O prefeito Papa e os Jardins de Santos, vistosos, mas mal iluminados.

Tenho recebido queixas de algumas pessoas que moram em Santos de que o jardim da praia pode ser lindo, o maior do mundo, mas à noite não se pode passear nele, pois é muito mal iluminado, assim como toda a cidade. Reclamam também do alto preço e da precariedade do transporte público e da sujeira das ruas. Falam ainda do pouco apoio da prefeitura às manifestações culturais da cidade.

Não moro em Santos, apenas visito a cidade continuamente. Também não conheço o prefeito João Paulo Tavares Papa. Acho que os santistas confiam, ou confiavam nele em 2008, já que foi reeleito com 77,22% dos votos válidos. Mas uma coisa me incomoda: por que a Prefeitura de Santos não é uma parceira mais fiel e efetiva do clube que leva o nome da cidade e lhe abre as portas em todo o mundo?

Por que a Prefeitura de Santos não pode ser a maior aliada do Santos, como as de Real Madrid e Barcelona, responsáveis diretas pela grandeza que esses clubes têm? Não digo que se isente o clube de impostos, como fazem lá, não digo que compre áreas do clube por uma fortuna e depois permita que use outra, pública, com valor mínimo de arrendamento, como fazem por lá, mas que ao menos congreguem a cidade e o Santos, que participem de mais ações em parceria com o clube.

Digo isso porque, entre outras coisas, tenho tido muita dificuldade de, ao menos, marcar uma audiência formal com o prefeito para apresentar idéias de eventos para o Centenário do Santos. Já falei com a dona Angelina, que anotou meus telefones e passou para a dona Marlene. Falei também com os senhor Henrique, que me aconselhou a falar com a dona Suzana. Falei com ela, Suzana Silveira, secretária do prefeito, liguei, passei e-mails requisitando a audiência, e nada.

É estranho porque em São Paulo, cidade 30 vezes maior do que Santos, com 30 vezes mais problemas, nas duas vezes em que precisei marcar audiências com o prefeito, consegui rapidamente, sem burocracias e sem má vontade.

O Centenário do Santos nada significa para a cidade?

Ontem dei longa entrevista aos amigos da Rádio Cultura de Santos, o Edson Calegares e o Guido, e o Edson disse que o Santos já entrou no seu Centenário desde 14 de abril e não há nenhuma menção sobre isso na cidade. Ele está certo. Mas o que o clube pode fazer?

O Santos, como todos sabem, está vivendo dias delicados, em que a prioridade é manter seus principais atletas no time e manter vivo o sonho da terceira estrela. Não pode, infelizmente, reservar uma grande verba ao Centenário, a não ser através de parcerias. A Prefeitura, por outro lado, tem um vasto orçamento para cada uma de suas secretarias – entre elas Esporte, Cultura… – e pode muito bem considerar a festa do Santos como uma festa da cidade.

Cerca de metade dos cidadãos de Santos torcem pelo Santos. Creio que isso já é um motivo suficiente para que o meio político olhe o clube com mais carinho. Não acho que se deva votar em um prefeito pelo time que ele torce, mas é possível, sim, ser um bom prefeito, fazer o que a cidade precisa e ainda assim olhar pelo clube que tornou esse nome conhecido em todo o planeta.

Não pedirei aos santistas que votem apenas em prefeito que ama o Santos, mas peço, sim, que em dúvida entre dois igualmente competentes, prefira o que traz o Alvinegro Praiano no coração.

O futebol chegou a um momento em que não dá mais para ser meio bom, meio grande. Ou se é dos um maiores, ou se faz coisas realmente importantes e com isso se atrai um número cada vez maior de adeptos, ou é melhor desistir de sonhos grandiosos. Como o Santos nunca desistirá desses sonhos, ele precisa de parceiros fortes e compenetrados. E o maior deles deve ser a Prefeitura de Santos.

Você não acha que a Prefeitura de Santos poderia ser uma parceira mais fiel ao clube, já que o Santos é tão importante para a cidade?