores e não os mais “adaptados taticamente”.

Espero que o técnico se lembre de que foi mandado embora do Corinthians por não ter fechado o time em alguns jogos. Essa sua vocação ofensiva já foi até elogiada por mim neste blog. Agora, só espero que ele não se desgaste com os santistas justamente pelo contrário: por querer retrancar uma equipe que gosta de jogar mais no ataque.

Sabe aquele cara que vai na churrascaria e pede um peixe, e vai em um restaurante especializado em frutos do mar e pede uma picanha? Pois é. Espero que o professor Adilson não seja um desses.

Como diria um amigo: “Sorta a garotada Adirso!”.