No caso das negociações com a tevê, seduzidos pela promessa de receberem bem mais do que ganham hoje, grandes clubes brasileiros estão prestes a vender a alma e entregar o futuro de mão beijada a dois rivais que já são os mais populares do país.

A negociação individual pelos direitos de tevê dará, em um primeiro momento, muito mais dinheiro dos que os clubes ganham, e por isso todos estão propensos a aceitar que Corinthians e Flamengo recebam um valor bem maior da tevê. Isso é um erro.

Os presidentes dos grandes clubes – com exceção dos dois já citados -devem perceber que momento de bater o pé, firmar posição e conseguir um contrato mais justo, é agora. Depois, não adiantará os presidentes reclamarem dos privilégios a Corinthians e Flamengo.

Se hoje estes gigantes de popularidade já conseguem valores maiores pelos contratos de patrocínio e merchandising, se arrecadam mais com bilheteria, se atraem mais torcedores e podem contratar os melhors jogadores, é fácil imaginar como será quando receberem fortunas da tevê, o que lhes permitirá acelerar este círculo vicioso e deixar todos os demais, irreversivalmente, na condição de eternos coadjuvantes.

Esta fórmula que está prestes a ser aprovada pelos clubes brasileiros tem sido extremamente nociva a vários campeonatos nacionais europeus, tanto que lá começa a preponderar a negociação coletiva, com valores mais justos e divididos por mérito entrte os participantes, e não só pelo volume de pessoas que torcem para cada equipe.

Ética está ligada a mérito,não há outra forma de se criar competições justas e atrantes. Qualquer outra forma cheira conchavo, protecionismo, politicagem, interesses escusos. Os presidentes que entregarem, de mão beijada, o futuro do futebol brasileiro aos dois adversários, ficarão com uma eterna dívida com seus torcedores, pois os estará condenando a torcer para um time médio, que nunca mais poderá lutar em iguais condições pelos títulos vindouros.

Leia com atenção e veja o filme desta matéria publicada no site da ESPN

Você ainda acha natural que Corinthians e Flamengo recebam cotas bem maiores do que os outros? Não acha que isso criará uma desigualdade eterna entre os grandes clubes brasileiros?