Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Month: maio 2011 (page 1 of 14)

O(s) desfalque(s) do Cerro e a insegurança do árbitro colombiano


Wilmar Román foi severo com os brasileiros na partida contra a Argentina pelo Sul-americano Sub-20

O técnico Leonardo Asdrada também tem problemas para escalar o Cerro Porteño. No Pacaembu o meio-campo argentino Javier Villarreal sofreu uma contusão no músculo da coxa direita e talvez não tenha condições de atuar amanhã. Seu substituto deverá ser Rodrigo Burgos.

Outros que estão em tratamento são Jonathan Fabbro (dores no joelho direito), Ivan Torres (coxa esquerda) e Juan Manuel Lucero (joelho esquerdo). Estes, porém, devem ser liberados para a partida.

A equipe provável do Cerro Porteño para o jogo será formada por Barreto, Piris, P. Benítez, Uglesich, C. Benítez, Cáceres, Burgos, Torres, Fabbro, Lucero y Bareiro.

A preocupação com Neymar e a nudez de Larissa Riquelme

Mesmo sonhando com a vitória e a classificação para a final da Libertadores, os torcedores do Cerro, a quem chamam de “Ciclón” (ciclone), demonstram muito respeito pelo Santos, principalmente por Neymar.

Nos comentários das matérias de jornais, alguns leitores chegam a sugerir que Piris não avance muito, pois poderá não ter fôlego para voltar e fazer a marcação do Menino de Ouro do futebol brasileiro.

Torcedora fanática do Cerro, a modelo Larissa Riquelme prometeu que posará nua se o time se classificar para a final da Libertadores.

O Alvinegro chega hoje a Assunção

O Santos é esperado hoje em Assunção, onde fará o reconhecimento do gramado no Estádio Olla Azulgrana, local da partida de amanhã, às 21h50m (horário de Brasília).

Apesar da rivalidade com o futebol brasileiro, os torcedores paraguaios respeitam o Alvinegro Praiano e, como tem acontecido em todo país em que o Santos joga, Neymar deverá ser bastante requisitado.

Todos os pacotes turísticos colocados à venda pela Santos FC Tour, a agência oficial de viagens do Santos, já estão vendidos. Os torcedores que forem a Assunção, além de torcer para o time amanhã, poderão assistir ao treino do Santos de reconhecimento do gramado e visitar o Museu da Conmebol, um dos mais completos museus de futebol da América Latina e que traz diversas referências ao Santos FC.

Árbitro colombiano tem problemas com a disciplina

O jovem árbitro colombiano Wilmar Roldán, de 31 anos, não tem sabido lidar com casos de indisciplina. Às vezes é brando demais, em outras oportunidades chega a ser radical. E já teve problemas com Neymar.

No dia 6 de fevereiro, em Arequipa, Peru, Roldán arbitrou o jogo entre Brasil e Argentina pelo Campeonato Sul-americano Sub-20 e permitiu que os argentinos usassem a violência para parar os brasileiros. O único cartão vermelho foi dado ao brasileiro Juan, além de amarelos para Alex Sandro, Danilo, Neymar e Romário. Dos argentinos, apenas Zuculini e Tagliafico receberam cartões amarelos.

Nas Eliminatórias para a Copa de 2010, Roldán foi admoestado pelo presidente da Comissão de Árbitros da Conmebol, Carlos Alarcón, por não ter controlado os jogadores da partida Equador 1, Paraguai 1, em Quito, e ter permitido faltas violentas e até agressões sem bola.

Mas Wilmar também tem qualidades, e a principal delas é o excelente preparo físico, que faz com que acompanhe as jogadas de perto.

Você acha que o Santos poderá ser prejudicado por esse árbitro em Assunção? Ou o melhor a fazer é esquecer a arbitragem e pensar só em jogar futebol?


Ânimo santistas: com Léo ou sem Léo, o Santos merece o céu!

