O técnico Muricy Ramalho fez bem de usar seus titulares na semifinal do Campeonato Paulista contra o São Paulo. Depois de um primeiro tempo equilibrado, Neymar, Ganso e Elano decidiram o jogo no segundo tempo. 2 a 0 foi um placar justo, que exprimiu bem a diferença de categoria entre os times e também a diferença entre os técnicos.

Enquanto Muricy voltou para o segundo tempo com Bruno Aguiar no lugar de Zé Eduardo, adotando a formação com três zagueiros, que brecou as investidas do adversário e fez Dagoberto, o melhor do primeiro tempo, buscar jogo no meio-campo, Paulo César Carpeggiani tirou os jovens Casemiro e Marlos para colocar Fernandão e Rivaldo, facilitando as coisas para a retaguarda santista.

Enquanto o São Paulo pouco produziu com o seu manjado jogo de chuveirinho, Ganso teve espaço para lançar Neymar e, com esta fórmula simples, o Santos matou o jogo.

Primeiro tempo: Santos começou melhor, mas São Paulo cresceu

Uma bobeada na saída de bola do São Paulo e quase o Santos abre o marcador logo aos dois minutos de jogo. Neymar roubou de Alex Silva e acertou a trave. No início, a impressão que se tinha é que o gol do santos não tardaria a acontecer.

Não que o São Paulo não atacasse – como em uma jogada em que Danilo foi cercado por três, perdeu a bola e o adversário conseguiu um escanteio –, mas o Santos dava a impressão de estar mais calmo, mais consciente, apenas esperando o momento para dar o bote.

E as oportunidades começaram a surgir, como em uma falta que Elano chutou no pé de um são-paulino (novamente Elano não foi bem em cobranças de falta) e em um bom contra-ataque que acabou quando Zé Eduardo, literalmente, pisou na bola, caiu sentado e a perdeu.

O ar de superioridade do Santos acabou quando Edu Dracena, sozinho, se atrapalhou diante de Dagoberto, tropeçou na bola, caiu sentado, e quase o São Paulo chegou ao gol.

Em seguida, ao tentar despachar para o meio, Jonathan jogou a bola em Dagoberto, que passou para trás e gerou um lance que só não se transformou em gol porque Rafael fez uma defesa heróica.

Então, o São Paulo viveu momentos de domínio. Dagoberto driblou da esquerda para o meio e chutou para outra boa defesa de Rafael. Em nova jogada, Jean surgiu livre à frente do gol e chutou por cima.

Antes de terminar o primeiro tempo, Danilo e Neymar tiveram chances de chutar a gol da meia-lua da área, mas o fizeram fraco e rasteiro. Ficou a impressão de que ambos estavam nervosos.

Quem esteve à vontade na primeira etapa foi Paulo Henrique Ganso e o incansável Léo. Zé Eduardo era o pior do time. Do jogo todo, o melhor era Dagoberto, que um dia, neste blog, eu sugeri uma troca por Keirrison e quase apanhei.

Na saída do campo, Léo disse que as coisas estavam complicadas para o seu lado, que o time estava sentindo o cansaço, mas que era só acertar o último passe, encaixar o contra-ataque, que o gol sairia.

Muricy volta com três zagueiros e dá um nó em Carpeggiani

O Santos voltou bem melhor no segundo tempo, devido, principalmente, a uma simples alteração de Muricy Ramalho: tirou Zé Eduardo, colocou um terceiro zagueiro (Bruno Aguiar) e a partir daí, ao mesmo tempo em que não deu mais espaços para o ataque do adversário, passou a criar oportunidades seguidas.

Depois de conseguir espaços com Neymar e Léo, pela direita, e Jonathan, pela esquerda, o Santos finalmente chegou ao gol aos 16 minutos. Neymar dominou na área e passou parta o Ganso, no canto esquerdo. Este, como se estivesse passeando no parque, virou-se calmamente, olhou para o lado oposto e colocou na cabeça de Elano, que, a exemplo do jogo na fase de classificação, marcou o primeiro do Sansão, de cabeça.

A partir daí, Paulo César Carpeggiani apelou para os veteranos: colocou Fernandão e Rivaldo e tirou Casemiro e Marlos. Sobrou ao São Paulo a opção de cruzar bolas altas para a área, nada mais.

A ordem de pressionar a saída de bola do Santos foi uma faca de dois gumes. Em um contra-ataque, aos 28 minutos, a bola caiu no pé dele, Ganso, e daí pareceu videogame: o passe preciso para Neymar, a avançada deste, que não foi fominha e depois de driblar Rogério Ceni, mas percebeu que estava sem ângulo, esperou pela entrada de Ganso e lhe empurrou a bola. O 10 da Vila bateu seco, rasteiro, entre Ceni e Alex Silva. Golaço!

No final, saiu Léo e entrou Alex Sandro; o São Paulo chegou a ter uma única boa chance, em cruzamento de Rivaldo e cabeçada de Fernandão, para fora; e Neymar perdeu um gol feito, ao penetrar livre, depois de outro passe genial de Ganso, e chutar por cima do gol.

Antes do final, Elano saiu machucado. Esticou ao jogar uma bola para escanteio e parece ter tido um estiramento muscular. Talvez seja a única baixa para o jogo contra o América, terça-feira. Com esta única exceção, entre mortos e feridos salvarem-se todos.

Um pouco cansado, mas feliz, e talvez com Adriano no lugar de Elano, o Santos jogará no México com a garantia de que já tem um título a disputar. Agora é pernas pro ar e esperar os resultados de domingo. Mais importante do que saber com quem jogará a final do Paulista, é torcer para o América vencer o Pumas e se classificar para as quartas de final do clausura mexicano, na quinta-feira. Se vencer, o América terá de poupar titulares contra o Santos, pois para o seu torcedor a prioridade é o campeonato local.

Bem, esta é apenas a minha opinião. E a sua? Manda ver…