Está certo, exagerei. Rafael fez ótimas defesas e se não fosse ele talvez a coisa tivesse se complicado. Mas Neymar fez dois gols em jogadas individuais e ainda deu uma assistência perfeita para Léo, daquelas que só falta dizer “toma, faz o seu”. A Portuguesa teve o mérito de jogar limpo, não apelar. Perdeu de 3 a 0, mas criou algumas chances. Merecia ter feito ao menos um golzinho.

Por falar em golzinho, se o Santos fizesse mais um, dormiria líder do campeonato, pois o Corinthians perdeu a invencibilidade para a Ponte Preta, no Pacaembu. E justo quando vencia por 3 a 0, Elano sai e o técnico interino Marcelo Martelotte coloca o volante Rodrigo Possebon.

Ora, o time já tinha dois volantes – Adriano e Danilo – e estava sem nenhum meia, pois Diogo é mais um atacante, já que não consegue puxar um contra-ataque sem tropeçar na bola. Lançar? Nem pensar. Tabelar? Impossível. Ele corre. Sim, corre. Mas pouco produz.

E Róbson, que tinha entrado bem contra o Oeste, não poderia substituir Elano? E o garoto Felipe Anderson, que entraria sem nenhuma pressão e é, de fato um meia? Por que não colocá-lo hoje?

Será que ainda havia o receio de que em 15 minutos a Portuguesa marcasse três gols e empatasse o jogo? Sei lá, mas é nessas horas que a gente percebe que Martelotte é apenas um interino querendo se segurar no cargo, querendo um ser promovido na profissão. Falta-lhe ousadia.

A falta de ousadia está fazendo deste Santos uma equipe idêntica àquela que gerou a demissão de Adilson Batista. A explicação de Luis Álvaro para a demissão de Adilson não foi a de que ele nãoe stava respeitando o DNA ofensivo do Santos? Pois é. E jogar com três volantes contra um time que está perdendo por 3 a 0, a 15 minutos do final do jogo, é o quê?

O marcador não diz o que foi o jogo. Não é aquela vitória que faz o torcedor achar que todo mundo jogou bem. Não dá pra afirmar que Danilo, Adriano e Diogo justificaram a titularidade no Santos. Mesmo Elano não foi muito bem hoje. Perdeu bolas bobas, brigou pouco pela posse, deu a impressão de não estar muito concentrado na partida.

Neymar, ao contrário, faz tudo certo. Às vezes perde a bola, só para comprovar que não é perfeito, mas sua técnica e visão são tão superiores aos demais, que suas jogadas parecem brincadeira de criança, pois nos dão a impressão de que futebol é a coisa mais simples do mundo. Deve ser difícil para ele conviver com jogadores que não acompanham a agilidade de seu raciocínio.

Ainda bem que Paulo Henrique Ganso treinou bem contra o time Sub-20 do Santos e voltará logo para se apossar da número 10. Tomara que Arouca e Charles também possam jogar brevemente, completando o meio-campo. Aí sim talvez o Santos justifique o favoritismo que alguns críticos dão a ele.

E você, o que achou do jogo? Será que o time engrenou, ou com tanto volante será difícil deslanchar?