Treino desta segunda-feira no CT Rei Pelé: Alex Sandro, o substituto de Léo, com Borges, o contratado para o Brasileiro; Jonathan treinando com bola; Neymar e Elano, que desta vez poderão jogar em Assunção, e Arouca, a segurança do meio-campo (Fotos: Comunicação Santos FC).

A notícia de que o lateral-esquerdo Léo, com o tornozelo machucado, não poderá jogar em Assunção, deixou muito santista consternado. Como Jonathan também é dúvida, um leitor do blog exclamou: “Pará e Alex Sandro, não!”. Eu já não me preocupo tanto. Acho que quando o time está bem, não é a falta de um ou outro jogador, mesmo importante, que decidirá o jogo.

Creio que Jonathan poderá jogar, o que fará da entrada de Alex Sandro no lugar de Léo a única alteração no time titular. E Alex Sandro já fez boas partidas. Por que não poderá se sair bem depois de amanhã?

E mesmo que Jonathan também não jogue, seria possível colocar Danilo na lateral-direita e Alan Patrick no meio, montanto o time com Rafael, Danilo, Edu Dracena, Durval e Alex Sandro; Adriano, Arouca, Alan Patrick e Elano; Neymar e Zé Eduardo. Não dá para ao menos empatar com Cerro?

Grandes desfalques, grandes títulos

Poucos santistas atentam para o detalhe de que o Alvinegro já ganhou inúmeros títulos sem titulares importantes. Na final de 1935, o centroavante Delso, alto e elegante, teve de voltar a São Josão da Boa Vista devido à morte de sua mãe. Logu, de sem-pulo famoso, também ficou fora da final porque lhe pegaram o joelho em uma partida contra o Palestra.

Aa ausências mais famosas foram as de Pelé, Calvet e Zito nos dois jogos contra o Milan, no Maracanã, que tornaram o Santos o primeiro bicampeão mundial da história. E, em evento bem mais recente, Diego e Alberto não jogaram a final do Brasileiro de 2002, em que o Santos sobre o Corinthians por 3 a 2.

O título conquistado sem mais titulares foi o Paulista de 1978, cuja final foi jogada em 28 de junho de 1979. O time que entrou em campo, naquela quarta-feira à noite, para enfrentar o São Paulo, era formado por Flávio, Nélson, Antônio Carlos, Neto e Gilberto; Zé Carlos, Toninho Vieira e Pita; Nilton Batata, Juari e Claudinho.

Ficaram fora da final o goleiro Vitor, o zagueiro Joãozinho, os meio-campistas Clodoaldo e Ailton Lira e o ponta-esquerda e João Paulo. Para complicar ainda mais, Pita saiu com o tornozelo machucado e foi substituido por Rubens Feijão. Neto também teve de ser substituido por Fernando.

Assim, dos titulares que terminaram a partida e garantiram o título com o empate de 0 a 0 na prorrogação (depois de o Santos perder por 2 a 0 no tempo normal), só restaram Nelson, Gilberto, Nilton Batata e Juari.

Por fim, não se pode esquecer que nesta mesma Libertadores, contra o mesmo Cerro Porteño e na mesma Assunção, o Santos conquistou sua melhor vitória sem Neymar, Elano e Zé Eduardo, expulsos no jogo anterior, contra o Colo Colo.

O Santos pode até perder, mas não pela ausência de Léo

É claro que o Santos pode perder do Cerro e ser eliminado da Libertadores. Mas não pela ausência de Léo. Pode perder porque o time paraguaio marca forte, toca bem a bola e tem bons atacantes.

Mais do que nomes, o que decidirá a partida será a disposição e a técnica dos jogadores, além do esquema tático. Por isso, eu não temeria pelo resultado nem mesmo se Neymar não pudesse jogar. Mas, ainda bem que ele vai…

Como diria meu amigo Nuno Cobra, o atleta tem de ter medo de ter medo, pois a partir do momento em que se deixa levar pelo medo, não consegue realizar o que pode e o que planejou. Não alimentemos, pois, sinais de medo para esta nova batalha de Assunção. Só a confiança deve prevalecer.

