O final pode ser diferente do que se imagina. E clubes que se julgam especiais e por isso querem levar vantagem, saindo do Clube dos 13 e negociando seus direitos de tevê em separado, podem se dar mal. Antes de quaisquer considerações, é preciso considerar que:

Pela primeira vez a Globo corre um risco real de perder a concorrência pelos direitos do Campeonato Brasileiro para a Record, que, dizem, pode chegar ao dobro dos R$ 500 milhões estipulados como valor mínimo para a compra dos direitos de transmissão da tevê aberta.

Há uma evidente parceria entre a Globo e a CBF, provavelmente com acordos futuros, e isso é o que faz a entidade colocar-se frontalmente a favor da empresa carioca nessa negociação.

O Clube dos 13 tem o seu poder. Não pode simplesmente ser extinto pela CBF. Se fosse possível, isso já teria acontecido. A CBF só pode estimular uma rebelião contra a entidade presidida por Fábio Koff, e é isso o que está fazendo.

Um clube que se desligue do Clube dos 13, não pode voltar mais. Se a entidade prosseguir representando os interesses da maioria dos clubes brasileiros, esses dissidentes terão vida dura.

O Clube dos 13 represenfga oficialmente os clubes nas negociações com as tevês. Isso está em contrato. Há cláusulas. Não se pode passar a régua assim. Há implicações.

Os clubes de maior sucesso na última década – Santos, São Paulo e Internacional –, além de Cruzeiro e Atlético Mineiro, devem seguir no Clube dos 13, garantindo a sobrevivência e um ótimo nível técnico para suas competições.

Como o Ministério dos Esportes e a Fifa se pronunciarão a respeito? Defenderão a liga pirata, ou validarão as decisões da instituição que é constituída, oficialmente, há 14 anos?

Especialistas asseguram que acordos em separado com a tevê só são produtivos em poucos casos. Apenas clubes de grande torcida e que se coloquem sempre entre os primeiros das competições, têm chance de conseguir bons acordos. Os demais, provavelmente, ganharão cerca da metade do que recebem através dos contratos com o Clube dos 13.

Negociar direitos de tevê em separado não será simples. Se não houver acordo com o adversário, nada feito. O time desertor correrá o risco de passar alguns jogos sem ganhar um tostão, ou bem menos do que receberia como integrante da liga dos clubes.

A Record tem dinheiro para ganhar a concorrência da Globo, mas não tem uma programação esportiva que dê mais visibilidade aos clubes, o que prejudica na divulgação dos patrocinadores das equipes.

A emissora do bispo, se quiser marcar sua presença também no jornalismo esportivo e desbancar de vez a concorrente, terá de mudar sua grade de programação, contratar bons profissionais da área e tornar-se a emissora aberta número um do futebol brasileiro.

Como não conseguiu com as novelas e nem com o jornalismo, o futebol pode representar para a Record a batalha decisiva para assumir o primeiro lugar na audiência. Por isso, vale a pena para a emissora investir pesado neste briga.

Considerações finais

Nunca o momento foi tão propício para os clubes brasileiros negociarem melhor seus direitos de tevê e receberem um valor mais justo pelo espetáculo que proporcionam. Porém, desde que a negociação seja feito em conjunto.

Pela primeira vez há a possibilidade de receberem cotas bem maiores do que jamais receberam, graças à decisão da Rede Record de entrar com tudo na briga pelos direitos, disposta a pagar até um bilhão de reais pelo Campeonato Brasileiro.

Esta divisão, plantada de fora, só favorece politicamente a CBF, contrária à presidência de Fábio Koff, e cai como uma luva nos interesses da Rede Globo, que não precisará gastar mais para oferecer o mesmo. Como diz a sabedoria popular, estas entidades seguem a filosofia: “Dividir para reinar”.

O exemplo do presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, preocupado tão somente em obter privilégios para o seu clube, tem convencido outras agremiações a seguirem o mesmo caminho. Só que estes dirigentes adesistas se esquecem de que seus clubes não são o Corinthians e não terão o respaldo político e econômico com que poderá contar o alvinegro paulistano.

Líder dos revolucionários, o Corinthians deve cerca de R$ 25 milhões ao Clube dos 13. Para sair, terá de pagar. Será que vale a pena? Quem bancará o risco? O presidente? Outro dissidente, o Flamengo, há poucos dias pegou um empréstimo de R$ 8 milhões no Clube dos 13 para pagar encargos e salários atrasados. Ou seja, os dois maiores símbolos da oposição comem na mão do Clube dos 13. Será que têm moral para dizer que ele não funciona?

Enfim, chegou o momento de os clubes se unirem para conseguir algo melhor para eles e para o futebol brasileiro. A cobiça de uns e a vaidade de outros está gerando esta situação que só é boa para quem quer que tudo permaneça a mesma bagunça deficitária que sempre foi.

E você, já se informou para ter uma opinião formada sobre o imbróglio do Clube dos 13? Que caminho o Santos deve seguir? Prosseguir no Clube dos 13, ou desligar-se e partir para a criação de uma nova liga?