Quando Neymar, que até ali tinha uma atuação discreta, fez um golaço e deu ao Santos a vantagem de 3 a 0 sobre o Colo Colo, tudo indicava que a partir daquele momento a Vila Belmiro assistiria a uma goleada histórica. Estava só no começo no segundo tempo e o time chileno era pressionado impiedosamente.

Mas aí Neymar usou uma máscara com o seu rosto para comemorar o gol e o árbitro uruguaio Roberto Silveira lhe deu o segundo cartão amarelo e o vermelho, tirando-o da partida e também do jogo decisivo contra o Cerro Porteño, no dia 14.

No primeiro semestre do ano passado, quando ainda tinha Robinho, mais da metade do time do Santos comemorou um gol usando boné e dançando rap. Obviamente Neymar nunca imaginou que isso dava cartão amarelo. Ou alguém deveria ter avisado a ele, ou é questão de interpretação do árbitro, ou o uruguaio, para variar, queria ferrar o Santos.

Pois além de expulsar Neymar, o moço expulsou Zé Eduardo logo depois, e ainda expulsou Elano, que já tinha saído do jogo e estava no banco de reservas. Isso depois que o técnico do Colo Colo tinha dado umas peitadas no quarto árbitro, o brasileiro Paulo César de Oliveira, sem que recebesse cartão.

Com um jogador a menos, o Santos tentou se segurar, mas Marcelo Martelotte, que vinha bem até ali, tirou Paulo Henrique Ganso e Elano, ou seja, mais uma vez se esqueceu de que times precisam de armadores para ligar a defesa ao ataque e dar um destino inteligente às jogadas.

Com a saída de Pará, os únicos que podiam tentar armar alguma coisa passaram a ser Danilo e Léo. Por aí se vê como foi o Santos no final do jogo. Diante de tamanha desorganização, o Colo Colo apertou, fez dois gols, e só não empatou por que no fim, com receio das consequências de suas expulsões, o árbitro passou a apitar perigo de gol sempre que os chilenos se aproximavam da área santista.

Time estava fazendo sua melhor partida no ano

Pela primeira vez Danilo estava se comportando bem como meia, apoiando o ataque com perigo, a ponto de fazer o segundo gol. Adriano também marcava bem e Pará não cometia erros. O Santos sufocava o Colo Colo e dava a impressão de que se passasse a jogar sempre assim, venceria também seus outros adversários do grupo, obtendo a classificação facilmente.

A expulsão de Neymar e, talvez mais do que ela, a expulsão de Zé Eduardo – que, repito, parecia descontrolado desde o início do jogo –, além das péssimas substituições de Martelotte, fizeram o Santos voltar ao futebol medíocre que vinha mostrando este ano.

Para que tanto nervosismo?

Desde o início da partida percebia-se que os jogadores, principalmente Zé Eduardo e Elano, estavam “pilhados”. Reclamavam de qualquer coisa, estavam a fim de briga. Neymar também reclamava muito e logo de cara fez uma falta por trás que mereceu o cartão amarelo.

Faltou um líder, um jogador experiente para colocar a cabeça dos companheiros no lugar. Faltou alguém como Robinho, que antes da final da Copa do Brasil alertou para que o time terminasse o jogo com 11 jogadores em campo.

Era importante ganhar do Colo Colo, mas era apenas a primeira batalha e nem ao menos a mais difícil delas. O confronto decisivo será dia 14, próxima quinta-feira, contra o Cerro Porteño, em Assunção. Um empate e o Santos já estará praticamente eliminado.

Era importante ir com a chamada força máxima para o Paraguai, pois lá é que o bicho vai pegar de verdade. Ontem, na Vila, foi apenas um refresco perto do que se verá em Assunção. E justo na batalha decisiva os guerreiros mais nobres estarão de fora. Lamentável!

Agora Muricy deve juntar os cacos

Uma grande ironia é saber que o Santos, que tem três jogadores acima da média, só poderá contar com um deles no jogo mais importante que fará até aqui este ano. Sem Neymar e Elano, expulsos, só Paulo Henrique Ganso comandará o time em Assunção, em busca de uma vitória milagrosa.

O empate com o Cerro ainda não eliminará o Santos, mas na última rodada o time terá de aplicar uma goleada estrondosa no Táchira e ainda torcer para que o Colo Colo vença o Cerro, em Santiago. Um empate entre ambos e o Santos estará eliminado.

Além de perder o ataque titular – Neymar e Zé Eduardo –, o Alvinegro não terá o jogador que pode decidir a partida em uma cobrança de falta, que é Elano. Como vencer o Cerro, em Assunção, com tamanhos desfalques? Bem, esta é uma tarefa para o super Muricy.

Reveja os melhores momentos de Santos 3, Colo Colo 2:

Você acha que os jogadores do Santos é que foram indisciplinados, ou o árbitro foi severo demais? O que você achou do jogo? Como Muricy deve armar o Santos para enfrentar o Cerro Porteño em Assunção?