Reveja o Santos sendo campeão paulista de 1978 sem sete titulares:

http://youtu.be/bLRpyTV0rQo

Você acha que sem Léo, ou Jonathan, o Santos sofrerá muito para garantir a vaga na final? A ausência de Léo chega a lhe causar medo?


Palmares vence o primeiro campeão do Brasil

Na foto maior, o Palmares, que não esconde na cor do uniforme a sua origem santista. Zé Roberto, o autor do gol, é o terceiro na esquerda para a direita. Geraldo, que cobrou o escanteio para a bola bater na minha cabeça e entrar, é o último de pé, à esquerda. Agachado, sem cabelo e com chuteira vermelha, Mirinho, o maestro do time, que eu tive a ousadia de substituir. Nas fotos abaixo, Vicente e o enciclopédico professor João Neto, que ontem deu uma de Muricy; o time do SPAC, herdeiros de Charles Miller que só sorriram antes do jogo; o humilde craque, de chuteira nova, que dá o ar de sua graça de nove em nove anos, e a alegre turma do Palmares na avenida Sabará, comemorando a segunda vitória do ano no CT do Neto (fotos de Suzana Silva/ Blog do Odir).

Ontem foi jogada mais uma rodada do Campeonato Brasileiro, mas o jogo mais importante do dia aconteceu em Veleiros, no gramado histórico do São Paulo Athletic Club, o famoso SPAC, ou clube dos ingleses, o primeiro campeão de uma competição oficial no País, o Campeonato Paulista de 1902 (na verdade, primeiro tricampeão, pois repetiu o feito em 1903 e 1904).

Para quem não sabe, o SPAC é o clube de Charles Miller, o rapaz filho de ingleses que foi estudar na Inglaterra e de lá trouxe as primeiras bolas que iniciaram a paixão do brasileiro pelo futebol. Miller, jogava bem e foi artilheiro do Paulista em 1902 e 1904, é chamado de “O pai do futebol do Brasil”.

Lá, na manhã de ontem, o time dos garotos sub-60 do SPAC recebeu o destemido Palmares, da vila de mesmo nome, do bairro da Pedreira, zona sul de São Paulo, um reduto de santistas.

A maioria dos jogadores do Palmares, assim como o seu técnico, João Neto, torcem pelo Santos. Fundado há 40 anos, o time tem o uniforme principal todo branco, em homenagem ao Alvinegro Praiano. Até a numeração das camisas da defesa é igual à do Santos: 4 – 2 – 6 – 3.

Para este jogo histórico contra o SPAC, o simpático e bem falante João Neto, que é tem uma memória sobre o futebol que faria inveja a Celso Unzelte e PVC juntos, cometeu a imprudência de me convidar “para bater uma bolinha”.

Como minha última partida tinha sido há nove anos, em uma competição entre jornalistas, nem chuteira eu tinha mais. Comprei um par no sábado e ontem pela manhã, levado pela Suzana, lá fui para “brincar” ao lado dos rapazes do Palmares. Mas ao divisar o campo de batalha, constatei que a tarefa seria das mais árduas: o campo era imenso, acho que maior do que a Vila Belmiro e o Pacaembu.

“Amistoso” não seria um termo correto

Logo percebi que o jogo era encarado com seriedade. Na distribuição das camisas, o “professor” João Neto anunciou que começaria com sua “força máxima”. Rafael, Edu, Silvinho, Raimundo e Geraldo; Chiquinho, Zé Roberto, Cláudio e Mirinho; Bala e Murilo (é claro que eu não tinha esperança de começar jogando. Quem iria confiar em um sujeito que aparecia de chuteiras novas e de óculos?).

