Surge a notícia de que a Juventus de Turim quer pagar 30 milhões de euros por Neymar. Nem pensar! Primeiro, que o dinheiro é pouco e a Juventus, hoje, é um time meia boca da Itália. Segundo, que o Santos não pode sair da rota que o levará a ser um dos maiores do mundo – objetivo, aliás, prometido pela diretoria que hoje dirige o clube.

O Santos começou a ser o melhor do mundo na década de 1950, quando o presidente Athié Jorge Cury decidiu que o clube não iria vender mais nenhum bom jogador, como costumava fazer. Esta mesma atitude é que seria a ideal agora.

Como o estatuto já foi mudado, não está na hora de aparecer os R$ 40 milhões prometidos pelo fundo de investimento? E como o Santos receberá mais da tevê e tem conseguido patrocínios bem melhores, será que não será possível manter ao menos Neymar, Ganso e Elano?

De que adiantará se desfazer de Neymar e Ganso, pagar dívidas e voltar à estaca zero? Para realmente poder mais, o Santos precisa de visibilidade constante, ou não conseguirá contrabalançar a preferência populista pelos chamados “times de massa”.

Está na hora de os banqueiros, altos executivos e quetais dizerem por que queriam assumir o controle do clube. O Santos está em uma encruzilhada. Ou se mantém firme e cresce ao nível dos maiores – não só em técnica, mas em popularidade –, ou voltará a ser um coadjuvante.

Ganso até pode sair. Mas Neymar, nunca!

Considero Paulo Henrique Ganso um jogador excepcional, o melhor do país e um dos melhores do mundo. Sua visão de jogo é extraordinária e é um dos poucos que consegue realizar o que mentaliza. Mas sei que ele quer ir embora e será difícil segurar.

Por mais que o marketing do Santos se mexa e por mais que o time tenha, hoje, uma visibilidade espetacular, admito que o mercado do futebol brasileiro não permite que um clube mantenha dois jogadores galácticos, com salários europeus. Provavelmente um deles terá de ser negociado. Neste caso, não há dúvida de que o santista prefere perder o Ganso e ficar com Neymar.

Até porque, para o plano maior, que é se manter em alta na mídia, Neymar vale muito mais do que o Ganso. Sem contar que é muito mais identificado com o Santos e amado pela torcida.

O Santos de Luis Álvaro Ribeiro deve tratar Neymar como o Santos de Athié Jorge Cury tratou Pelé. Ou seja: não se desfazer dele por nenhum dinheiro do mundo.

Sei que os tempos são outros e a Lei Pelé mudou muita coisa, mas é possível pagar a Neymar, entre salários do clube e verbas de patrocinadores, um valor maior do que um milhão de reis por mês. Isso, por enquanto, será o suficiente para mante-lo por aqui.

Com a provável venda do Ganso, haverá ainda mais dinheiro para manter Neymar. Portanto, será uma desfaçatez se o Menino de Ouro deixar a Vila Belmiro um dia. Ele é a esperança de o Santos atrair mais torcedores, dar mais visibilidade na tevê, valorizar o patrocínio de sua camisa, enfim, tornar o time mais forte e respeitado.

O ideal, repito, seria manter Ganso e Neymar. É uma pena que um clube que tem a felicidade de contar com dois jogadores desse nível, tenha de se desfazer de um deles para pagar dívidas. Porém, se isto for inevitável, que ao menos não se perca o talento, a personalidade e o carisma do ídolo Neymar.

E você, acha que dá para manter os dois craques, ou é melhor ir se preparando para perder Paulo Henrique Ganso e segurar o Neymar?