A praia não é de Santos. Só o sonho de que esta noite o futebol se transforme em brincadeira de criança

Há torcedor que não gosta de sofrer. Bem, ninguém gosta, mas se você escolhe um time de futebol para torcer e se apaixona por ele, não dá pra fugir desta sina.

Porque a verdade é que torcedor sofre muito, mesmo nas vitórias. Pois até que o árbitro soe o apito final, pode ser um drama. Como no jogo contra o Colo Colo, na Vila Belmiro, por exemplo…

O gol de Neymar lavou nossa alma, nos fez reviver o nirvana do primeiro semestre de 2010. Alguns minutos depois, porém, o Alvinegro penava para garantir a vitória dramática.

Futebol é assim. Muda como o céu nos dias de verão. O sol claro pode dar lugar a nuvens escuras em um piscar de olhos. Os dentes que sorriem são os mesmos que rangem de aflição.

Há torcedor que disfarça, que finge não ser fanático, que diz tratar o futebol apenas como “onze homens correndo atrás de uma bola”. A maioria mente para si mesmo.

Há também aquele, o jornalista esportivo, que se diz imparcial, que se julga capaz de analisar o seu time com o mesmo distanciamento com que analisa os outros. Não acredite…

Minhas piores discussões sobre futebol foram com jornalistas que torcem para outros times e que na tevê ou no rádio fingem que são aficionados da Ponte Preta, do XV de Jaú, do Juventus…

Hipócritas. Que eu perdôo, porque são meus amigos, mas que não deixam de ser hipócritas. São os mesmos que me tratam de santista fanático. Como se eu não os conhecesse…

Uma noite de todos os santistas

Mas hoje à noite não haverá mais ninguém na face da Terra e não se ouvirá mais nenhum barulho a não ser o bater forte dos corações santistas.

De Assunção, onde o Santos terá mil torcedores nas arquibancadas do Estádio General Pablo Rojas, até o grão-ducado de Luxemburgo, onde vive o amigo Marcelo Fernandes – que acordará às três da manhã para ver o jogo – haverá olhos bem abertos acompanhando cada lance do duelo.

Só de leitores do meu blog, posso garantir com a ajuda do Google Analytics, que haverá santistas dos Estados Unidos, Japão, Espanha, Itália, Portugal, Alemanha, Polônia, Áustria, Canadá, Angola, Austrália e mais 40 países – todos preocupados, sobressaltados pelo jogo de hoje (que para muitos, pelo fuso horário, já será o jogo de amanhã).

Cem por cento ao lado do time

Sei que sou exigente e já critiquei além da conta alguns jogadores do Santos. É o mal do torcedor que um dia se acostumou com a perfeição.

Mas hoje é preciso mais amor do que raiva. Se eu estivesse em campo e o Adriano me errasse um passe de três metros, eu lhe diria: “Tudo bem, garoto. Capricha mais no próximo.”

Hoje é noite de concentrar todas as energias na busca pela vitória redentora. Claro que eu sei que é difícil. Se com o time completo, o Santos não venceu Táchira e Colo Colo fora de casa, por que ganharia agora, com um time improvisado?

Mas aí é que está. Hoje é tudo ou nada. Como dizem, chegou o dia da onça beber água. Ou vai ou racha. E, quaisquer que sejam os jogadores, a camisa branca, impoluta, sagrada, será a mesma que já fez meio mundo tremer. E ela tem poderes…

O Santos anda machucado, é verdade, mas um leão ferido não geme e nem se esconde pelos cantos. Ele pula na jugular do inimigo. E é assim que este Santos jogará hoje.

O mesmo time de tantas viradas lutará para conquistar mais uma. Não será fácil derrotar os paraguaios na sua fortaleza. Mas se há um time que pode dar essa volta por cima, é o Alvinegro Praiano.

Juntos, para sempre

Imagino a força da energia que nós, santistas do mundo, estaremos gerando durante a partida. Será que ela poderá desviar as bolas do nosso arco e faze-las entrar no gol adversário?

De qualquer forma, que esta união não se desmanche depois, qualquer que seja o resultado. Pois, além de vitórias e derrotas, o essencial é estarmos juntos, pois novos desafios sempre vêm e – nunca podemos nos esquecer disto – torcer para o Santos é, acima de tudo, uma boa causa.

E como está seu coração para o jogo de hoje? Acha que sofreremos muito?