Confesso que não vi e nem ouvi o clássico. Estava voltando de viagem com a Suzana e preferimos o CD do brasileiro Emmerson Nogueira cantando, com maestria, sucessos internacionais. Ficamos de ligar o rádio às 18 horas, só para saber o resultado e ouvir algumas entrevistas.

Eu sabia que Luiz Felipe Scolari tentaria amarrar o jogo e ganhar com um gol de oportunismo de Kléber, ou em cobrança de falta com Marcos Assunção. O Santos teria a bola a maior parte do tempo, mas seria eficaz e teria vontade suficiente para ganhar o jogo? Eu previa que não. “Empate”, arrisquei.

Ligamos na Estadão/ESPN e o comentarista Paulo Calçade estava dizendo que tecnicamente o Santos é infinitamente superior ao Palmeiras, mas que hoje a tática de Felipão deu certinho. Quando parecia que daria empate, pelas chances desperdiçadas pelo Santos e pela incapacidade do Palmeiras de chegar ao gol, Patrick fez ótima jogada e serviu o indefectível Kléber, que definiu.

Acabo de ver os melhores momentos e, por eles, tenho de concordar que o Santos teve mais chances e ainda um pênalti claro a favor, em bola que o Danilo alvinegro chutou e o esmeraldino espalmou como um goleiro. O mesmo Danilo fez em gol em que estava na mesma linha. Ambos os lances, porém, foram anulados pelo árbitro Vinícius Furlan.

Outros comentaristas disseram que o árbitro deixou o jogo correr solto e não deu cartões, nem mesmo em carrinhos perigosos. Ora, esse estilo de apitar favoreceria qual time hoje? Obviamente não era quem tem jogadores habilidosos, como Neymar e Ganso. Como eu previ, o trio oriundi escalado para o jogo apitou à moda italiana, para felicidade do Palestra.

Quanto realmente valeu este jogo?

É claro que clássico é clássico e torcedor não quer ver o time perder nenhum. Mas, se analisarmos friamente, veremos que este jogo teve pouca importância. O que valerá, mesmo, serão os confrontos a partir das quartas-de-finais. Uma vitória santista no mata-mata será bem mais relevante do que os seis jogos que o time está sem vencer o Palmeiras.

Por outro lado, devo admitir que Felipão tira leite de pedra desse esforçado líder do campeonato, mas mesmo assim é um técnico que se preocupa mais com a defesa e por isso nunca serviria para o Santos. Não podemos nos esquecer que mesmo dirigindo a melhor seleção do mundo, só conseguiu ganhar da Turquia por 1 a 0 na semifinal da Copa de 2002.

Portanto, parabéns ao Palmeiras por viver mais um dia de armeiration, mas nenhum santista que se preze pode querer trocar a situação de seu time pela do rival. Não podemos nos esquecer de que o clássico de hoje, para o Santos, era apenas uma refeição, enquanto para o adversário era questão de vida ou morte.

O que valerá, mesmo, é o jogo de quarta-feira contra o Colo Colo, na mesma Vila Belmiro. Será noite de se esquecer tudo, passar uma régua nos dissabores recentes e jogar como um verdadeiro campeão. Esse jogo assistirei desde o começo, claro. É daqueles jogos que separam os Meninos dos Homens.

E você, confia que contra o Colo Colo a história será diferente?