Por mais que defenda o jogo ofensivo nas nossas conversas sobre o Santos, João Neto preferiu uma formação mais conservadora, com apenas Bala e Murilo à frente. O início do jogo já provou que ele estava certo, pois o time do SPAC, mais entrosado, trocava passes com facilidade.

Mirinho, o articulador do Palmares, que lembra Luisinho, o Pequeno Polegar, logo impôs o seu estilo tranquilo de passes curtos e isso equilibrou as coisas. Mas o adversário era mais perigoso e parecia tremendamente interessado na vitória, pois seu centroavante xingou-se demoradamente após bater uma falta por cima do travessão. E outro jogador, o número oito deles, costumava xingar deus e todo mundo.

Aliás, isso merece registro: enquanto alguns defensores do SPAC, herdeiros naturais da decantada fleugma britânica, perdiam-se em palavrões e atitudes grosseiras, os rapazes do Palmares tratavam de jogar limpo, educadamente, como se neles é que corresse o sangue nobre de Charles Miller.

E não é tão fácil ser educado quando o árbitro apita à moda da casa, mas esta é uma história para o final. O certo é que por volta dos 20 minutos do primeiro tempo, em uma investida pela meia direita, Zé Roberto penetrou e a bola foi tocada, com categoria, por sobre o goleiro do SPAC. Golaço! 1 a 0 Palmares!

Como se fosse o time do Muricy

No vestiário, antes da segunda etapa, vi que a intenção do professor era segurar a vitória mínima. “Vou trocar dois agora e depois eu te coloco, Odir”, disse João Neto. Àquela altura o time já tinha perdido um zagueiro, que sentiu uma velha contusão no joelho, e outros estavam perto da exaustão.

Não havia limite para substituições e era permitido retornar o jogador que já havia saído. Mas João prometera que todos jogariam e agora se via na saia justa de ter de me colocar em campo e correr o risco de jogar por terra uma vitória preciosa. Alguns companheiros me olhavam, desconfiados, e um deles falou: “Só substitui se for para o time melhorar, João!”

É claro que àquela altura eu já nem fazia muita questão de entrar. De fora eu tinha imaginado que, pegando uma bola pela meia-esquerda, driblaria com facilidade para dentro e chutaria no canto oposto do goleiro. Mas foi só tentar controlar a bola e dar uns chutes, no intervalo, que constatei que meus músculos já não me obedeciam como há, digamos, umas duas décadas.

Virei um torcedor e auxiliar técnico, orientado e gritando da beira do gramado. Marcar bem, segurar a bola e fazer o tempo passar eram as prioridades. Um segundo gol cairia do céu, mas parecia um tanto improvável. O time da casa dominava o jogo e melhorou ainda mais quando fez duas substituições e colocou em campo um ex-profissional.

E eis que, a uns 20 minutos para o fim do tempo regulamentar, João me chama e diz: “Odir, você vai entrar no lugar do Mirinho. Ele está morto. Prepare-se”. Bem, se fiz algum preparo, foi psicológico, pois não me lembro de ter dado nem um pique no lugar. Mirinho veio saindo, lentamente, e eu fiquei esperando por ele. Mas de trás de mim, gritaram: “Entra! Entra!”. E fui cumprimentar o maestro do time quase no meio-campo. Seu olhar era indefinível. Acho que se perguntava: “O que o João Neto está fazendo? E o que esse jornalista está fazendo aqui?”.

Minhas ordens, assim como as ordens dos outros cinco reservas que entraram antes de mim, foram as mesmas: “Fecha o meio-campo, ajuda na marcação”. Bem, e lá fiquei eu, como um volante caído para a esquerda. Mesmo destro, me sinto mais à vontade nessa faixa do campo. E havia muito o que fazer, pois às vezes o SPAC atacava com três jogadores por ali. Acho que detectaram em mim um ponto fraco…

Um milagre: a bola está no fundo da rede…

No primeiro passe que recebi, pela lateral, deixei a bola escapar e só fui alcançá-la, com o pé esquerdo, quando estava para sair de campo. Consegui jogá-la na paralela para o Zé Roberto, mais avançado (depois do jogo, o Chiquinho, um dos fundadores do Palmares, disse que nesse primeiro lance já estava dizendo que eu era uma merda, quando eu consegui o passe e mudou de opinião…).

