Não sei qual foi o público na Vila para Santos e Paulista. Não encontrei essa informação nem no site oficial do clube. Sei que foi pequeno, e não deveria ser. Era a primeira partida de alguns dos heróis de Assunção em Santos. O próximo jogo será no Pacaembu. Seria, portanto, a oportunidade de os santistas da cidade agradecerem aos jogadores pela vitória contra o Cerro e darem seu apoio para o confronto de quarta-feira, contra o Táchira, na capital paulista.

Está certo que o jogo valia muito pouco e o time estava coalhado de reservas. Mas, torcedor de verdade não pode ficar escolhendo jogo para ir. O certo é que todos sabem que a torcida do Santos é imensa, mas não há mais a mobilização que se via antes. Talvez o que falte mesmo seja uma política do clube voltada a esta torcida tão grande e tão esquecida…

Jogar na Vila Belmiro só tem sentido se a casa estiver cheia. Com muito mais torcedores em São Paulo e a possibilidade de atuar no Pacaembu para públicos bem maiores, escolher a Vila só tem nexo se o torcedor apoiar, ou o clube criar uma política de preços que neutralize o menor poder aquisitivo dos santistas e o tire dos botecos e o atraia para a o Urbano Caldeira.

O trunfo de atuar no Alçapão é a pressão sobre o adversário. Mas, com público pequeno, não há pressão e ainda se perde dinheiro. É preciso se estudar uma política de preços de ingressos que estabeleça o ponto de equilíbrio entre obter a melhor arrecadação possível e ao mesmo tempo encher o estádio.

Para o marketing, é sempre melhor estádio cheio

Digo isso às vésperas de uma partida em que os santistas superlotarão o Pacaembu e muitos se deixarão surpreender pelo poder da torcida santista na capital. Ora, se entre a Grande São Paulo e a Baixada Santista o Santos tem, no mínimo, dois milhões de torcedores, qual a surpresa se apenas 1,5% deles resolvem tomar o estádio municipal de assalto?

Porém, sei que muitos santistas verão o Pacaembu lotado e se perguntarão: “Nossa, por que não pode ser sempre assim?”. E aí, além da importância do jogo, entra a política do clube com relação ao torcedor e também a capacidade de mobilização deste torcedor.

Nos anos 70 e 80 a torcida do Santos era a mais dinâmica de São Paulo e, sem dúvida, a segunda de maior presença nos estádios. Tanto que todos os recordes de público do futebol paulista vêm daquela época e os torcedores do Alvinegro Praiano participaram de quase todos eles.

As torcidas organizadas do Santos, principalmente a Torcida Jovem, dirigida por rapazes dinâmicos e inteligentes – entre os quais muitos universitários – tinham uma capacidade de mobilização tremenda. Jogo do Santos era sinônimo de casa cheia. E se fosse um clássico, os santistas davam um jeito de ocupar a maior parte do Morumbi, ou no mínimo dividi-lo com os rivais.

Deixo bem claro que não sou partidário de se jogar sempre em São Paulo. Quero, apenas, que o público do Santos nos estádios reflita a grandeza de sua torcida. Por isso, cobro uma política do clube neste sentido. Com as médias de público que vem tendo, o Santos se equipara a clubes de médios para pequenos no Brasil. Ou seja, está desperdiçando parte de sua força e energia.

Essa impressão de que tem uma torcida bem menor do que ela realmente é, acaba sendo extremamente prejudicial à sua imagem e ao marketing do clube. Como defender que o Santos é um time de massa, se em seu estádio só consegue atrair a média de sete mil pagantes?

Vila Belmiro ou Pacaembu, eis a questão…

Como já disse, jogar na Vila Belmiro só tem sentido se o estádio estiver cheio. Isso pode ser garantido administrando bem os preços dos ingressos (levando-se em conta que o poder aquisitivo em Santos é menor do que em São Paulo), ou fazendo convênios com escolas e entidades assistenciais. É preferível fornecer milhares de entradas gratuitas a crianças da cidade e região, futuros torcedores do Alvinegro, do que manter os lugares vazios.

A decisão de lotar a Vila Belmiro a cada jogo não é tão simples, eu sei. Por isso prego uma parceria mais intensa com a prefeitura de Santos e das cidades da região – pois isso envolverá promoções, um sistema melhor de transporte e uma divulgação permanente.

O caminho do Santos é se fortalecer cada vez mais na Baixada Santista e participar ativamente do desenvolvimento da região. O Santos não é e nunca será de outra cidade, a não ser daquela que traz o nome. Mas é preciso que a cidade também adote o Santos de uma maneira mais definitiva e generosa.

Quanto ao Pacaembu, será, sempre, a casa do Santos em São Paulo, o estádio em que o time já ganhou mais títulos importantes do que na própria Vila Belmiro e onde é sempre recebido com carinho, paixão e multidões de apaixonados que não se importam se ele não nasceu em São Paulo, pois sabem que amor não é uma mera questão geográfica.

Quando éramos reis

Abaixo trago uma reprodução de uma reportagem publicada na página 76 da revista Veja de 25 de maio de 1983. O Santos tinha acabado de se classificar para a final do Campeonato Brasileiro e esta matéria falava apenas do poder de sua torcida. Com o título “Sangue Quente – a torcida mais aguerrida do país vai à luta”, ela dizia, logo na abertura:

Considerada a terceira maior do país, superada apenas pela do Flamengo e a do Corinthians, a torcida do Santos é capaz de proezas extraordinárias.

O que você acha que deve ser feito para que os jogos do Santos tenham um público maior?