Fazer um jogo de Libertadores para apenas 11 mil pessoas é preocupante. Por isso, abordarei novamente a questão do público pequeno na Vila Belmiro. Mas espero que esta não se torne uma discussão entre santistas da Baixada e da Capital. É muito mais relevante do que isso e peço que, antes de comentarem, pensem primeiro no que é melhor para o Santos.

Tudo seria mais fácil se o Santos tivesse um estádio maior encravado na região onde possui mais torcedores. Porém, o estádio que preenche essas características é o Pacaembu, que fica em São Paulo.

O Santos cresceu e passou a ter mais torcedores fora de sua cidade, principalmente na Grande São Paulo. Essa é uma realidade que pode ser bem aproveitada. Ou não.

Participação santista é igual na Vila e no Pacaembu

Uma pesquisa de 2005 mostrava que o Santos tinha cerca de 500 mil torcedores na Baixada Santista e 1,5 milhão na Grande São Paulo. Se 2% (dois por cento) desses totais forem aos jogos do Santos na sua região, teremos 10 mil pessoas na Vila Belmiro e 30 mil no Pacaembu – quantidades que têm se revelado bem próximas da realidade.

Portanto, o melhor público da Vila Belmiro, em comparação ao Pacaembu, pode ser explicada, simplesmente, pelo número maior de santistas na Grande São Paulo. Não há nada de estratosférico nisso. É só questão de porcentagem.

Redução da Vila Belmiro

Com a construção dos camarotes, a Vila Belmiro diminuiu, ou seja, passou a comportar menos torcedores. Hoje, o estádio que nos grandes jogos recebia 30 mil pessoas, hoje não comporta mais do que 15.800.

Para valer a pena jogar em sua casa, a diretoria resolveu aumentar o preço dos ingressos, o que se torna um obstáculo a mais para lotar os 15.800 lugares disponíveis.

Vantagens de logística

Mesmo com um público menor, a Vila Belmiro exerce uma pressão maior nos adversários, tem um ótimo gramado e é o estádio em que os jogadores do Santos preferem jogar, até porque está do lado de casa e do CT Rei Pelé. Este tem sido o grande argumento para que o Santos continue mandando quase todos os seus jogos na Vila.

Questão política

Boa parte dos associados do Santos e, principalmente, dos conselheiros do clube e proprietários de cadeiras cativas no Urbano Caldeira, moram na Baixada Santista e pressionam para que o time jogue sempre na Vila Belmiro.

Quando o time joga seguidamente em São Paulo, ameaçam, dizendo que “o Santos é de Santos”. Por isso, todas as diretorias eleitas acabam cedendo à pressão e marcando quase todos os jogos do Santos para a Vila Belmiro, mesmo quando isso significa arrecadar bem menos dinheiro.

Vontade dos jogadores

A maioria dos jogadores do Santos prefere jogar na Vila Belmiro. Dizem que é o único estádio em que realmente se sentem em casa. Porém, dos jogos em que o mando de campo é seu, o Santos tem tido uma porcentagem maior de vitórias jogando no Pacaembu.

E outra: acredito que os jogadores entendam que assim como querem receber seus altos salários em dia, devem entender que o clube tenha de tomar medidas para garantir que haverá dinheiro para pagá-los.

Regime profissional mesmo?

A diretoria atual assumiu dizendo que daria ao Santos uma administração profissional. O que se entende por isso? Eu entendo mais receitas e menos despesas, ou seja, um superávit maior e permanente. Se em um estádio o time leva 37 mil pessoas, e no outro, 11 mil, por que o segundo é o escolhido? Por que faz parte da história do clube? Bem, então a prioridade está sendo o romantismo e não o profissionalismo.

Vantagens do Pacaembu

O Pacaembu ainda tem a vantagem de estar mais próximo do Interior do Estado, o que atrai torcedores que normalmente não iriam à Vila Belmiro.

Ainda há o detalhe do poder aquisitivo, que em São Paulo é um pouco maior. O Paulistano está mais acostumado a pagar caro para assistir aos grandes espetáculos do show business.

Uma Vila viável

Para que se torne rentável jogar mais na Vila Belmiro, é preciso um trabalho mais amplo, que abranja acordos com as prefeituras da região, ampliação do estádio, redução do preço dos ingressos e ampla divulgação. Sem contar que o crescimento econômico da Baixada Santista – com o decantado pré-sal – será importante para aumentar a renda per capita e o universo de pessoas interessadas em frequentar o Urbano Caldeira.

A questão econômica

Assim como o Barcelona não faz questão de patrocínio de camisa, o Santos poderia não fazer questão da verba proveniente da bilheteria. Assim, poderia jogar na Vila o tempo inteiro, mesmo para públicos menores, pois a visibilidade estaria garantida com a tevê e a sobrevivência do clube estaria garantida com outras fontes de renda.

Porém, o Santos precisa, urgentemente, de receitas, pois sua situação econômica é ruim. A dívida tem aumentado e, para estancar a sangria, o dinheiro das arrecadações é tão importante agora como foi na administração anterior.

Para se dar ao luxo de perder dinheiro com a bilheteria, o Santos deveria primeiro garantir outros recursos de sustentação.

Duas opções é melhor do que uma

De qualquer forma, ter duas opções para mandar os seus jogos – na sua própria cidade, ou em um centro econômico maior, mais rico e com muito mais consumidores de sua marca – é uma vantagem para o Santos, e deve ser olhada como tal.

Um problema seria depender apenas dos jogos na Vila Belmiro e ter de se contentar, para todo o sempre, com públicos que jamais ultrapassariam 15 mil pessoas. Para quem se acostumou a ver o Morumbi lotado de santistas, como eu, e que por isso tem do santos a imagem de um clube de massa, jogar uma partida de Libertadores para 11 mil pessoas é deprimente.

Se você fosse o presidente…

Tente, agora, não falar apenas como torcedor, como habitante de Santos, ou de São Paulo. Imagine que você é o presidente do Santos, o clube está endividado e precisa de novas receitas. Você continuaria jogando na Vila Belmiro, ou daria preferência ao Pacaembu, onde o público chega a ser três vezes maior?

Diga o que você decidiria e explique por quê