Um campo grande permite a troca de bolas pelo chão, e isso é que tentei fazer. Mas não busquei nenhum drible ou arrancada, como havia planejado fora de campo. Sentia que não teria arranque suficiente para concluir uma jogada mais ousada. Então, fiquei ali, marcando, cercando, marcando, como um Adriano quase sexagenário.

Mas, mesmo sem grandes pretensões ofensivas, surgiu um escanteio pra nós pela direita. Eu tinha tentado acompanhar ao jogada pelo meio, à espera de um rebote, e estava no campo de ataque. Olhei para a área e não vi ninguém do nosso time à espera do escanteio. Só para pressionar a defesa deles e segurar uns beques lá atrás, fui para a pequena área e fiquei me deslocando para a frente e para atrás, como se soubesse cabecear.

Um grandalhão do SPAC, o número 22, virou as costas para o lance e, com desdém, preferiu sair da área, dizendo: “Já tem três para marcar um, por que eu preciso ficar aqui?”. Nisso, eu fui para a frente e, o mais rápido que pude, voltei para o segundo pau, pois o goleiro e o beque que me marcava ficaram à frente e, se o escanteio os encobrisse, atrás deles eu teria alguma chance.

Lembro-me como se fosse agora: quase encostado na trave vi Geraldo bater na bola com maestria, usando a curva para tirá-la do goleiro, pelo alto, e vir me encontrar, livre, na segunda trave. Sei que em jogadas assim corro o risco de levar um soco na cara e sofrer sérios ferimentos, principalmente se o óculos quebrar. Mas não podia deixar de enfiar a cabeça.

Confesso que não sigo o conselho dos mestres para uma boa cabeçada, e na hora do impacto, fecho os olhos. Só sei que a bola bateu na minha cabeça e, quando olhei, ela estava no fundo da rede e de nosso banco vinham os gritos de gol. A sensação que tive é de que os deuses do futebol tinham me proporcionado aquele milagre.

Já estava quase no meio de campo, cumprimentado pelos companheiros, quando me avisaram de que o árbitro – um rapaz enviado pela Federação Paulista – tinha anulado o gol, dando falta sobre o goleiro. Falta? A bola passou por ele e veio direto na minha cabeça. Subi com os braços rente ao corpo. Se houve algum choque, foi ele que se chocou comigo, ou com a trave… Senti na pele o quanto é duro ser garfado.

Depois do jogo ainda fiquei sabendo que o bandeirinha correu para o meio-campo, validando o lance, e que um jogador adversário exclamou: “Não foi nada, o goleiro é que falhou”. Mas na hora nem tive ânimo de ir falar com o árbitro. Percebi que não adiantaria nada e ele ainda poderia me expulsar.

Bem, mas o que importa é que o goleiro Rafael, que há seis meses sofre com uma dor crônica no ombro direito, salvou o time com uma defesa espetacular, jogando para escanteio um chute da marca do pênalti. E o mesmo Zé Roberto que fez o gol do Palmares, salvou outro gol certo do SPAC, tirando uma bola que ia entrando mansamente.

A vitória só veio depois de muita luta e mais de 10 minutos de acréscimo! No vestiário, João Neto me explicou que no futebol amador é assim mesmo: “o time visitante tem de fazer quatro para valer dois”, e garantiu que os dez minutos além do tempo até que não foram muito, pois já viu jogos em que o árbitro só terminou quando o tima da casa conseguiu empatar.

