Estranhei quando li que Jean Carlos Chera havia pedido R$ 120 mil mensais para jogar no Santos e que a recusa do clube em lhe pagar este salário teria motivado a sua intenção de ir embora. Acabo de checar a informação com o repórter Ademir Quintino, assessor de imprensa do jogador e um dos jornalistas mais bem informados sobre o Santos, e constatei que a história pode ser bem diferente.

Como muitos santistas, minha primeira idéia, ao saber do caso, foi fazer um texto falando da ingratidão do jogador de futebol que é amparado desde criança por um clube e, ao chegar ao profissionalismo, lhe dá as costas e sai pela porta dos fundos, para ganhar mais dinheiro, sem proporcionar um centavo de retorno a quem lhe ofereceu guarida, apoio e carinho.

Confesso que no primeiro momento fiquei decepcionado ao saber que Chera, com quem já conversei algumas vezes e me causou ótima impressão, tinha ingressado também no time dos ingratos. Porém, não escreveria nada sem antes checar as informações. Por isso, recorri ao ótimo jornalista e amigo Ademir Quintino. Sincero como sempre, acredito que não tenha me escondido nada.

Este post traz a versão de Quintino e do pai de Chera, o senhor Celso. Agora buscarei a versão do diretor do Santos, Pedro Nunes Conceição, que trarei em outro post.

A verdade é que Santos e o senhor Celso Chera conversam há dois meses, pois o garoto assinará o seu primeiro contrato profissional – válido por três anos – em 16 de maio, quando completará 16 anos.

Hoje Chera recebe pouco mais de R$ 20 mil mensais do clube. A proposta que seu pai ofereceu ao Santos foi de que seu salário fosse de R$ 75 mil no primeiro ano, R$ 90 mil no segundo e R$ 120 mil no terceiro.

A contraproposta do Santos, que nas reuniões foi representado pelo diretor Pedro Nunes da Conceição, foi um valor não revelado por Ademir, mas que, após os descontos, resultaria em menos do que o rapaz recebe hoje como amador, ou seja, por volta de R$ 20 mil mensais.

O Santos também fez a proposta de ficar com 80% dos direitos do passe de Chera, enquanto o senhor Celso queria que o clube ficasse com 65% dos direitos, deixando 35% ao jogador.

Mesmo em conversações durante tanto tempo, Ademir Quintino diz que não houve uma contraproposta do Santos, o que seria normal em uma negociação. Essa contraproposta seria ouvida e analisada com carinho por Jean Carlos Chera e seu pai.

Vivendo em Santos há sete anos, para onde toda a família foi trazida quando o garoto tinha apenas nove anos e era apontado como um prodígio do futebol, os Chera não gostariam de abandonar a cidade, ou se desligar do clube, para o qual todos passaram a torcer fervorosamente.

Como a saída de Chera não dará um centavo de retorno ao Santos, e para que o filho não saísse com fama de ingrato, Quintino assegura que o senhor Celso ofereceu R$ 1 milhão ao Santos, como forma de ressarcir o clube pela que já investiu no rapaz, mas, segundo Ademir, o diretor Pedro Conceição, não aceitou.

Se desligar-se do Santos agora, Chera já tem proposta de um clube da Europa para ganhar três milhões de euros na mão e mais um salário de 50 mil euros mensais. Há também a proposta de um clube de São Paulo (Ademir não me disse qual é, mas aposto que é o Corinthians).

A sugestão deste blog para um acordo

Sei lá como se deram essas conversações e qual foi o ânimo dos envolvidos. Só posso dizer que, para o santista, Chera já era aguardado com ansiedade no time dos profissionais. Depois de um investimento tão grande no rapaz, perde-lo justo na hora de assinar o primeiro contrato profissional chega a ser frustrante. Principalmente se Chera revelar-se o craque que se espera.

A permanência de Jean Carlos Chera no Santos é importante para os dois lados. Se o clube quer manter o estigma de grande revelador de jogadores acima da média, não pode descartar um jovem promissor que está no Santos há sete anos e é resultado de um longo trabalho.

Assim, diante de tantos maus investimentos já feitos por esta diretoria, alguns em jogadores sem a mínima identidade com o clube e que, juntos, já extraíram uma pequena fortuna dos cofres do Alvinegro Praiano, considero que Chera seja mais do que uma aposta. Ele merece, sim, uma atenção maior.

Oferecer ao rapaz um salário que praticamente o mesmo que já recebe como amador demonstra que o clube não o está valorizando. Nenhum atleta assina como profissional para ganahr o mesmo do que já recebia como juvenil. Quem concordaria com isso? Por que não chegar ao meio termo? O Santos quer pagar R$ 25 mil no primeiro ano, o jogador quer receber R$ 75 mil. Pois que se ofereça R$ 50 mil no primeiro ano, R$ 65 mil no segundo e R$ 85 mil no terceiro. E que se analise também a possibilidade de dar ao jogador mais do que 20% do seu próprio passe.

Chera é inteligente, tem habilidade, me lembra muito Diego. Talvez não se transforme em um novo Diego, mas tem potencial para justificar plenamente este investimento inicial e, certamente, se depois tiver seu passe negociado, renderá muito mais ao clube e a ele próprio.

Portanto, sem procurar culpados e sem polêmicos, sugiro que a diretoria do Santos e o senhor Celso, pai de Jean Carlos Chera, voltem a conversar e cheguem a um meio termo bom para todos. O garoto está ansioso por jogar como profissional pelo time que aprendeu a amar; o santista também tem grandes expectativas com relação a ele, e o clube tem a oportunidade, depois de tantos anos de espera, de oferecer ao futebol mais um craque.

E você, o que acha desse caso entre o Santos e Jean Carlos Chera?