Fazer o simples seria tocar de lado, como o time todo vinha fazendo – e por isso não chutava a gol. Mas Felipe Anderson resolveu sair da mesmice e mandou uma bomba de fora de área, bem no ângulo, que resolveu o jogo que estava ficando complicado contra o Noroeste.

O garoto era o único que realmente queria jogo no segundo tempo, e se dependia deste jogo para entrar na lista que vai para a Libertadores, já está dentro. É mais participativo, mais incisivo, mais disciplinado e motivado do que Alan Patrick. Mas outra opção seria levar os dois e deixar Robson (a enquete deste blog, aí à direita, mostra que o santista prefere que Robson não faça parte da lista).

Perceba que Felipe Anderson é inteligente para jogar. Em três oportunidades fingiu que não queria nada, parecia caminhar em campo, depois acelerou e criou boas oportunidades. No lance do gol foi assim. Pegou a bola como quem não queria nada, deu uma ajeitadinha e mandou no ângulo.

Depois, explicou ao repórter que não foi sorte, pois anda treinamento chute a gol. Está aí outra faceta do jogador inteligente, pois não acha que nasceu virado para a Lua. Treina, faz a sua parte, se esforça. Alia talento e trabalho e o resultado não pode ser outro.

Todo mundo tirou o pé

Não dá para ser muito exigente na última partida antes da estréia do time na Copa Libertadores. Ficou claro que muitos jogadores evitaram divididas, correram menos do que poderiam. Mas, como ninguém erra passes e toma dribles de propósito, deu para constatar, mais uma vez, que a defesa do Santos ainda não está acertada.

É uma pena que Vinicius Simon não tenha sido testado hoje. Ele seria ao menos um reserva mais confiável do que os dois Brunos. Na verdade, nem mesmo os zagueiros titulares Edu Dracena e Durval merecem confiança total da torcida. Hoje Dracena fez um pênalti bobo. A bola estava mais para ele. Era só dar um biquinho e jogar pra escanteio. Preferiu dar uma de xerife e deixar a perna depois do chute.

Elano estava modorrento e fez sua partida mais fraca desde que voltou. Zé Eduardo e Diogo apresentaram-se mais para o jogo. Keirrison tentou jogar e não conseguiu mais uma vez. Ele é para esta diretoria o famoso “Que erro sô!”. Paciência. De repente, faz um gol decisivo em um jogo importante (se até o Sebastian Pinto fez, lembram-se?).

Na defesa, só mesmo Rafael passa confiança. Pará e Léo receberam muitas bolas nas costas, e Edu Dracena e Durval mostraram-se um tanto confusos quando o Noroeste, mesmo sem seus atacantes titulares, apertou.

O espírito da Libertadores

Se não mudar radicalmente o espírito para o jogo de terça-feira, o Santos correrá um sério risco de ter uma decepção na Venezuela. Como o Tolima já mostrou ao Corinthians, jogar fora do Brasil é sempre complicado na competição sul-americana. Os adversários correm o tempo todo, não desistem nunca e entram duro, geralmente sob a complacência dos árbitros.

Por ser uma competição que exige mais experiência, acho que Robson e Alan Patrick ficarão no time, enquanto Felipe Anderson, que joga melhor do que os dois, ficará fora. Mas, fosse eu o técnico, levaria o Felipe.

Quando o time precisar de uma enfiada de bola, de um chute de longa distância, quem fará? Alan Patrick? Róbson? Improvável. Primeiro, Felipe tem mais habilidade/ depois, treina mais essa jogada.

O que você achou do jogo? O time se poupou, ou preocupou?