No CT do Neto

Após o jogo, fomos levados ao “CT do Neto”. Não, não tem nada a ver com o “Recanto Alvinegro”. É um bar na Avenida Sabará, cujo proprietário se chama Neto, que reúne os craques do Palmares para a confraternização após as partidas. Com muita cerveja, pedaços de frango e algumas caipirinhas, soltamos a voz e as lembranças.

João Neto, uma enciclopédia viva do futebol, relembrou algumas histórias do Santos, principalmente do genial Toninho Guerreiro. Lá conheci Chiquinho, craque que driblava como Romário e que quebrou a perna no dia em que ia para o Cruzeiro. Conheci também toda a torcida do valente Palmares: quatro ex-jogadores que não abandonam o clube, fundado há 40 anos.

Pedi uma frase ao técnico vencedor, e João escreveu no meu bloquinho: Numa partida impecável, Palmares, mais conhecido como “Só perde se quiser”, condegue uma vitória sensacional frente ao primeiro campeão paulista, apesar da arbitragem “Bola Nossa. E anotou o time completo com as substituições: Rafael, Edu (Bill), Silvinho (Luís), Raimundo (Mala), Geraldo, Chiquinho (Odir), Zé Roberto, Cláudio (Joãozinho), Mirinho (Maurício), Bala (Vicente) e Murilo.

Em dado momento, João Neto alardeou, sorrindo: “Calei os críticos!”. E em seguida fez um balanço dos jogos do Palmares em 2011: de dez partidas, o time perdeu oito e ganhou duas (aí eu entendi melhor a luta intensa para segurar a vitória contra o SPAC). As vitórias têm sido tão escassas que duas seguidas dão direito a uma feijoada. Esta será a maior motivação para a próxima batalha.

Quando a mim, percebi, duas horas após o jogo, quando o corpo esfriou, que tinha aberto a virilha de novo – mesma contusão que me tirou de campo há nove anos, na última partida que tinha feito antes de pisar no lendário campo do SPAC, o primeiro time a ser campeão no Brasil. Porém, ao contrário dos profissionais do Santos, que estão de volta, no máximo, em duas semanas, acho que meu retorno aos gramados só se dará em 2020. Isso, se Deus e o professor quiserem.

E você, tem uma história interessante e recente de um jogo na várzea? Gostou de saber que o Palmares é um time com maioria de santistas?


Faltou confiança para os reservas do Santos

Só no segundo tempo, depois de praticar um futebol amarrado e terminar a primeira etapa perdendo pro 1 a 0, é que o Santos viu que o bicho não era tão feio e foi melhor (ou menos ruim) do que o Botafogo, chegou a criar chances de gol – que Bruno Rodrigo e Maikon Leite desperdiçaram – e no final deram a Muricy Ramalho sua primeira derrota como técnico do Alvinegro Praiano.

É difícil fazer uma análise individual. De Pará, Charles e Rodrigo Possebon nunca espero nada e eles não me surpreenderam. Gostei de Vinícius Simon, da visão de jogo de Roger e da movimentação de Richely.

Alex Sandro, como sempre, teve altos e baixos, mas hoje melhorou no segundo tempo e foi o atacante mais perigoso do Santos. Maikon Leite entrou com sono, estado em que Keirrison passou o tempo todo.

Alan Patrick se enroscou com a bola e acabou substituído. Tiago Alves estava melhor e também foi substituído. Bruno Rodrigo foi mais ou menos e perdeu um gol feito. Bruno Aguiar foi discreto. Até demais.

Colocar Pará como capitão deve ter sido uma tentativa de Muricy de despertar o espírito de liderança e responsabilidade do lateral, mas não deu certo. Pará foi o mesmo jogador errático e inseguro de sempre.

Tudo bem que era um time reserva e estava desentrosado. Mas mesmo assim poderia ter realizado um pouco mais. Perdeu de um dos piores times do campeonato. Dos que jogaram hoje, ninguém merece reivindicar a titularidade. Mas fiquei com boa impressão de Roger. Acho que vai virar.

