Neymar e Arouca: na Venezuala não deu. Mas hoje tem de dar!

Futebol é futebol. E o Deportivo Táchira, que joga pela honra, já que não tem mais pretensões na Copa Libertadores, deve ser respeitado. Até porque é um time que costuma se sair melhor fora de casa do que diante de seus torcedores. Porém, depois da vitória heróica sobre o Cerro Porteño, em Assunção, é impossível negar que, em um Pacaembu lotado e com o time completo – com Ganso, Elano e Neymar –, o Santos tem tudo para conseguir sua classificação em grande estilo.

Goleada? Sim. Não consigo imaginar o Alvinegro Praiano marcando menos de três gols, hoje, contra os bravos venezuelanos, que podem até começar a partida bem entusiasmados, mas após sofrerem o primeiro gol, deverão baixar a guarda. Pois o que lhes interessa mesmo são as finais do campeonato de seu país, para as quais já estão classificados.

É o tipo de jogo que o Santos só não vence bem se tropeçar em seus próprios erros, o que, com um técnico experiente e esperto como Muricy Ramalho, fica mais difícil. Nervosismos e afobações não fazem parte da cartilha de Muricy, que na hora de comandar o time é um estrategista frio e confiante.

E, depois de muito tempo, o Santos poderá jogar com todos os seus titulares. Rafael, Jonathan, Edu Dracena, Durval e Léo; Arouca, Danilo, Elano e Ganso; Neymar e Zé Eduardo é o time que entrará em campo. No banco, ainda estará o ligeirinho Maikon Leite, que pode surgir no segundo tempo para aproveitar os contra-ataques.

Muricy preferiu tirar Adriano para a entrada de Elano. Concordo com ele. Adriano tem se revelado um excelente marcador, mas hoje esta função pode ser exercida por Arouca, sobrando a Danilo a oportunidade de avançar um pouco mais.

Novamente os olhos estarão sobre o trio de ouro Elano, Ganso e Neymar. Creio que as instabilidades da Vila Belmiro serão esquecidas e se mostrarão tranqüilos e determinados, como devem ser.

Quanto à defesa, ficaria surpreso se ela sofrer um gol do Táchira, mas não muito. Os venezuelanos marcaram ao menos um contra o Cerro e o Colo Colo quando jogaram fora, e o miolo da defesa do Santos costuma dar umas claudicadas de vez em quando. Porém, é o tipo de jogo que, mesmo que sofra um gol, o Santos tem tudo para fazer vários.

Na verdade, não espero que o Deportivo Táchira, do técnico Jorge Luis Pinto, vá ao ataque nem mesmo quando estiver perdendo. Um empate ou uma derrota honrosa já são suficientes para o time voltar para casa de cabeça erguida. E não se pode dizer que não se prepararam bem para o jogo, pois chegaram uma semana antes e ficaram treinando em Itu.

O aurinegro, como é chamado o Táchira, jogará com Sanhouse, Moreno, Zafra e Rouga; Chacón, Parra, Guerrero e Fernandéz; Hernandéz; Del Valle e Herrera. Como eu disse, é um time que até aqui se saiu melhor fora do que em casa. No seu campo, perdeu dois jogos e empatou um, marcando duas vezes e sofrendo seis gols. Fora, tem um empate com o Cerro (1 a 1) e uma derrota apertada para o Colo Colo (2 a 1). Ou seja, rende melhor sem pressão.

É claro que Muricy pedirá paciência, mas o Pacaembu exigirá que o Santos não deixe o adversário respirar e que já decida o jogo nos primeiros minutos. Esse é o espírito do Santos.

Cuidados com a arbitragem

É sempre bom lembrar que o trio de arbitragem será argentino e que certamente eles não serão contagiados pelo clima de festa que tomará o estádio. Nestor Pitana será auxiliado por Gustavo Esquivel e Diego Bonfa. Não os conheço, mas não gosto de nenhum deles. Sei que, se puderem, farão seu nome neste jogo e poderão contar aos seus filhos a história do Pacaembuzaço (toc-toc-toc).

Que não hajam chiliques, faltas desnecessárias, reclamações excessivas e acintosas ao árbitro. Que os santistas usem a inteligência e façam com que, se algum jogador tiver de ser expulso, que seja do Táchira.

Chances de classificação

Se vencer, todo mundo sabe, o Santos estará classificado. Se empatar, dependerá que o jogo entre Colo Colo e Cerro Porteño, no mesmo horário, em Santiago do Chile, não termine empatado.

Para terminar como primeiro do grupo, o Santos precisa vencer e torcer para que Colo Colo e Cerro empatem. Ou deve ganhar de goleada do Táchira e superar o Cerro no saldo de gols.

Até hoje o Cerro tem 10 gols marcados e saldo positivo de quatro gols. O Santos marcou oito e tem saldo de um gol. Se Cerro e Santos vencerem, ambos ficarão com 11 pontos ganhos e três vitórias e a decisão será no saldo de gols e, em caso de persistir o empate, no número de gols marcados.

Portanto, se, por exemplo, o Cerro vencer o Colo Colo por 1 a 0, o Santos será o primeiro do grupo caso derrote o Táchira por quatro gols de diferença. 4 a 0 já bastaria, pois o Alvinegro Praiano iria aos mesmos cinco gols de saldo que o Cerro, mas teria 12 gols marcados, contra 11 do rival.

Bem, estou otimista, e você? Acha que hoje viveremos uma grande festa no Pacaembu, ou é bom ter cuidado com o Táchira?