E você, o que achou de Botafogo 1, Santos 0? E dos jogadores?


Não me surpreenderia se o Santos vencesse o Botafogo


Pelé x Garrincha, na grande decisão da Taça Brasil de 1962, no Maracanã (Imagem: Blog do Odir).

Eu sei que logo mais, às 18h30m, o técnico Muricy Ramalho escalará um time de reservas para enfrentar o Botafogo, no Engenhão. Sei também que o alvinegro carioca terá a estreia do atacante Elkeson. Mesmo assim, acho que o Santos dará trabalho e poderá até vencer.

Reserva, reserva mesmo, que não tem condição de jogar, a não ser que o titular esteja machucado, este Santos de hoje só tem dois jogadores: os volantes Charles e Rodrigo Possebon.

Aranha é um goleiro experiente, que não deve comprometer. A linha de três zagueiros é boa: Bruno Aguiar, Bruno Rodrigo e Vinícius Simon. Alex Sandor chegou a ser titular da lateral-esquerda.

Pará, Alan Patrick, Maikon Leite e Keirrison já jogaram várias vezes este ano. Acho que o time cairá um pouco se Keirrison for substituído pelo garoto Tiago Alves, e não sei o que achar caso Pará dê o lugar ao estreante Roger.

Uma coisa é certa: este Santos é um franco-atirador e não tem muito o que temer deste limitado Botafogo do técnico Caio Júnior. Loco Abreu e Herrera, os atacantes mais perigosos do adversário, não jogam hoje.

A arbitragem é uma incógnita. O imprevisível Heber Roberto Lopes (Fifa-PR) será auxiliado por Roberto Braatz (Fifa-PR) e Alessandro Rocha de Matos (Fifa-BA). Espero que hoje não este nos seus dias “caseiro”.

Os times mais prováveis são: BOTAFOGO – Jefferson; Alessandro, Antônio Carlos, Fábio Ferreira e Cortês; Marcelo Mattos, Lucas Zen, Everton e Maicosuel; Elkeson e Alex.

SANTOS – Aranha; Bruno Aguiar, Bruno Rodrigo, Vinícius e Alex Sandro; Charles, Possebon, Roger (Pará) e Alan Patrick; Maikon Leite (Tiago Alves) e Keirrison.

Já foi o maior jogo do mundo

O clássico alvinegro de hoje já foi considerado o maior duelo do futebol mundial. Na decisão da Taça Brasil de 1962, no Maracanã, os dois times reuniram oito titulares e três reservas da Seleção Brasileira bicampeã da Copa do Chile, com destaque para Pelé e Garrincha.

O jogo de hoje, muito menos importante, será o quinto entre as duas equipes no Estádio João Havelange. Até agora, a vantagem é santista, com duas vitórias, um empate e apenas uma derrota.

Minha análise

O Botafogo vem de uma derrota para o Palmeiras e, em casa, tem a obrigação de vencer os reservas do Santos. Aí que mora o perigo para o time carioca, pois os times de Muricy adoram ser atacados para poder jogar na base dos contra-ataques. E hoje os rápidos Maikon Leite e/ou Tiago Alves estarão em campo.

Eu poderia reclamar a presença de Felipe Anderson, mas entendo o técnico. Como ele quer dois volantes – no caso, Charles e Rodrigo Possebon – e como Alan Patrick já é um meia quase titular, se Muricy colocasse Felipe Anderson, não poderia estrear Roger. Porém, se ao invés de Roger, o técnico preferir Pará, ficarei sem entender a ausência de Felipe.

Não dá para negar que o Botafogo é favorito – pelo maior entrosamento entre seus jogadors e por jogar em casa -, mas uma surpresa não está fora de cogitação. Mesmo sem os titulares, este Santos que se apresentará esta tarde no Engenhão não é muito pior do que muito time titular deste Brasileiro.

E você, que pressentimento tem para este Botafogo e Santos? Será que dá?


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